Frankie Chavez e mais 6 concertos a não faltar esta semana


Esta semana vamos desde lembranças do terramoto de Lisboa em 1755, às homenagens aos Joy Divison, passando pelos Quinta do Bill em formato aumentado com uma passagem pela música mais agressiva e pela música aleatória.

  • Miguel Gizzas: O Dia em que o Mar voltou 21h30 – Teatro José Lúcio da Silva // 15 de janeiro

Uma peça como nunca antes vista! Miguel Gizzas junta literatura, cinema e música em “O Dia em que o Mar Voltou.” Um livro que reconta o terramoto de Lisboa em 1755, é a história de homens comuns tornados heróis pela força das circunstâncias. Complementando a história com a música, são explorados o fado, blues, pop progressivo e até fusões inesperadas entre o rock e a marcha popular. Uma experiência como nunca tinha visto nem ouvido. Formado em Economia pela Universidade Nova de Lisboa em 1993, e depois docente da Universidade Católica Portuguesa, Miguel Gizzas apenas se tornou músico profissional em 2001 e fez mais de 500 atuações antes de editar o primeiro álbum “Tempo Ganho”, em 2014 publicou esta peça de arte que junta várias formas de expressão. A entrada é livre limitada à lotação da sala!

 

  • Shivers + Ash is a Robot 23h – Texas Bar // 18 de janeiro

Ash is a Robot, uma clara referência ao personagem Ash do filme Alien, o oitavo passageiro de 1979. Esta banda de Setúbal conta com Cláudio Anibal, Renato Sousa, João Descalço, Francisco Caetano e Vasco Rydin e cai no espectro do post-hardcore, rock alternativo e punk progressivo. Formados em 2012 e com influências que vão desde Mars Volta, a Nine Inch Nails, a Sonic Youth e a Dillinger Escape Plan, a mistura bombástica só podia dar bom resultado. Aclamados pelas suas prestações ao vivo, os Ash is a Robot vêm ao Texas partilhar o último álbum, Return of The Pariah The Chronicles of Edward que pôde ser gravado recorrendo ao crowndfunding

Os Shivers são uma  dupla de punk-rock formada em 2001 por João Arroja na bateria e vocais e Igor Agouzado na guitarra, vocais e acordeão e que não tem igual. Talvez o mais semelhante seriam os saudosos Comme Restus. Musicalmente são irrepreensíveis, mas as letras é que vão dar uma volta a todo tipo de temas, como kebabs e bifanas ao jantar da avó sem nunca se levarem a sério. Um concerto cheio de punk e aleatoriedade que tanto os amantes de boa música como os outros não vão querer perder!

As entradas custam 5€ e são adquiridas no dia!

 

  • Lucky Duckies 21h30 – Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha // 19 de janeiro

Os Lucky Duckies são uma das mais reconhecidas bandas de Vintage Swing e Rock’n’Roll e marcam presença no Centro Cultural das Caldas para mais um concerto que se espera bastante enérgico. Já contam com cinco álbuns e dois DVD lançados e, além das composições originais inspiradas em estilos retro, trazem-nos também muitos clássicos da música internacional e também portuguesa dos anos 20 aos anos 60 do século passado. Um concerto que junta o antigo e o mais recente, homenageando os tempos áureos do estilo e perfeito para os saudosistas e amantes do estilo, desde as roupas aos acordes. Os bilhetes custam entre os 10€ e os 17,50€ e ainda há bastantes disponíveis online.

 

  • Frankie Chavez 21h30 – Centro Cultural Gonçalves Sapinho na Benedita // 19 de janeiro

Frankie Chavez, ou Joaquim Chaves, é um músico, cantor e compositor português que firmou o seu lugar na música portuguesa ao trazer noções novas à utilização de guitarras, principalmente a portuguesa. Tendo editado já três discos, onde demonstrou o seu potencial como letrista, criador de melodias e riffs, Frankie tem como base sempre a guitarra, seja acústica ou elétrica e sabe sempre bem ouvi-lo. Para este concerto volta às origens ao encarar a plateia sozinho, sem truques nem ajudas, apenas e só, Frankie Chavez. As entradas têm o custo de 10€.

 

  • Quinta do Bill + Associação de Filarmónicas do Concelho de Leiria 21h30 – Teatro José Lúcio da Silva // 19 de janeiro

Os Quinta do Bill não precisam de qualquer introdução e voltam a Leiria com um formato já conhecido. A banda de Tomar volta a apresentar um formato que resultou muito bem da primeira vez e que continua a resultar. A junção com, neste caso várias, bandas filarmónicas realça os ritmos e melodias que normalmente não têm tanto destaque. Onde velhas canções levam uma roupagem diferente e mais envolvente, os Quinta do Bill não se poupam, nem aos fãs, nestes concertos, e para os amantes da banda este é um concerto a não perder. Os bilhetes custam 18,76€ e 16,42€, com desconto, e aconselhamos a que se apresse que os lugares disponíveis já escasseiam!

 

  • Closer – Banda de Tributo a Joy Division 23h – Stereogun // 19 de janeiro

Os Closer são uma banda de Lisboa formada em 2013 para homenagear o grupo britânico que mudou a história da música entre os anos 70 e 80. Considerados os pais do post-punk, os Joy Division formaram-se em 1976 em Manchester e alteraram para sempre a história da música liderados pelo enigmático Ian Curtis. Ele que era a alma da banda levou ao seu abrupto fim suicidando-se em 1980. Os restantes membros continuaram e formaram os New Order. Para quem gosta de Joy Division este concerto é imperdível. A entrada custa 5€ + consumo obrigatório de uma bebida. 

5 Concertos a não perder esta semana


Nesta segunda semana do ano, já de energias renovadas é tempo de voltarmos à música ao vivo. Desde clássica há mais moderna ao misto entre as duas, oportunidades não faltam.

 

  • Concerto de ano novo: Banda Sinfónica da Associação de Filarmónicas do Concelho de Leiria 21h30 – Teatro José Lúcio da Silva // 5 de janeiro

A comemorar um ciclo de seis anos de concertos de ano novo, este projeto que junta todas as Bandas Filarmónicas do Concelho de Leiria propõe-se a dar o mote para o novo ano. Sob a alçada criativa das Bandas Filarmónicas do Arrabal e Soutocico, este concerto conta com a orientação do maestro escocês Mark Heron que irá homenagear os compositores portugueses. Os bilhetes custam 4,69€ e já não restam muitos lugares disponíveis.

