Uníssono: EN1 – O novo rock leiriense em português


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Teresa Neto
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    Os EN1 são uma banda recém formada de Leiria e escrevem como pensam, orgulhosamente em português. Berço é o seu primeiro EP e fomos conhecê-los.

    Lançaram recentemente o seu EP de estreia, “Berço”, e estivemos à conversa com eles em tom de antevisão deste disco de curta duração e também do que podemos esperar no futuro. Formados por Pedro Rino (vocalista e guitarrista), João Oliveira (guitarrista) e Tomás Carvalho (baixista) já amigos de longa data, reencontraram-se recentemente para dar vida a este projeto, precisaram de um baterista e aí entrou Rúben Borges.

    Escrevem em português porque dizem ser assim que se sentem confortáveis a escrever e a pensar. Não se imaginam escrever canções de outra forma. A ideia contam, “surgiu no ano passado, nas festas da Batalha a ver José Cid. A ideia de fazer originais foi algo que sempre quisemos.” Já havia experiência de bandas de covers, mas houve esta necessidade de criar algo original, pessoal. No que diz respeito ao processo criativo dizem que “não é um processo linear. Raramente trabalhámos uma música todos juntos. Maior parte das vezes um de nós escreve uma letra ou cria um riff e depois complementamos.” Confessam que muitas canções foram criadas inicialmente com bateria digital mas que, em conversa com o produtor, este lhes incutiu a ideia de que as músicas podiam ganhar uma dimensão maior com um baterista e aí fizeram contacto com Rúben Borges.

    João Oliveira, Tomás Carvalho (atrás) Rubén Borges, Pedro Rino (à frente)

    Sobre as temáticas que aborda na lírica, Pedro Rino, vocalista e fundador dos EN1 diz, “Eu quando escrevo as letras não sinto necessidade de falar de nada, está ali porque soa bem. Acho que a interpretação fica para quem ouve e tira as suas ilações. Se eu disser que estou a falar de algo específico estou a condicionar quem vai ouvir.”  No entanto, admitem que existe sátira social nos temas que abordam mas também temas mais sentimentais como a perda. Tomás Carvalho, baixista e também letrista, aborda a escrita de forma diferente, “Eu sou mais sentimental. Tudo o que escrevo tem sempre uma carga sentimental maior, associo a situações de vida.” É esta diferença de abordagens às músicas que torna os EN1 numa mescla de perspetivas e formas de sentir.

    A ideia de combinar português com rock foi desde início um ponto em que não houve discussão. No início sentiam que apenas juntavam palavras, mas dizem que foi um processo de habituação. “O cérebro começa a habituar-se e depois começamos a encontrar as palavras certas. Eles (Tomás e João) já tinham tido bandas em que escreviam em inglês, mas neste projeto assumimos desde início que seria em português e foi um processo de habituação, de pensar como cantar o que estávamos a escrever.” 

    Quanto às influências, Rúben assume que ouve desde reggae e metal, Tomás já tem uma tendência mais agressiva, desde metalpunk mas também blues, por exemplo Joe Bonamassa. João e Pedro já são mais semelhantes, a inspiração vem mais do rock clássico desde Queen, Led Zeppelin, Guns n’ Roses, Red Hot Chilli Peppers, etc.

    Quanto ao nome da banda a história é caricata, “As primeiras versões que gravámos foi com um iPhone e nas gravações o telemóvel dá o nome da localização que encontra. Esta estrada aqui ao lado era a antiga Nacional 1 e achámos curioso porque também representa o que estamos a fazer. Quanto ao nome do EP representa o início, é o Berço, nascimento de algo novo, algo nosso. É o primeiro passo.” O EP está disponível nas seguintes plataformas, iTunes, Spotify, Amazon, Google Play e também no YouTube.

    À TiL deixaram escapar que já existem mais temas trabalhados do que os sete que poderemos ouvir no álbum de estreia, ou seja, fiquem atentos que esta banda ainda vai dar muito que falar, em português claro está.