Festas da Batalha com Diogo Piçarra, Richie Campbel e Resistência!


 A Batalha aposta tudo na sua programação, com especial destaque para as festas a decorrer em agosto. Com Diogo Piçarra, como cabeça de cartaz e Richie Campbel, Resistência, Gisela João e Fernando Daniel, as festividades prometem aquecer as noites de verão.

As festividades iniciam a 13 de agosto com os históricos Resistência e a fadista Gisela João, seguindo para o dia 14, com o feriado municipal e a festa à noite, a ser assegurada por Fernando Daniel. No sábado, dia 15, os concertos são pela dupla da RFM Rich&Mendes que aquecem o público para o Richie Campbel.

Para terminar, dia 16, é o encerramento com Diogo Piçarra,  que certamente será um concerto grandioso. As festas da Batalha têm a entrada livre e reúnem milhares de pessoas, durante os 4 dias. A par da música, poderá experienciar a gastronomia da região.

Foto: DR

Entrevista Lord of Confusion: “A música que faremos, será uma mistura daquilo que sentimos hoje e não aquilo que fizemos ontem.”


Os Lord of Confusion são uma banda de Leiria formada no ano passado e têm estado a tomar o distrito de assalto com o seu EP Burnin’ Valley. A sua sonoridade assenta num registo lento, stoner-doom, que hipnotiza quem os ouve, por isso, tivemos de os conhecer.

 

Como é que surgem os Lord of Confusion? Já se conheciam antes?
Danilo Sousa: Eu e o Nélson já nos conhecíamos, tocávamos juntos numa banda que teve o seu fim. O Nélson é o baterista, eu toco guitarra e a Carlota toca teclado e já era conhecida de nós os dois. Basicamente, começámos a juntar-nos aos fins de semana para ir tocar, sem grande regra, não tínhamos pressão para criar ou fazer alguma coisa.
Nélson Figueiredo: Era uma coisa mais experimental, tocávamos ao estilo jam session.
DS: O alinhamento era: guitarra, bateria e teclado, o que não é algo muito comum dentro do estilo que tocamos e assim foi durante uns tempos, até que o Nélson deu a ideia de gravarmos uma demo, para arranjarmos uns concertos.  Uma coisa levou à outra e pensámos: já que gravámos a demo vamos gravar um EP e o João apareceu quando já tínhamos tudo gravado, por ideia do Nélson. (risos)

 

Então as trilhas de baixo que estão gravadas foi algum de vocês e o João só teve que as aprender?
DS: Nós na altura quando gravámos foi mesmo sem baixo.
João Fonseca: Quando eu entro as coisas já estavam feitas. Foi uma semana intensa a gravar as linhas de baixo.
NF: A ideia de integrar um baixo foi, também, porque nós vimos de estilos semelhantes e foi para juntar os géneros que mais apreciamos.
Carlota Sousa: E quando éramos só os três sentíamos falta de algo ali, algo que nos desse mais consistência.

 

Algum de vocês teve ou está a ter neste momento, formação musical?
DS: Eu fui para a RockSchool, em Leiria, numa de aprofundar conhecimentos, mas estive lá pouco tempo, porque não me estava a sentir realizado.

Era um tipo de ensinamento mais fechado do que procuravas?
DS: Era um bocado. Basicamente temos que seguir um plano curricular e o que eu queria era aprofundar as coisas. Não estou a dizer que eu fui para lá e eu sabia aquilo, mas não era o que eu estava à procura.
CS: Eu tive aulas no Orfeão, aulas livres só aos fins de semana. Aquilo sempre foi algo mais prático, o professor ensinava-me as músicas, mesmo sem pauta.

De canto ou teclado?
CS: Teclado. Fui aprendendo desde clássica a jazz e como o professor me ensinava as músicas de ouvido, eu comecei a ter esse gosto de criar música. Antes desta banda, também, tive um projeto a solo chamado Charlie Mors e nessa altura ainda não sabia nada de teoria musical. Depois comecei a estudar. Foi quando entrei na banda que comecei a aprofundar os meus conhecimentos.
JF: Eu sou basicamente autodidata.