 

  • Concerto de ano novo: Banda Comércio e Indústria 16h30 – Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha // 6 de janeiro

Desde 2013 que a Banda Comércio e Indústria, em parceria com o Centro Cultural das Caldas da Rainha, organiza os concertos de ano novo da cidade. Este concerto marca também o lançamento do disco Uns Clássicos, com as peças adaptadas a Orquestra de Sopros. Todos estes anos foi preparado um repertório dedicado à música clássica e este ano não será diferente com peças de Mozart, Rossini, Suppé, Strauss, Bizet, Ravel, Tchaikovsky, Dvorak, António Carvalho e Shostakovich. A cereja no topo do bolo será a apresentação a cargo do locutor da Antena 1 António Macedo. A entrada tem o custo de de 5€. A lotação encontra-se esgotada mas há sempre esperança!

 

  • S. Pedro + Mr. Gallini: Clap Your Hands Say F3st! 21h30 – Teatro Miguel Franco // 11 de janeiro

S. Pedro é o alter-ego de Pedro Pode, ex-integrante dos Doismileoito que faz agora a sua estreia a solo como o disco O Fim. As músicas do álbum andavam como ideias soltas pelo computador e no telemóvel e já se tornavam um peso que impedia Pedro de avançar. Desta feita construiu um estúdio analógico e procedeu a materializar todas as ideias e melodias que trazia a  vulso. Depois de juntar alguns amigos e aperfeiçoar os arranjos surge o disco.

MrGallini é Bruno Monteiro, baterista dos Stone Dead que também já conta com o seu projeto a solo. Com músicas escritas também pelos integrantes da banda de Alcobaça, Bruno dá voz e corpo e mãos a este singelo projeto de voz e guitarra. 

Os bilhetes têm o custo de 5€ e apenas são vendidos no local e no dia do concerto, por isso deixe a preguiça de lado e apareça antes do concerto começar.

 

  • Israel Costa Pereira 21h30 – Cine Teatro João D’Oliva Monteiro // 12 de janeiro

O guitarrista Israel Costa Pereira lançou o disco Curtas neste passado ano de 2018. Agora é tempo de apresentá-lo ao vivo e nada melhor que em casa. As peças compostas pelo próprio para quarteto de piano, guitarra, violino e violoncelo carregam uma essência que mistura o som mais pop e a música clássica. O álbum é uma aproximação entre a música e o cinema e cada uma das oito músicas sugerem uma curta metragem ao ouvinte. Uma experiência bastante envolvente e cativante, principalmente para os amantes do virtuosismo na guitarra clássica. Os bilhetes têm o custo de 10€ e já não restam muitos lugares.

Fotos: DR

Crítica: Mike El Nite, o rapper que joga para os fãs na liga do entretenimento pop


Último concerto do ano na Stereogun e mais uma vez o artista convidado era de alto gabarito. Miguel Caixeiro trazia a Leiria o seu hip-hop com polvilho de saudosismo (e que concerto foi!). Com direito a acapella, rebuçados e invasão de pista.

Passavam duas horas da hora marcada e ainda nada. Já se notava alguma inquietação no ar, o povo ansiava pelo artista e finalmente ele apareceu. O Justiceiro surgiu por entre alguma fumaça e o instrumental de Carmen. Para quem não conhece Carmen, é a primeira música do álbum Inter-Missão, o mais recente, e utiliza um sample da música Carmencita de Amália Rodrigues. Nesta música temos representado quase tudo o que faz de Mike El Nite ele próprio. Com um sample de fado, Miguel entra na música suavemente fazendo uso de auto-tune que traz consigo um tom melancólico e rimas bastante afiadas e carregadas de referências pop. Sem respirar entra um dos êxitos, Santa Maria, em mais um throwback, desta vez aos anos noventa, com o Amor da Falésia dos próprios Santamaria e com o público já entrosado com Mike a cantar o refrão e alguns versos.

Mike el Nite hipnotizou os presentes com a sua atitude

Acompanhado de dj, Miguel sozinho preencheu o palco por inteiro nunca deixando passar qualquer sensação de solidão, que seria natural. O público também ajudou nisso. Apesar de começar tímido, o à vontade de Mike criou também relaxamento no público que rivalizou com o rapper em alguns refrões. Mesmo do novo disco, as letras estavam bem estudadas e sempre que assim se pedia, o público reagia e acompanhava, ora nas letras ora nos movimentos pautados pela batida a chamar um pouco do trap.

Em Dr. Bayard houve rebuçados para todos

Entre músicas as intervenções de Mike El Nite eram sempre curtas e com mensagens claras de agradecimento a quem o estava a ver e a sentir a música com ele congregando um sentimento de humildade e de quem apenas se sente feliz e concretizado por ver o seu trabalho reconhecido. As músicas parece que corriam e não queriam durar, sempre com um jogo de luzes muito entrosado com o que se ouvia e com imagens da banda desenhada que acompanha o disco, como pano de fundo. flow de Mike El Nite é contagiante e já tinha conquistado a plateia quando começam a soar os primeiros coughs do single Dr. Bayard e rebuçados para a tosse começam a voar distribuídos pelo próprio. Um saco gigante acompanhou o rapper a música toda e, no fim, toda a gente tinha rebuçados suficientes para prevenir a próxima tosse aguda.

Miguel quis misturar-se com a sua gente

Estavamos a poucos passos do fim do concerto mas antes o momento alto da noite criou-se. Se já estavamos conquistados pelo flow, pelas referências e pela presença de Mike El Nite, mais rendidos ficamos quando, a pedido de um fã, Miguel cantou a música Mambo nº1. Ressalva para o que o rapper disse antes, “Esta é para ti. Eu não trouxe o beat, mas pediste e esta vai para ti.” De seguida Mike El Nite transportou todos os presentes para a rua num acapella integral da música que fez as delícias do público e mais uma vez provou a humildade e sentido de respeito que este senhor tem por quem gosta do que ele faz. 

Miguel Caixeiro provou neste concerto porque é um dos rappers mais aclamados ultimamente. Consegue conjugar influências novas e velhas, juntar o português e o inglês numa canção sem lhe dar gosto azedo, traz referências geek e da cultura pop para um estilo que nada teria a ver com elas e equilibra ainda a melancolia e a raiva num jogo de emoções que nos faz pensar com e como ele.

 

Testemunho:

“Grande surpresa! Sem duvida que se insere naquela gama de artistas que agrada a quem não é grande fã ou não gostas do género, hip-hop, trap. Tem um som próprio, não se assemelha aos demais, vem acrescentar algo.”

Anónimo

Rei Arthur Bistrô: o restaurante para petiscar com toda a família


Aberto há pouco mais de dois meses em Leiria, o Rei Arthur Bistrô é um lugar para a família, com uma orientação difícil de encontrar, onde se sente o carinho que se trabalha o que se gosta.

A sala do Rei Arthur Bistrô

O Rei Arthur Bistrô é um bistrô na rua Gago Coutinho que não é propriamente novo. Já existia em Fátima mas Marcelo e Vivianne, os donos, quiseram mudar-se para Leiria à procura de um público mais jovem e mais recetivo.

Aquando da conversa que tivemos com o Marcelo, foi possível perceber que aqui a dedicação é proporcional à paixão, e a paixão pelo que se faz nesta casa é difícil de igualar. Marcelo, formado em gestão de empresas, e Vivianne, formada em administração de empresas e recursos humanos, tiveram este sonho de ter um espaço seu que fosse uma referência misturando culinária brasileira e portuguesa, conjugando as últimas tendências da cafetaria proporcionando uma experiência compartilhada. Uma das ideias, diz Marcelo, era “criar um ambiente propício à partilha de experiências, à troca de ideias e até para trabalhar.”

Tosta de abacate

Desde tapiocas a tostas de abacate, as refeições podem ser duradouras ou mais curtas, mas o certo é que a experiência nunca será igual. Marcelo confessa que a sua visão de bistrô tenta ser o mais fiel à origem. Os bistrôs surgiram em França durante a segunda Grande Guerra. Numa altura de crise, as mulheres francesas começaram a servir refeições leves para conseguir algum rendimento. O conceito assenta na familiaridade com que os clientes eram tratados servindo refeições curtas e criando laços com eles. Marcelo exemplifica dizendo que ainda hoje tem amigos de Fátima que os visitam em Leiria.

Uma das muitas tapiocas do Rei Arhtur

Tudo é pensado ao pormenor para criar laços com quem visita o Rei Arthur Bistrô e o investimento é a vários níveis. Desde a constante experimentação de sabores nos pratos, a cargo de Vivianne, nas bebidas, a cargo de Marcelo, que confessa ter preferência pela caipirinha de tangerina, na máquina de café que tinha de ser laranja e não descansaram enquanto não a conseguiram, até à escolha da carne ideal para as refeições, tudo teve que ser escolhido a dedo.

O melhor estava guardado para o fim, Marcelo quis-nos explicar o porquê do seu bistrô se chamar Rei Arthur e aí foi a cereja no topo do bolo. Se já estávamos derretidos com todo o carinho expressado, pior ficámos quando nos explicou que o Arthur é o filho que tem com Vivianne, que para eles é um rei e é a razão do seu viver. Quis levar a homenagem mais longe e escolheu a tangerina como logótipo por ter sido a primeira fruta que o filho provou e pela qual ficou apaixonado.

Durante toda a conversa, embalada por uma playlist de bossa nova, outra constante no Rei Arthur, foi possível sentir o amor dedicado ao conceito e mais embeiçados ficámos quando provámos a tapioca, a tosta de abacate e o sumo de morango com manga. De facto um sítio único com refeições únicas e onde emana uma tranquilidade que faz qualquer um sair de sorriso no rosto e leveza no espírito.

 

Fotos: Teresa Neto

Crítica: Keep Razors Sharp – uma ode ao rock!


Os Keep Razors Sharp fazem jus ao nome e mantêm as lâminas afiadas, vagueando nas diferentes expressões do rock. A banda de Lisboa bastante descontraída mas muito incisiva interpretando músicas com todo o amor de quem partilha o que é seu e vê esse sentimento retribuído.

Sábado, 22 de dezembro, e mais uma vez o sítio para estar era a Stereogun para ver os Keep Razors Sharp. O concerto estava marcado para as 23h30 e, apesar de a banda ser relativamente recente, já tem o seu culto de seguidores que romaram, alguns desde Lisboa, até à Stereogun e compuseram o espaço com corpos e mentes ansiosas de boa música.

Fotografias de Teresa Neto

O concerto começou perto da 00h30 e as preces dos presentes foram correspondidas. O concerto fez lembrar uma música dos próprios Keep Razors Sharp. O começo algo lento em tom de introdução e, consoante o tempo passa, o som cresce até envolver todos num movimento contínuo de abanões de cabeça pautados pela secção rítmica.

Nestas duas horas de concerto, boa música e até espírito natalício, foi possível comprovar em primeira mão o que Luís Raimundo disse em entrevista à TIL. A harmonia e o entrosamento entre todos os sons e todos os elementos da banda é palpável e, em certas alturas, parece que o público é uma mera decoração e os Keep Razors Sharp viajam no seu navio de velas afiadas para um destino que só os próprios conhecem.

Fotografias de Teresa Neto

A bateria de Bibi e o baixo de Bráulio foram como um metrónomo na condução do público, que sempre acompanhou com movimentos de cabeça. A música dos Keep Razors Sharp não é para muita mochada, é para se dançar tranquilamente enquanto se bebe uma cerveja (ou sete). Ainda que haja espaço para alguns sons mais agressivos, são passageiros.

A expressão utilizada no início é espelho do concerto. Os Keeps Razors Sharp são uma banda de rock, nas suas várias linguagens, feita por amigos e, sobretudo, por conhecedores de música que não têm medo de variar e experimentar. Se, por vezes, parecia que estávamos a ouvir uma música de Sean Riley and the Slowriders, outras parecia que eram os Poppers em palco. No meio disto também houve tempo e espaço para alguma improvisação e devaneio.

Fotografias de Teresa Neto

Músicas como I see your faceOvercome foram diretas à questão, Always and Forever também foi mas arrancou os maiores aplausos, outras ainda se prolongaram e deram espaço à bonita veia criativa dos membros que, como alguém disse, estão a jogar em casa. Afonso Rodrigues confirmou isso mesmo quando, a certa altura, confessou ser sempre um prazer estar de volta a Leiria e à Stereogun.