Foi nessa semana de gravações.
JF: (Risos) Basicamente. Eu já tocava guitarra. Toquei com o Nélson quando andávamos na escola e integrámos a banda da escola. Chegámos a ter uma banda de covers, durante uns três anos, e é daí que nos conhecemos e criámos uma grande amizade. Essa banda de covers foi a nossa escola e que nos deu a presença de palco e a experiência que temos hoje. Comecei a aprender guitarra, o baixo veio por acréscimo e, hoje, estamos aqui.
NF: Eu quando era puto tinha ideias de tocar bateria. As minhas irmãs andavam na escola lá no Juncal e aprendiam o básico, solfejo. Só depois é que passavam para um instrumento. Eu fui para lá ainda puto e não tinha paciência para nada e, então, desliguei um bocado daquilo. Também na altura, entrei para a banda da escola, por volta de 2012 e depois cheguei a ter formação musical em bateria em Porto de Mós e aí funcionava mais por ouvido, não davam teoria musical. Depois o facto de ter algumas bandas de covers, alguns projetos mais pequenos não tanto da onda, mas depois senti a necessidade de começar a criar, a compor.
DS: Basicamente, eu comecei a tocar guitarra em 2015. Nós fomos para o CENFIM e nós sentávamo-nos um ao lado do outro e ele tocava bateria. Toda a vida, eu ouvia os CD’s do meu pai e, nessa altura, eu disse-lhe “ohh puto vou arranjar uma guitarra e ainda vamos fazer uma banda”
NF: Depois foi um instante até ele aprender e saber tocar.
DS: Uma coisa muito diferente é eu estar sozinho em casa a tocar guitarra, outra coisa era chegar à nossa sala de ensaio e estava lá ele e o João Francisco a tocar baixo e é do tipo: ou tu aprendes ou então não estás ali a fazer nada e ao estarmos envolvidos com outras pessoas, não tem nada a ver. Agora estares numa escola e dizerem-te: “vá este é o teu trabalho de casa”, que motivação é que tu tens?
NF: Também por isso é que eu depois saí e não tive muito tempo nas aulas de bateria.

 

Falavam há pouco que vinham do mesmo background, qual é esse background, ou seja, quais são as vossas influências? Já deu para perceber que Black Sabbath é uma grande influência mas e mais?
DS: Eu, desde puto, sempre ouvi bué as cenas do meu pai que era muito rock dos anos 70 e 80, daí a nossa sonoridade. Quando eu conheci o Nélson era mais o metal, o grunge metal. A nossa primeira banda de originais era muito stoner rock, grunge. Só que houve um dia que um amigo nosso, o Diogo, vira-se para mim e diz: “Olha tu és do metal e tal, hás de ouvir o Ozzy Osbourne” e mostrou-me e eu: “ohh puto, eu nem gosto muito disso, isso é uma beca feliz.” Ele depois diz-me, então ouve Black Sabbath e eu lembro-me de chegar a casa e  pôr o primeiro albúm e ouvir aquela sonoridade mais maléfica e foi alta explosão na minha cabeça. Foi Black Sabbath, rock dos anos 70, depois entrei muito na cena do doom, dos anos 90, lá está o grunge. Os anos 90, também, tiveram um grande papel no stoner doom, Electric Wizard, Sleep, Weedeater, Bongzilla, Bongripper, tudo com aquele som lento, maléfico, arrastado. Na nossa primeira banda tinha um pouco disso, mas nesta é tudo um pouco mais arrastado e decidimos tocar cenas mais lentas, em vez de estarmos preocupados em tocar rápido, simplesmente isso.
CS: Já eu, sempre, me senti um bocado deslocada, porque com as bases que eu tinha quando estive no Orfeão, não sabia que dava para usar neste registo. O meu objetivo era fazer rock só que eu nunca tinha ouvido teclas no rock que eu ouvia e eu sempre me senti um pouco à parte, porque sempre que ouvia alguém a falar sobre bandas, nunca tinha teclas, mas desde nova ouvia esse estilo. Chegou a uma altura em que eu tive de fazer uma busca e reparei que havia muitas teclas antes, comecei-me a apaixonar pelo orgão e foi assim.
JF: Eu caí aqui um bocado de para-quedas. (risos) Eu comecei a ouvir este estilo quando  me juntei à banda porque eu sou, dentro deles o que mais esteve ligado ao metal, o que é mais pesado. Death metal, black metal, coisas mais extremas. Comecei a ouvir doom há cerca de dois anos e foi algo por que eu me apaixonei e que, hoje, eu oiço todos os dias e isto é uma outra vertente. Eu sou muito aberto a tudo e quando eles me falaram do projeto, aliás, o primeiro concerto que eu ouvi deles foi numa cave que a Carlota tem, numa festa de anos, fiquei apaixonado e não foi nessa altura que entrei para a banda, mas já na altura gostei muito. Foi quando comecei a explorar e acho que depois de tudo me enquadrei e é algo que faz parte de mim. Acima de tudo somos todos amigos e a música que fazemos juntos nasce disso, das ideias que nós temos, juntos. Provavelmente no futuro a música que faremos será uma mistura daquilo que sentimos hoje e não aquilo que fizemos ontem, obviamente que temos aquela ideia mas juntamo-nos e começamos a tocar e as coisas surgem conforme o estado de espírito.
DS: Lá está um gajo não pode estar dentro de uma caixa porque uma caixa pode ter os cantos redondos.
NF: Eu já estive numa banda mais grunge, já estive numa onda mais metal e depois comecei a entrar na onda do stoner doom, psicadélico e também um pouco indie, mas tocar, foi mais stoner doom. O tipo de ritmos e a leitura das melodias, sinto que encaixavam melhor comigo. Sentia que conseguia fazer uma cena fixe e a cena de ser mais lento, não ser tão acelerado, porque apesar de nunca ter tido uma banda de metal, também gosto de tocar mais rápido, blast beat, mas é só de vez em quando para desabafar.
CS: Acho que a questão de ser lento também me define enquanto pessoa. (risos)
JF: Eu penso que o doom é um estilo muito pouco compreendido, seja stoner, seja mais metal, whatever. É um estilo de música que traz muito sentimento, cada nota, apesar de ser mais arrastada, é mais sentida, cada tempo, batida, são muito mais sentidos, criam aquela atmosfera.
DS: O Matt Pike, dos Sleep, tem uma banda que é a esgalhar, mais rápida e outra mais lenta, os Sleep e ele disse uma vez: “tu quando tocas uma cena rápida, falhas uma nota, ninguém dá por ela e ao tocar algo mais lento se falhas uma nota esquece, estragas tudo. É algo muito sentimental, cada nota conta”.