Em suma, os Keep Razors Sharp deram ao público presente o que ele queria ver: um grupo consistente, ciente do que gosta e da orientação que dá e que, juntando todas as cabeças de Bibi, Bráulio, Afonso e Luís, resulta num projeto leve, descontraído mas muito seguro de si e com músicas a fazer festinhas no ouvido. Esperamos pelo próximo concerto!

Fotografias de Teresa Neto

Testemunhos:

Leandro Guerra: “Inicialmente este álbum não preencheu tanto os meus parâmetros musicais mas, quando me vi naquele espaço a ouvir o som projetado bem nos meus ouvidos, tudo me soou bem. É notória e transparente a entrega à música e a necessidade de agradar as pessoas que estão na sua frente. E é disto que é feito o sangue artístico, a necessidade de transparecer o sentimento e conseguir alcançar a mente e disposição de quem ouve, lê ou observa. Estamos, indubitavelmente, na presença de sangue artístico por parte de todos aqueles membros que se conjugam, diria mesmo, na perfeição.”

Keep Razors Sharp: “Overcome é a nossa superação enquanto indivíduos e banda!”


Os Keep Razors Sharp são relativamente recentes como banda mas desde a sua projeção e sucesso são bastante notórios. Com membros de The Poppers, Sean Riley & The Slowriders e dos, já desfeitos, Capitão Fantasma, quisemos perceber melhor este fenómeno da música nacional e estivemos à conversa com Luís Raimundo, vocalista dos Keep Razors Sharp.

 

Gostava de começar pelo início. Como é que surgem os Keep Razors Sharp? Já se conheciam há muito tempo ou não?

Sim, basicamente coincidiu com a vinda do Afonso Rodrigues e do Bráulio para Lisboa. Na altura nós costumavamos sair à noite e passavamos muito tempo juntos e o Bráulio sugeriu que formassemos uma banda, isto porque tínhamos a sala de ensaio dos Poppers, que é a minha outra banda, que podíamos usar. Todos tocavamos um instrumento e já tínhamos algum historial ligado à música. Pensámos: “Porque não fazer algo nosso?” e assim foi. Foi muito descomprometido. No primeiro ensaio ficou praticamente tudo definido.

Isso era outra pergunta. Vocês não são todos de Lisboa. Como é que se conhecem e se juntam?

Não somos todos de Lisboa, não. O Afonso viveu muito tempo em Leiria, o Bráulio viveu grande parte da vida dele em Coimbra, o Bibi é de Lisboa e eu também. Foi uma feliz coincidência encontrarmo-nos todos em Lisboa. O Afonso também passou por Coimbra onde fundou o Sean Riley & the SlowRiders e também foi onde conheceu o Bráulio. Por essa altura eles vêm para Lisboa e é aí que nos conhecemos.

E porquê Keep Razors Sharp? De onde vem essa designação?

Quando o Afonso ainda não estava em Lisboa nós trocavamos e-mails e eu despedia-me sempre com “keep razors sharp”. Na minha cabeça aquilo significava, mantém-te atento, mantém-te forte. Tempos depois, quando fundámos a banda, o Afonso lembrou-se da expressão e sugeriu que fosse o nome da banda. Mais uma coisa que surgiu naturalmente.

E vocês conseguem viver todos da música? Tocar ao vivo, gravar, editar ou também têm trabalhos diários?

Depende. Eu  tenho outra ocupação, está ligada às artes também mas é um emprego diário. Eu tenho o meu trabalho durante a semana, o que acaba por dar algum conforto. Relativamente aos outros membros, vai depender de cada um deles. Eu tenho esse ritmo diário! Ainda ontem à noite estive a ensaiar com Razors depois de sair do meu trabalho e hoje estou cá novamente (no trabalho). É essa a dinâmica da minha vida.

Ainda há pouco falaste da forma descontraída de como criaram a banda e já há quem vos considere das melhores bandas nacionais. Equacionavam que isso seria possível ou simplesmente foram com a maré?

Foi sempre de uma forma muito relaxada. Se fores a ver o nosso primeiro single nem videoclip tem. Tem o nome da banda a branco num fundo preto. Nós podíamos não nos ter dado bem na sala de ensaios ou em palco mas tivemos a felicidade de que as coisas casaram todas – fizeram sentido e cada vez mais fazem. Estarmos juntos e fazermos música juntos é uma coisa que nós gostamos de fazer naturalmente. Somos muito próximos e acabamos por viver a vida uns dos outros. Num processo em que começámos por fazer música simplesmente por acaso, começámos a perceber que havia um ambiente ideal. Existia um potencial dentro de nós para podermos criar, fazer coisas novas. Fazer o rock que nós gostamos, espelhado nos dois discos. Falo por mim, Razors já é um projeto tão importante como eu tenho Poppers. O mesmo para os outros membros porque vejo-os com a mesma sede de fazer e criar.  Quando começas a perceber que há ali matéria para criar alguma coisa que pode ser significativa para ti pessoalmente, a ideia é naturalmente continuar a fazer discos e a tocar.

Sobre a vossa criação, quem é que são as vossas influências? Não só por terem as vossas bandas mas nota-se que têm gostos bastante abrangentes…

Sim. O Afonso é uma pessoa mais eclética, com um conhecimento musical muito grande. É um digger, vai à procura de coisas novas. Depois tens o Bráulio que é uma pessoa ligada mais ao punk. No meu caso, sempre fui muito apaixonado pelos 70’s e algum hip-hop. Já o Bibi tem um historial mais ligado à cena pesada, como o metal, apesar de ouvir um pouco de tudo. Isto tudo junto acaba por dar Razors! Cada um de nós tem influências muito distintas. E lá está, isto podia funcionar como podia não funcionar…

Com todas essas bússolas influenciadoras, quais são os artistas ou bandas mais consensuais? 