 

Porque é que se chamam Lord of Confusion? De onde surgiu o nome?
DS: Existem duas histórias.

Existe a verdadeira e a que me vais contar?
DS: (Risos) Isto é uma cena que eu e o Nélson temos. Eu faço as coisas e ele dá-lhes significado. A Carlota é como eu, não dá significado às coisas e o Nélson interpreta-as. A história verdadeira (risos) é que estávamos em casa, eu estava com um caderno a escrever nomes e a mostrar à Carlota e a dada altura misturei duas músicas de Black Sabbath, que foram a Lord of this World e a Wheels of Confusion e ela achou que era um bom nome. Já o Nélson fez a sua interpretação. Da minha parte foi só listar infinitamente nomes até que houve um que ficou.
NF: Eu fiz a minha interpretação consoante a minha realidade e acho que o nome não deve ser visto só como uma coisa, cada um deve interpretar à sua maneira. Nessa altura, eu estava numa fase em que me comecei a aperceber de certas coisas sobre mim, que não me deixavam avançar na questão da criação de projetos, então achei, de certa forma, nós somos os senhores da nossa própria confusão. Às vezes são os nossos pensamentos que não nos deixam avançar e prejudicamo-nos a nós próprios.
CS: Sim, cada um é que coloca as suas barreiras e as constrói. Não é a vida em si.
NF: Depois há outras interpretações, mas isso será algo a explorar no futuro. (risos)

 

Quem é que escreve as vossas letras e quais são são os temas que abordam?
DS: Isso vai colar com a cena de Lord of Confusion. Eu escrevi uma letra ,que é a Bleeding Wizard. Isto surgiu quando a Carlota fez um riff no teclado e eu transpus para a guitarra e, num dia, que estava a tocar esse riff, estava a tocar e a escrever ao mesmo tempo e falava do meu dia, basicamente. Por acaso aquilo até ficou bué conciso, mas lá está, não tinha grande profundidade. Nesse caso foi uma letra que foi feita um bocado pela estética, ou seja, para que encaixasse. Mais uma vez o Nélson desconstruiu e encontrou significados. As outras letras foi a Carlota que fez tudo.
CS: Isto foi numa altura em que me ofereceram um livro de Fernando Pessoa, uma versão em inglês e inspirei-me muito daí. Muitos dos versos que estão lá foram bastante inspirados nele, certas palavras que eu uso, hoje em dia, não são tão usadas no inglês atual.
NF: Neste EP foi muito a Carlota encarregue das letras, mas num próximo trabalho já não será assim. Eu já tenho algumas letras escritas, algumas ideias.
CS: A ideia foi falar da sociedade, mas não duma forma clichê, fazer referências ao espaço, o que vai ser o futuro.
DS: Sem apontar o dedo, é que uma cena que eu odeio é gajos que estão a cantar e estão-se a queixar da vida, tipo: “já que vais falar dos outros e criticar ao menos dá uma solução.”. Sem querer ofender, estar a falar mal dos outros é o que os velhos ressabiados fazem, não te vais queixar. A gente está a pagar para te ver e tu vais te queixar da vida? A minha cena é: “se vais falar mal, ao menos dá uma solução.”. Tanto eu como a Carlota temos essa mentalidade, se vamos falar de algo nas letras, vamos propôr soluções.
NF: E a solução pode não estar escrita na letras, mas está lá indiretamente para a abertura de consciência.
DS: Exato. Se vamos falar da sociedade, mais vale consciencializar e dar soluções do que apenas dizer mal. Qualquer um pode dizer que o mundo está todo f***** e que é só poluição, qualquer um faz isso.

 

Sei que vocês como banda ainda são muito jovens, mas neste momento quais é que seriam os artistas/bandas nacionais ou não com quem vocês gostariam de trabalhar?
DS: Tchii. Bués.