No início existiam algumas bandas que andávamos a ouvir simultaneamente, por exemplo Jesus and Mary Chain. Naturalmente Razors acabou por ser uma misturada de tudo o que ouvimos, incluindo rock clássico e assim. Eu, pelo menos, fui aí buscar alguma influência. Depois de conhecerem os nossos projetos, acho que se nota perfeitamente as nossas várias influências e a identidade da banda pois em cada canção nota-se a influência de cada um. Acaba por ser interessante que a identidade de cada um não se sobrepões às restantes. Há um respeito muito grande entre a minha guitarra e a do Afonso, entre o baixo do Bráulio e a bateria do Bibi, a voz do Afonso com a minha voz, agora contamos também com o Chico que é o teclista e também esteve envolvido na gravação do disco. Há de facto uma linguagem e uma forma de comunicar muito própria.

Há pouco falavas do primeiro single. Eu pergunto sobre o primeiro álbum. Como é que ele surge? Já havia alguma base de riffs, letras ou alguma coisa escrita?

Não. Nós temos uma forma de criar que foi definida logo no início. Havia a tendência de eu ou o Afonso, enquanto compositores de canções, de levar alguma coisa para o estúdio mas ficou logo assente que não entrava nada. Seria apenas aquelas quatro pessoas numa sala de ensaios. Tudo o que ouves, tanto no primeiro disco como no segundo, são feitos com essa forma de trabalhar. Com a ideia “Ok, hoje vamos para dentro do estúdio e fazemos canções, vamos para lá curtir”. E há coisas que saem e outras que vemos que não é a nossa cena naquele momento. Mas tem tudo a ver com as ideias daquelas quatro pessoas naquela altura, naquele momento. É dessa forma que as canções aparecem.  Às vezes começas com um riff de guitarra meu, outras vezes com um ritmo de bateria do Bibi, outras vezes com uma linha de baixo do Bráulio, outras com um riff do Afonso, mas é tudo ali, naquele momento, com aquelas quatro pessoas.

Isso lembra-me de outra questão. Ao produzir não se sentem às vezes a patinar? Que estão num limbo criativo e que não avançam?

Não. Isto até pode parecer um bocado arrogante mas é a verdade é que não temos dificuldade. Há dias em que chegas ao estúdio e não aproveitas nada, depois há outros em que ficas com três canções ou com três bases para trabalhar. Mas fazendo uma retrospetiva sobre os ensaios, as coisas têm corrido muito bem. O que acontece é que nós nos damos ao luxo de poder escolher o caminho que queremos. A dada altura temos várias canções e começamos a escolher aquelas que nos interessam mais para o caminho do disco.

Falando ainda do primeiro álbum. Como é que foi o feedback? Foi algo gradual ou já havia uma noção que os Keep Razors Sharp existiam e que estavam a trabalhar?

Nós começamos a produzir com o intuito de lançar um álbum. Fomos tocar ao Super Bock Super Rock, o nosso primeiro single começa a passar na rádio e a verdade é que tanto no primeiro disco como no segundo, fomos muito acarinhados não só pelo público como também pelos media. Tanto o primeiro como o segundo disco tem airplay na rádio, as críticas têm sido maravilhosas. É muito bom sentires-te abraçado por aquilo que fazes. Eu não faço música para ter reconhecimento mas é bom sentires esses elogios, o interesse das pessoas, o interesse dos media, leres bons textos que espelham o teu trabalho e quem disser que não liga a isso está a mentir. Até agora tem sido uma viagem incrível, com altos e baixos, naturalmente, como qualquer boa história.

Vocês são considerados uma super banda, visto que todos vocês têm projetos com sucesso anteriores, já são todos reconhecidos na música…

Eu não concordo muito com isso. Acho que o conceito de uma super banda aplica-se mais quando tens aqueles grandes guitarristas que se juntam. Isso talvez seja uma super banda. Quando tens The Band com o Ringo Starr, o Ronnie Wood e o Van Morrison, isso sim é uma super banda. Eu compreendo a posição, somos quatro músicos que vimos de bandas com alguma relevância e juntamo-nos para fazer música. Eu compreendo esse rótulo mas não nos identificamos.

Esse era a primeira parte da pergunta, se se identificavam com o termo. A segunda parte era: não achas que muito do sucesso que têm tido não se deve ao facto de as pessoas já vos conhecerem?

É uma pergunta interessante, nunca me a tinham feito. A verdade é que muita gente quando nos ouviu na rádio ou no YouTube não sabia que éramos o Rai dos Poppers ou o Sean Riley. E sentimos que houve uma ligação, um click, mesmo não sabendo que éramos nós. Por outro lado, em termos de comunicação e conteúdos, naturalmente que ajuda porque as pessoas que compram os meus discos vão querer saber o que é que eu estou a fazer, tal como as pessoas que compram os discos do Afonso vão querer saber o que é que ele anda a fazer. Mas isto tem sempre os dois pólos! O pólo em que as pessoas são apanhadas desprevenidas e nem sabiam quem éramos e depois tens aquelas pessoas que chegam um bocadinho mais tarde e pensam “Ah, mas estas pessoas estão a fazer isto, deixa lá ouvir”.

Falando um bocadinho nos rótulos, tal como o rótulo da super banda. O vosso estilo é um pouco de post-rock, shoegaze. Nesses rótulos vocês já se identificam ou não? 

Sinceramente eu olho para Razors e vejo uma banda de rock n’ roll. Temos várias influências. Neste segundo disco temos várias abordagens do que é o rock. Temos shoegaze, temos rockpost-rock. Eu não consigo categorizar a banda mas por outro lado também te digo que é muito difícil alguém catalogar o seu trabalho.

Queria agora falar aqui um pouco da vossa dualidade entre as bandas. Sentem que conseguem produzir para os Keep Razors Sharp e também para as vossas bandas? Por exemplo, estares a ensaiar com Poppers e pensares “Não, isto ficava melhor em Razors” e vice-versa?

Não, isso não acontece. Quando combinámos em fazer as canções de Razors seria sempre com os quatro em conjunto.  Uma coisa é a influência que eu tenho em Poppers, que é grande. Outra coisa é eu fazer parte de uma banda como Razors onde eu tenho 25% da quota criativa e por aí consigo distanciar-me mais. Por norma, quando estou em casa, estou muitas vezes a pensar em música e agora que acabámos o disco de Razors e andamos aí com o disco, o disco de Poppers já está muito bem delineado. Acho que cada um tem o seu ritmo e para mim funciona assim: quanto mais tempo eu estiver parado, pior é. Consigo diferenciar e esse processo criativo de Razors facilita-me muito as coisas. Toda a gente em Razors tem o mesmo peso na criação, óbvio que depois vêm as letras e eu e o Afonso metemos as letras por cima daquela base feita por aquelas quatro pessoas. E acredito que com o Afonso seja a mesma coisa porque a forma dele criar também é essa.