Sim mas artistas relativamente atingíveis, como é óbvio eu gostava de tocar com o Lemmy mas..
JF: Eish Danilo, estou-me a lembrar dum que tu queres tanto e tão possível. Greengo!
DS: Era isso que eu ia dizer! (risos) É uma banda do norte e desde a primeira vez que eu ouvi essa banda, eu digo que quero de tocar com eles. Essencialmente as bandas que me fizeram pegar na guitarra: Fuzzil, Stone Dead, estou-lhes sempre a moer a cabeça.
NF: Para além de artistas eu acho que também é importante experienciar outro tipo de eventos e aí poderemos envolver-nos com outras bandas. Para já partilhar outros palcos. Outro tipo de eventos, tanto nacional como fora de portas. Por exemplo Mars Red Sky veêm ao Woodrock e eu já mandei o barro à parede para irmos lá tocar. Era algo excelente. Nós vamos ao festival curtir, mas era brutal abrir para Mars Red Sky.
DS: Por exemplo, eu curtia bué tocar com Cough, que já vieram a Portugal; e Monolord, uma banda europeia, que também já veio a Portugal.
CS: Para mim, era Blood Ceremony, que também são uma grande referência para mim e inspiraram-me muito.
DS: Olha a banda do gajo que trabalha lá na loja de música Canon Scarcer, ando-lhe sempre a moer a cabeça para fazermos um concerto. Epá são muitas.
JF: Lá está, é como estamos a dizer. Temos muitas, muitas inspirações, mas não temos nenhum livro escrito e as coisas vão-se alinhando.

 

Que objetivos a curto ou a longo prazo é que vocês têm já minimamente delineados?
DS: Opá, o (objetivo) perfeito, era um gajo viver disto. (Risos) Algo que muito pessoal já me disse é para disfrutar da viagem. Coisas a curto prazo: vamos lançar o nosso merchandising entretanto, o que é sempre bom. Também vamos gravar outra cena. Deve sair um single novo nos próximos meses. O Nélson tem trabalhos conceptuais que quer fazer dentro da banda. Este primeiro projeto foi do género, juntámo-nos e aconteceu isto, ou seja, não estamos a pensar em demasia no que é que temos de fazer ou não como músicos. No próximo já temos um conceito que queremos explorar que surgiu totalmente da cabeça do Nélson. A nível de palcos, epá o Sonic Blast.
CS: O Saint Vitus!
DS: Eish! Claro o Saint Vitus é aquela Meca. Se tu queres ser músico, tens de passar por lá. Em Portugal, curtíamos ir ao Hard Club, ao Woodrock, ao Sonic Blast. Mesmo festivais de metal, o Vagos, porque não?
JF: O Vagos dentro dos festivais de metal em Portugal, é o que tenta pegar em mais estilos. Este ano vão trazer Dopelord que é stoner. Ou seja, é algo que pode acontecer e estamos sempre à procura disso. Principalmente, cá em Portugal, porque primeiro temos que nos divulgar cá e depois logo se vê.
NF: Sim, um dos objetivos principais é gravar as próximas cenas, queremos também fazer uma tour ibérica, arranjar concertos, divulgar a banda, investirmos e chegar a um patamar em que possamos tocar lá fora com outras bandas. Mas lá está, é uma escada.
DS: Encontrar uma banda para fazer essa tour. Começar em Portugal e acabar em Espanha ou vice-versa.

 

Havia uma pergunta para finalizar, mas já está mais ou menos respondida, se quiserem elaborar, estão à vontade. Já está preparado ou a ser preparado um seguimento do EP Burnin Valley?

DS: Sim, vamos lançar um single daqui a uns meses e para o ano que vem vamos ter outro EP. Não vale a pena dizer que é este ano, porque não sabemos se é possível, mas pronto já está a ir para o forno. (Risos)
NF: Sim, porque temos de conjugar com os nossos estudos ou trabalhos e queremos fazer um álbum conceptual. Algo mais composto.
DS: A nível de termos letras, o Nélson já tem uma ideia dos temas que vamos abordar. A nível instrumental é um bocado por predisposições.
CS: Cada um dá as suas ideias. Por exemplo, eu dou ideias de riffs, ele dá outras ideias de riffs e, nos ensaios, juntámos tudo.
JF: Muitas das vezes estamos nos ensaios, ligamos os instrumentos. Há aquele feedback e alguém começa a tocar alguma coisa aleatória e depois os outros vão atrás, complementando, criando.
CS: É mais ao estilo jam session, o que é um bom exercício. Não há aquela coisa de chegarmos lá e temos de tocar isto.
JF: Sim e há coisas que nós já criámos nessas jams e que até já foram experimentadas ao vivo.
DS: Quem foi ao concerto nas Caldas teve um showcase. (Risos) Mas isso não é decidido antes do concerto, é a meio que decidimos mostrar.

 

Crossfire Firefighter: A prova radical para Bombeiros!