E quanto à agenda? Conseguem conciliar os concertos de todas as bandas envolvidas? Ou já aconteceu terem de cancelar ou reagendar concertos?

Isto tem de estar muito organizado. Eu falo por mim: tenho duas bandas, um emprego diário. Só tenho tempo de ensaiar à noite mas com muito trabalho, muita dedicação e muito amor por aquilo que faço, isto acontece de uma forma pouco acidentada mas é preciso alguma organização, naturalmente. Quando tens um concerto fechado em certa data, tens que avisar a agência para que não sejam marcadas mais datas ali perto. Até agora tem corrido bem! Também já aconteceu eu no mesmo festival ir tocar com duas bandas na mesma noite, mas é uma coisa que se faz bem, não é nenhum problema. Carece sim de alguma dedicação e vontade porque passas muito tempo fora de casa. ,as eu não me posso queixar minimamente porque estou a fazer aquilo que amo.

E tocar ao vivo, qual é que foi o concerto mais marcante e porquê?

Eu acho que já tivemos vários concertos muito marcantes. Os concertos que me saltam à vista foram, naturalmente o primeiro num palco grande, no Super Bock Super Rock, foi um concerto que demos no Bons Sons e outro que demos no Indie MusicFest. Quem é músico compreende o que eu estou a dizer. Desde o primeiro acorde, do primeiro momento que há ali uma zona de conforto, parece que está tudo certo e existe uma comunhão entre público e banda. Eu, enquanto músico procuro muito essa sinergia entre público e eu.

Voltando ao estúdio, queria falar um bocadinho do Overcome. Começo pelo nome, porque é que se chama Overcome? É alguma superação, é alguma vontade de se superarem?

Foi sugerido pelo Afonso numa sessão de gravação. Basicamente é o espelhar destes últimos anos em que cada um de nós superou as suas dificuldades e tivemos que ter uma força muito grande para ultrapassar algumas coisas menos boas que foram sucedendo. Esta superação batiza o disco de uma forma perfeita. É a superação enquanto indivíduos e banda!

E neste segundo álbum a fórmula manteve-se sobre não levarem nada preparado ou já levaram?

Não. Nós fomos para a sala de ensaios para fazer este disco e despejámos as nossas frustrações nas canções. Podes chegar a um dia em que estás mais chateado com a vida e vais fazer uma música mais agressiva, outros dias mais melancólicos. O Overcome é um bocado assim. Eu acho que a música deve ser isso, um espelho de quem a faz. Num dia estás mais chateado e só te apetecer é ligar um fuzz e rebentar com tudo, noutros dias não. Acaba por ser um espelho daquilo que somos.

E o feedback em relação a este segundo álbum? O que têm sentido?

Está a ser incrível! Estamos no final do ano, aquela fase dos melhores disco do ano e estamos a ser muito acarinhados. Houve logo uma ligação com o primeiro vídeo Always and Forever. Não nos podemos queixar, tanto em Portugal como fora. Vamos ter oportunidade de estar no Eurosonic com este segundo disco, acabámos de assinar contrato com a Live Nation, que é uma das maiores agências e promotoras da Europa. A vida está-nos a correr muito bem…

Sobre o futuro, que perspetivas é que têm? Mais discos, mais fãs?

Eu vejo o meu futuro com eles a criar canções e fazer discos. Tenho que gerir bem as minhas expectativas porque já ando aqui há algum tempo. Só me vem à cabeça que eu quero fazer discos com pessoas que respeito muito. A nossa música e aquilo que fazemos vai ser um espelho do que somos e se as pessoas se ligarem como se têm ligado ao que fazemos, muito bem. Se não, nós vamos continuar, enquanto exista vontade para fazermos música. Simplesmente temos feito aquilo que nos apetece e isso preenche-nos.

Para finalizar, onde é que podemos ver os Keep Razors Sharp num futuro próximo? Já há festivais?

Nós vamos fazer uma mini tour na Bélgica e na Holanda em Janeiro, vamos estar no Eurosonic, vamos estar este sábado (22 dezembro) em Leiria, e temos mais datas confirmadas. Quanto aos festivais naturalmente que já começam a haver algumas conversas. Para já não posso partilhar, mas brevemente terão mais novidades.

 

 

Foto: Joana Linda

Allen Halloween ao vivo no Texas Bar


Allen Halloween é das figuras mais carismáticas e desconcertantes do rap nacional. No dia 22 de dezembro vai trazer a voz arrastada e a lírica incisiva ao Texas Bar.

 

De seu nome Allen Pires Sanhá, Halloween está no rap nacional há mais de 10 anos e desde o primeiro disco que cimentou o seu espaço dentro do estilo. E esse espaço, passado este tempo, continua só seu.

O álbum Projecto Mary Witch foi editado em 2006 e desde a primeira música que se notava uma visão do hip-hop muito diferente. Os tempos das rimas sempre ondulantes e até fora de tempo carregavam mensagens da rua, de realidades difíceis, e um misto de raiva e sofrimento, tudo envolto em instrumentais arrepiantes. Este disco presenteou-nos com músicas desconcertantes, como Dia de um Dread de 16 anos ou Fly Nigga, mas também com visões mais introspetivas e melódicas com No Love.

No segundo álbum, Halloween mostrou uma evolução tanto nas letras como nos instrumentais, mas com o peso e a agressividade a que nos habituou no primeiro disco. Árvore Kriminal revelou um Halloween mais maduro mudando o foco dos beefs de rua para os problemas sociais.

Sempre com o descontentamento característico de um génio incompreendido, e com as letras como uma flecha apontada a problemas concretos que fizeram e fazem parte da vida de Halloween, este segundo disco de longa duração revelou-nos temas como o mítico Drunfos ou Killa Me.