A prova de bombeiros mais exigente do país toma Leiria de assalto e estão preparados desafios que vão testar as capacidades físicas dos participantes.

Nos dias 16 e 17 de maio, o Jardim da Almuinha Grande vai receber corporações de bombeiros de todo o país, para participarem num conjunto de rígidos obstáculos e provar qual das corporações é a mais dotada fisicamente. A prova, organizada pelos Bombeiros Municipais de Leiria em parceria com a Câmara Municipal de Leiria, combina um conjunto de exercícios típicos do CrossFit e as suas origens remontam a 2014, ano em que um grupo de bombeiros de Leiria se iniciou na modalidade, chegando a participar nalgumas provas.

A competição destina-se apenas a bombeiros e será realizada em duplas do mesmo género, da mesma ou de corporações diferentes. Os participantes terão que completar um conjunto de desafios equipados com os apetrechos característicos do combate a incêndios e resgate, como os fatos de proteção, capacete e aparelho respiratório. 

As inscrições estão limitadas a 104 elementos e para quaisquer dúvidas pode contactar a organização através do seu endereço de e-mail  e da página oficial do evento no Facebook.

Entrevista a The Legendary Tigerman: “Quando fazes alguma cena que é só livre e agressiva, que liberta as pessoas, isso já é um ato político”

Entrevista Legendary Tigerman

Foi por altura do Pigs Rock Festival, no início do verão, que encontramos The Legendary Tigerman – o homem (Paulo Furtado) que vive o Rock n’Roll e os Blues como ninguém. A TIL entrevistou-o e procurou saber um pouco mais do seu percurso e o que acha disto de Leiria poder ser uma Capital Europeia da Cultura.

TIL: Começando mesmo no início, onde é que nasceste?
Paulo Furtado: Moçambique, Maputo

 

TIL: E quando surgem os primeiros contatos com a música?
PF: O meu primeiro contacto com a música é como ouvinte, talvez aos 14 anos. Costumo considerar que o primeiro disco que comprei (se bem que comprei umas cenas mais foleiras antes) foi aos 14 ou 15 anos. E foi um disco dos Sonics. Aquilo para mim mudou o modo como eu vivia a música! A seguir comprei Cramps e aí comecei a mergulhar e a pesquisar mais. Como eles faziam muitas versões de Blues e Rock N’ Roll muito refundido e eu comecei a pesquisar sobre isso. Esse primeiro período da adolescência foi a pesquisar esse tipo de coisas. As únicas coisas portuguesas que eu ouvia eram os cantautores da revolução como Zeca Afonso e essas coisas e houve ali uma altura em que o meu caminho podia ter ido para vários sítios mas o Rock N’ Roll e os Blues desviaram-me. (Risos) Depois a história de cantar em inglês acho que foi por causa disso porque eu lembro-me de começar a escrever canções e havia letras em inglês e em português e não era algo que me preocupasse muito. Mas depois, por todas essas influências, comecei a focar-me no inglês e foi automático. Não acho que tenha sido uma opção estudada. Só depois aos 17 anos é que comecei a fazer bandas mas até aparecerem os Tédio Boys – nunca pensei que isto pudesse ser um futuro. Eu estudei belas artes e interessava-me muito mais por fotografia, pintura e cinema do que propriamente com música. Foi algo que aconteceu gradualmente e com os Tédio Boys cresceu bastante.

 

TIL: Essa questão de escrever em português é sempre muito falada. A língua portuguesa não combina com o Rock N’ Roll?
PF: Não sei. Eu tenho pensado muito nisso e tenho visto este boom que é incrível. Antes havia músicas que eu curtia dos GNR, dos Xutos, etc. Talvez a banda que eu adorasse mais fosse os Mão Morta mas não havia propriamente aquela coisa para onde um gajo pudesse olhar e se pudesse inspirar. Depois a maior parte das coisas que ouvia eram americanas do Blues e Rock N’ Roll – fui por esse caminho mas não foi uma decisão consciente. Eu tenho coisas escritas em português, muitas não têm a ver com música escritas em português e acho que um dia vou gostar muito de fazer coisas em português. Provavelmente não como Legendary Tigerman que não faz muito sentido mas se tiver um convidado que as cante em português, claro que sim! 