O último trabalho do rapper oriundo da Guiné de nome Híbrido, trouxe um Halloween ainda mais maduro descrito como tendo uma riqueza de cronista nas palavras e a visão de um mc vivido e conhecedor, tanto da rua como dos problemas do mundo. Temas como Bandido VelhoMarmita BoyLivre-Arbítrio são mais uma das muitas provas do intelecto crítico de Allen e da sua capacidade lírica de abordar, como é hábito, temáticas mais pesadas e outras que não. Halloween não esquece e não perdoa, vive no limiar da sanidade mental e de uma consciência super aguçada. É um poeta que merece ser sentido, pois mesmo quando não se entende todas as sílabas, o sentimento a transmitir é sempre claro e impactante. Um dos grandes mc´s de Portugal e vai estar no Texas Bar. Decididamente, a não perder!

As entradas têm o custo de 10€ e podem ser compradas no dia do espetáculo no Texas.

 

Fotos DR

11 Concertos que se vai arrepender de não ir esta semana


Desde o punk, ao rock à moda antiga, à música de câmara, passando por uma celebração da família, um concerto sinfónico e uma homenagem à música, esta semana está recheada de boa música e dos mais variados géneros!

  • Faroeste – Encontro de Música de Câmara Contemporânea e Improvisada 22h – Silos Contentor Criativo // 18 de dezembro

O Grémio Caldense organiza mais um evento de artes e, desta vez, o foco é a música de câmara contemporânea e improvisada. O quarteto Beat the Odds e o trio Timespine vão partilhar as suas interpretações e improvisações. Beat the Odds são um quarteto composto por dois violoncelos, Elisabeth Coudoux e Ricardo Jacinto e dois contrabaixos, Pascal Niggenkemper e Félicie Bazelaire. Os Timespine são um trio composto por Adriana Sá, John Klima e Tó Trips e cuja sonoridade engloba uma cítara, baixo elétrico, percussões e outros elementos eletrónicos. 

 

  • Omnichord Takes Over TJLS 21h30 – Teatro José Lúcio da Silva // 21 de dezembro

A receita é simples, a editora leiriense Omnichord Records decidiu criar uma espécie de All Star’s da companhia e atuar ao vivo. Os elementos vão desde Nice Weather for Ducks, First Breath After Coma, Surma, André Barros, Whales, Twin Transistors e até os Born a Lion. Ninguém sabe o que se vai passar neste concerto mas a descrição dos mesmos diz: “A pedido de muitas famílias, decidimos, pela primeira vez, juntar a nossa em palco”. Isto permite-nos dizer que será uma celebração da editora, dos seus membros, dos seus feitos e dos seus fãs.  Os bilhetes têm o custo de 8€ e 6,50€.

 

  • Banda Sinfónica de Alcobaça: Concerto de Apresentação do Novo CD 21h30 – Cine-teatro de Alcobaça João D’Oliva Monteiro // 22 de dezembro

A Banda Sinfónica de Alcobaça tem encontro marcado dia 22 de dezembro para apresentação do novo cd Banda Sinfónica de Alcobaça acompanha Sérgio Carolino & Mário Marques. Este álbum surge no seguimento do disco lançado em 2014 que mostrou uma faceta diferente da, antigamente denominada Banda de Alcobaça, em que se tornou banda de acompanhadora de solistas. Para este concerto, sob a direção de Rui Carreira, estão convidados Sérgio Carolino (Tuba) e Mário Marques (Saxofone Alto), dois dos músicos alcobacenses mais proeminentes a nível nacional que iniciaram a sua carreira nesta banda. A entrada é livre para sócios e tem o custo de 5€ para não sócios. 

 

  • Festival In Music: Luciano Cruz + Pedro Cruz e Mickael Faustino 16h – Teatro Miguel Franco // 23 de dezembro

O In Music é um festival que pretende difundir a música clássica e aproximá-la das pessoas, desmistificando-a. É organizado pela Câmara Municipal de Leiria, em parceria com Mickael Faustino, um músico da região reconhecido internacionalmente. Este concerto irá juntar em palco Pedro Cruz ao piano, Mickael Faustino na Trompa e Luciano Cruz no Oboé, num concerto onde será interpretada a obra 188 de Carl Reinecke, compositor e pianista alemão. Os bilhetes custam 5€ e 3€ com desconto. Aqui fica um cheirinho do que poderão esperar do concerto pelo próprio, Mickael Faustino.

Já tens o teu bilhete para dia 23 de Dezembro pelas 16horas do InMusic com Luciano Cruz no Teatro Miguel Franco em Leiria?Conheces esta obra?Anda ouvi-la!#piano #oboe #trompa #inmusicc #orchestra #conference #leiria #leiriaportugal #leiriacity #instamusic #music #musica #musician #trio #reinecke #soumeritis #portugal #teatromiguelfranco #radio #recording

Publicado por In Music em Sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

 

  • Madbaça Xmas Night: Songs of Brothers + Trauma Lips + Us Forretas Ocultos 22h – Mercado Municipal de Alcobaça // 21 de dezembro

Basicamente, em Alcobaça ninguém quer passar o Natal sem ouvir umas guitarradas e um bom rock à moda antiga, desta feita Songs of Brothers, Trauma Lips e Us Forretas Ocultos vão-se juntar para isso mesmo.

 

Songs of Brothers são uma dupla de irmãos que juntam nas suas músicas guitarra, harmónica, bombo e acordeão criando uma sonoridade que junta o folk e o blues. Em 2017 editaram o EP Cellar.

Sem Rumo

Publicado por Songs Of Brothers em Sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Trauma Lips são um trio de Lisboa composto por Pedro Lourenco – Voz/Guitarra, Emanuel Severino – Bateria e Ines Vicente – Baixo que explora os mundos do Rock’n’roll, IndiePsico, Punk. Em 2017 editaram o primeiro single Made In China, que lhes valeu a participação no CD/compilação da revista inglesa Classic Rock e ainda algum tempo de antena em rádios inglesas.

 

Us Forretas Ocultos são uma banda mais antiga que se formou em 1992 e lançou o primeiro álbum em 1995. Nativos de Alcobaça este regresso é bastante aguardado uma noite como esta não podia estar completa sem a velha guarda.

A entrada é livre.

 

  • Odisseia do Capitão: The Parkinsons + From Atomic + Jetro Tuga 17h // 23 de dezembro

O Capitão tem organizado mais que muitas viagens por mares tempestuosos mas bastante satisfatórios. Desta vez convida-nos a embracar numa odisseia guiados pelos The Parkinsons, pelos From Atomic e a estreia de Jetro Tuga.