 

TIL: Falavas dos projetos que tiveste antes. Qual o que consideras mais importante? Ou o que te deu mais gozo?
PF: Para mim os Tédio Boys, claramente. Não mudei muita coisa no modo como eu giro a minha vida como músico desde os Tédio Boys. O que eu faço é muito diferente musicalmente mas do ponto de vista logístico e o modo de trabalhar, a forma de fazer e o modo de levar a música às pessoas e até como às vezes tenho que proteger a música relativamente às partes menos interessantes da indústria musical, não mudou muito nestes anos todos. Nos 10 anos que os Tédio Boys duraram eu era o gajo que tratava dessas coisas todas. Aprendi tudo o que pude! Naquela altura ninguém contratava uma banda de Rock N’ Roll! Se querias tocar, alugavas o sítio, alugavas o P.A, fazias os flyers, colavas os cartazes, fazias isso tudo. Às vezes tínhamos que montar o PA e fazer o nosso soundcheck, ou seja, passar por todas as coisas inerentes ao facto de ter uma banda. Nos últimos anos as coisas mudaram muito com a vertente digital e acho que é uma altura excitante na música. Para quem faz Rock e outras coisas que ainda não estão muito instaladas nos meios de streaming pode ser complicado mas é uma altura excitante.

TIL: Há décadas que se fala que o Rock morreu. Recentemente Nick Cave disse numa entrevista que talvez fosse melhor deixar o Rock repousar para se conseguir reinventar. Concordas?
PF: Eu acho que a reinvenção das coisas é contínua. Não concordo muito com essa frase do Cave. Acho que basta haver três putos num sítio qualquer que de repente façam uma cena espetacular para mudar tudo outra vez, como aconteceu com os White Stripes. É impressionante como é que aquilo super Lo-Fi, com uma sonoridade que seria incompreensível para a maior parte das pessoas se torna mainstream sem ser mainstream. Isso é uma coisa que eu acho que nem existe, o mainstream ou underground. Um músico passa sempre por essas fases porque há momentos em que as pessoas estão mais para ouvir a tua música, momentos em que não, momentos em que te tornas mais comercial porque a música chega a mais pessoas. Acho que isso tem acontecido e vai continuar a acontecer, essa reinvenção, ou talvez não, os Blues por exemplo, já tiveram muitas vidas. Desde o início do século passado até hoje já andaram da América para cá, para lá outra vez, tens gajos como os Black Keys que de repente põem os Blues quase mainstream de uma maneira super reinventada e os WrayGun em Portugal eram de muitas maneiras também uma reinvenção do Rock N’ Roll e Soul. Acho que isto é uma coisa que está sempre em movimento, sempre a acontecer. Não é muito relevante se agora há mais Hip-Hop ou mais Trap, ou mais isto ou aquilo.

 

TIL: Falando desse do teu trajeto na música, Achas que ainda tens algum objetivo por alcançar?
PF: O que me faz levantar cedo todos os dias e trabalhar nos vários aspetos da minha música, seja em Tigerman ou em bandas sonoras, é o facto de eu poder viver como músico, fazer o que gosto. Obviamente que há uma data de partes que são uma grande seca, como há na vida de todas as pessoas mas o mais importante é mesmo poder viver como músico e isso é um objetivo constante, não é algo assumido. Eu não me posso encostar e pensar que vou viver como músico a vida toda! Isso não vai acontecer assim e com estas mudanças que estão a acontecer à nossa volta acho que temos que nos adaptar, reinventar e trabalhar muito.

TIL: E histórias de estrada? Só temos falado de trabalho. Tens alguma história mais caricata que possas contar?
PF: Humm, não sei. Quando me fazem uma pergunta desse género tenho sempre dificuldade em lembrar-me de alguma coisa. Não sei mesmo. Eu vou ficar a pensar nisso  e se me lembrar de algo, digo. (Risos)

 

TIL: Ok, avançando. Como é que foi gravar no Rancho de La Luna?
PF: Foi muito fixe. Apesar do primeiro dia ter sido um bocado estranho. O estúdio estava todo desfigurado porque alguém tinha estado a gravar lá sem lá estar o técnico do estúdio e tinham mudado alguns patchs. Havia ruído por todo o lado. Um grande caos! Então o primeiro dia foi passado a pôr a coisa no sítio, o que é um bocado assustador. Quando estás a atravessar o mundo para ir gravar num estúdio e quando chegas lá, deparas-te com isto, começas logo a perder um bocadinho a pica e a confiança. A partir do segundo dia a coisa começou a rolar e correu super bem. O Dave (Catching) é um gajo incrível e super hospitaleiro, super inspirador. Fartou-se de cozinhar para nós. Durante mais ou menos uma semana ele fazia sempre o jantar e eram momentos espetaculares. Era também isso que eu estava à procura, visto que era o primeiro disco que não ia ser gravado como one man band. Este, com o (João) Cabrita e o Sega (Paulo Segadães), queria muito que estivéssemos isolados num sítio e focados a 200% na coisa. Essa coisa da casa no deserto onde não há grande coisa para fazer e onde passas o tempo todo, acabou por ser uma cena muito fixe e acho que resultou super bem no disco. Funcionou também para criarmos esta sonoridade que não estava totalmente criada antes de irmos para lá. Tínhamos as canções feitas mas não tínhamos arranjos propriamente feitos. Foi quase tudo feito lá e eu queria usar os pedais lá. Não pude usar guitarras lá – porque sou canhoto, tens oitenta guitarras e não podes tocar nenhuma.

 

TIL: Então como é que resolveram isso? Tinhas a tua, certo?
PF: Sim eu levei as minhas e meia dúzia de pedais. O Dave tem centenas de pedais. Então houve essa parte de experimentação que foi muito fixe e também tem montes de teclados antigos. Uma coisa que não se tinha pensado: há um teclado italiano que fazia um som de cordas muito fatela tipo dos filmes de terror italianos dos anos 70 e que acabou por ser importante na sonoridade do álbum. Há muitas coisas que fomos decidindo lá e isso foi muito fixe. No baixo, gravou o Cabrita, eu gravei outros. A cereja no topo do bolo foi o Dave dizer “Eu se calhar gravo aqui guitarra nesta canção”. Estarmos a falar, a comer, a cozinhar, a gravar, essa vivência toda foi muito fixe!

 

TIL: Nota-se cada vez mais a vertente política da música, seja pelo que diz ou pelo que os seus criadores fazem com a sua influência. Achas importante que os músicos tenham posições ideológicas para ajudar a orientar o público?
PF: Acho que é importante se tiveres isso dentro de ti e se achares que expressar isso na tua arte é importante. Eu normalmente gosto de separar as coisas. Às vezes tomo posições políticas que são fora da minha esfera de artista e que não entram claramente na minha música. Mesmo quando fazes alguma cena que é só livre e agressiva, que liberta as pessoas, isso já é um ato político. Não só na música, também no cinema especialmente em relação aquilo que estamos a fazer ao mundo, à destruição que está a acontecer, seja pela China ou Estados Unidos, todo este ambiente quase de ficção científica que vivemos. Parece que temos super-vilões a comandar os maiores países do mundo é uma cena muito fora, muito difícil de compreender. Acredito que isso também mova muitos artistas americanos a ter uma vertente mais política. Se tivéssemos um gajo de extrema direita em Portugal, se calhar eu estava-te a dizer – temos que dizer coisas mais sérias nas músicas, se calhar era obrigado a fazer isso. Em Portugal não é muito por aí que me inspiro.

 

TIL: Continuando neste tema da posição dos artistas, tem existido muita polémica à volta do documentário do Michael Jackson, o “Leaving Neverland”. Ficou-se com uma perceção de uma faceta não tão bonita do artista. Como é que vês essa questão de diferenciar a arte do artista, da pessoa que cria e do produto final. Não devemos consumir a arte porque o humano por detrás não é bom?
PF: Isso é muito difícil. Se pensares no Roman Polanski que é um artista que eu adoro, ele é um escroque. É difícil! Eu não tenho uma resposta certa para isso, acho que não existe nenhuma certa. No caso concreto do Michael Jackson o que acho pior é que muita gente sabia, supostamente. Infelizmente foi sempre abafada com dinheiro. As reflexões que se podem tirar daí são outras em relação à sociedade em que vivemos, com o dinheiro que pode comprar quase a tua vida. No fundo, para estarmos aqui, estares tu a fazer uma entrevista e eu estar a falar contigo e estarmos a beber uma cerveja, sem dinheiro isto não acontecia. Essa coisa dos artistas que são escroques, sempre houve. Mas acho que se deve tentar separar as águas. Se calhar a cena mais falada é da Leni Riefenstahl com os filmes do 3º Reich que são obras de arte incríveis, mas é o 3º Reich, é f****o! Ela é Nazi, não é Nazi, não devia ter feito, devia ter feito? Acho que é sempre difícil delinear onde fica essa fronteira, depende de cada um. Está no recetor e não no emissor.

TIL: Falando agora aqui de Leiria, o nosso distrito começa agora a fazer um esforço maior para se tornar a Capital Europeia da Cultura. Achas que é uma candidatura legítima?
PF: Não posso responder a isso com muita precisão porque não estou completante a par mas acho que, pelo que eu conheço e pelo que vejo desde o Entremuralhas a outras coisas que têm vindo a acontecer e vão acontecendo, acho que faz todo o sentido. Há uma coisa que eu me parece importante: sempre que haja um esforço de qualquer sítio para ser Capital da Cultura, deve-se escutar os agentes culturais da cidade e deixar infraestruturas que sirvam esses agentes culturais. Porque isso é um grande erro – quando se gasta dezenas de milhares de euros em cachês e fogo de artifício e macacadas que não servem para nada e de repente não tens infraestruturas para continuar a fazer. Por isso acho que é muito importante ouvir os agentes culturais e as pessoas que já fazem as coisas e motivá-los, dar-lhes ferramentas para continuar a trabalhar melhor.