The Parkinsons precisam de poucas introduções. Formados em 2000, em Coimbra, depressa se mudaram para Londres onde ganharam a reputação como uma das bandas mais ultrajantes ao vivo. Passados quase 19 anos,  não abrandam e esta é uma oportunidade de presenciar uma banda histórica nacional.

Os From Atomic são um trio de Coimbra que junta Sofia no baixo e vocais, Al na guitarra e teclas e Márcio na bateria. Caracterizam-se pela voz de Sofia algo distorcida e todo um ambiente mágico de Indie/DreamPop

Jetro Tuga é a mais recente performance de Jonas Gonçalves, guitarrista dos Stone Dead e esta vai ser a sua estreia. Pouco podemos adiantar sobre este concerto, mas a descrição fala em rock, batidas rápidas, charros, jeans coçadas e sapatilhas rotas. Como não gostar?

A entrada tem o custo de 10€ em pré reserva, à venda no Praça Caffé e na Taverna Xico e Xica, e 12€ no dia. 

 

Fotos DR

Esqueça a dieta: há uma nova Bendita Torre de Gula!


O restaurante Bendita Gula reforçou a ementa com um prato de peso. Composto por batata frita, carne de porco, enchidos e molho de queijo, este prato é imponente e é para ser partilhado.

A Torre Bendita Gula entrou para o “onze” há pouco mais de um mês e o feedback tem sido bastante positivo. Inspirada nos petiscos brasileiros, país de origem da proprietária Solange Santos, para ser acompanhada com uma cerveja ou um bom vinho, a Torre Bendita Gula é uma refeição para duas pessoas, ou uma pessoa faminta.

Esta torre é Gula pura!

Na composição estão carne de porco, enchidos, bacon e batata frita, tudo junto com bastante queijo e um molho de queijo, que é o segredo do prato. O segredo está, também, na montagem. Com a ajuda de um cilindro, Solange faz a montagem da torre por camadas, até atingir o visual imponente mostrado na foto principal.

Os vegetarianos é que não vão poder degustar este prato. Apesar de ter sido um objetivo, Solange Santos confessa que ainda não conseguiu encontrar uma forma de replicar a essência da Torre de Gula sem a carne. 

Entrada do espaço Bendita Gula

 

O restaurante Bendita Gula, situado na rua Gago Coutinho, está aberto das 12h às 15h e das 19h30 às 22h30. É especializado em petiscos bastante saborosos e variados, incluindo vários pratos vegetarianos.

 

Fotos: Teresa Neto

4 Concertos obrigatórios para ver esta semana


Esta semana temos artistas nacionais, europeus e internacionais a marcarem presença no nosso distrito. Desde o techno, ao jazz não faltam motivos para ir ver música ao vivo.

  • Ben Salter 22h30 – Atlas Hostel // 13 de dezembro

Ben Salter é um músico australiano com mais de 20 anos de carreira ora a solo ora como integrante de bandas como The Gin Club, The Wilson Pickers (Desde 2008) e Giants of Science. Tendo como influências The Velvet Underground, Roy Orbison, The Ink Spots e Low, Ben é citado como um dos melhores cantores australianos e o seu alcance vai desde baladas acústicas ao rock indie. Ben Salter passa por Portugal a propósito da digressão Madness.

 

  • Pedro Abrunhosa & Comité Caviar 21h30 – Teatro José Lúcio da Silva // 13 e 14 de dezembro

Pedro Abrunhosa dispensa qualquer tipo de apresentação, o músico, escritor e compositor portuense é um camaleão viajando ao longo da carreira por vários estilos como o rock e o jazz. Pedro Abrunhosa é um erudito musical  tendo estudado composição e contrabaixo chegando a formar várias bandas, tocando também em orquestras. Com mais de 20 anos de carreira extremamente rica o concerto no Teatro José Lúcio da Silva vai contar com as típicas viagens aos clássicos como “Se eu fosse um dia o teu olhar” ou “Tudo o que eu te dou” mas também canções novas como “Amor em Tempos de Muros”.

Os bilhetes custam 25€ mas já estão esgotados para os dois dias ainda assim dizem que a sorte protege os audazes por isso ouse e tente encontrar um bilhete que este concerto não é de falhar. 

 

  • Vico Deep + Dael Jovic + Oibaf & Wallen – Deeper’s Club II  23h30 – Stereogun // 14 de dezembro

Deeper’s Club é uma festa que decorre habitualmente em Madrid, no Studio76. Esta festa é uma homenagem ao techno e é também um espetáculo visual, que incorpora a tecnologia LED e um show de hologramas nunca visto!

Vico Deep recebeu os seus primeiros decks em 2006 e logo entrou no circuito da música eletrónica mas foi em 2008 que conseguiu o seu lugar como DJ residente no Wind Club nas sessões Deep, daí até integrar a equipa do Studio76 (casa das sessões Deep) foi um saltinho. Vico Deep caracteriza-se pelos sons de puro club sound sendo os seus estilos favoritos o “powerfull” e o “dark” com muito groove.

Dael Jovic também é residente no Studio76 e conta com mais de 20 anos de carreira. Dael Jovic regressa a Portugal para nos apresentar o seu novo projeto no qual explora sonoridades “Dark & Deep” que farão os presentes viajar no tempo e no espaço.

Oibaf e Wallen são um duo que explora as sonoridades do tecnho melódico, do progressivo e do deep techno. Criaram a dupla quando estudavam, entre 2015 e 2016 mas apesar de o projeto ser recente tanto Oibaf e Wallen já deram cartas a solo partilhando noites com artistas como Adam Beyer ou Terry Francis. 

Uma noite em que o techno vai ser rei e senhor, nas suas várias ramificações e também no seu estado mais puro, para os seus apreciadores, esta edição do Deeper’s Club é obrigatória.

 

  • Lobo Mau 14h – Salão Convívio de S. Gregório (Caldas da Rainha) // 15 de dezembro

Gonçalo Ferreira, Lília Esteves e David Jacinto são os Lobo Mau, um trio de guitarra e vozes que, segundo a sua descrição, contemplam as suas vivências nas letras e nas músicas resultando num repertório original, desinibido e sem artifícios. A entrada é livre!

 

Fotos: DR