 

TIL: Penso que já temos o importante, só se quiseres acrescentar a tal história de estrada. Se te lembrares.
PF: Acho que os Tédio Boys bateram todas as histórias com as três tournês americanas. (Risos) Mas eu nunca me lembro assim de nada espetacular. Ah, por acaso agora  lembrei-me de uma espetacular. Nós na primeira tournê conhecemos o Joey Ramone porque ele foi a dois ou três espetáculos nossos. O aniversário dele calhava dois ou três dias depois de acabarmos a tournê e ele convidou-nos para ir tocar na festa de anos dele. Nessa altura eu tocava com uns óculos que tinham lentes vermelhas. Estávamos a tocar e o baixista estava a tocar por cima de mim. Eu estava de joelhos e senti uma pancada na cabeça mas não dei importância. No calor do momento não senti que tivesse sido nada de mais. Eu continuava a tocar e as pessoas começaram a ficar especadas a olhar para mim. Eu ia sentindo que estava a suar muito. O que é que acontece? Tinha aberto a cabeça e estava a sangrar! Ia-me limpando mas quando olhava para a mão, vermelha, com as lentes dos óculos não via a diferença. Entretanto perguntei o que se passava e lá me disseram que estava a sangrar. (Risos) Essa é uma delas.

 

Fotos: Facebook Pigs Rock Festival

Entrevista Mr Gallini: “A beleza da arte é que é transversal.”


Escrito por: Fotografia por:
Luis Ferreira
Luis Ferreira
                       

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    Dia de Portugal, fomos ter com o Bruno à sua casa, nos Pisões. Uma das casas da propriedade serve de sala de ensaios a Mr. Gallini. No meio de muito material como: instrumentos, suportes, colunas, amps e PAs, está Bruno a montar o seu set-up, acompanhado de Alex dos Fuzzil, uma banda da zona.

    Bruno preparava um pequeno showcase para nos mostrar a sua Sunny Days e, por entre testes de som e de câmaras, licor e vinho eram degustados por todos. Feita a experimentação, gravação e depois de algumas provas de vinho, sentámo-nos para falar um pouco.

    Comecei pelo início, pela pergunta da praxe que é: Quando é que surge a persona Mr Gallini? Foi já com Stone Dead que sentiste necessidade de separar as águas ou antes já existia esta ideia?

    Foi já com Stone Dead. Eu ia compondo outras coisas que não encaixavam em Stone Dead, coisas mais acústicas. Cheguei a um ponto em que acumulei muita coisa e pensei que não valia a pena essas músicas ficarem escondidas, mais valia publicar. Na altura até foi o Jonas (guitarrista de Stone Dead) que insistiu comigo para fazer uns concertos e o primeiro até foi na Preguiça Magazine, um bocado à pressa arranjei as percussões para os pés, a guitarra acústica e a coisa correu bem. Depois comecei a curtir e a partir daí comecei a investir mais tempo em Mr Gallini.

    E porquê Mr Gallini? Donde é que aparece esse nome?

    Isso é porque muita gente me conhece por “galinha”. Já desde puto, já vinha do meu irmão. Entretanto houve outra circunstância em que de galinha passou para Gallini, por causa duma pizza. Não vale a pena elaborar. (risos) Achei piada ao nome e adotei.

    Sobre este projeto, a criação das músicas é exclusivamente tua ou há mais envolvidos? 

    Na criação sou apenas eu. Por exemplo, no primeiro álbum, o Lovely Demos, eram tudo músicas que eu já tinha guardadas há muito, gravadas no meu quarto um bocado lo-fi. Neste último, o The Organist, já tive ajuda do Kevin, que faz parte da minha banda de apoio, os Eggz. Ele juntou uns sintetizadores nalgumas músicas incluindo para música The Organist, onde criou o interlúdio, mas essencialmente sou eu que faço tudo, desde a criação, à gravação e produção.

    Que diferenças notas entre este projeto e os Stone Dead? 

    Começa logo pela criação. Em Mr Gallini eu crio sozinho e levo a minha ideia avante. Mas há os dois lados da moeda e ambos são muito bons. Por um lado, ao mostrar uma ideia aos restantes Stone Dead, aquilo torna-se algo muito maior, mas depois há outras ideias que é fixe levar avante por querer transmitir aquilo que pensei e que sinto. Essa é a principal diferença. Depois a questão é que o Mr Gallini surgiu também para eu explorar coisas, sonoridades, para aprender e fazer experiências. Isto é uma trilogia, o Lovely Demos foi para explorar sons acústicos, este The Organist foi para abordar mais as teclas e o terceiro, que ainda falta é para explorar um som mais Rock’n Roll. Basicamente é uma desculpa para experimentar e não estar muito comprometido.

    Sobre essa aprendizagem que falas, estes discos ainda são parte da aprendizagem. A minha pergunta é: se tiveste em alguma altura aulas de guitarra ou bateria ou teoria musical?

    Sim, tive quando começámos os Stone Dead. Nós começámos a banda e ninguém sabia tocar nada, mas queríamos muito formar uma banda e perguntamo-nos o que é que cada um vai tocar e fizemos várias experiências. Eu acabei por ficar na bateria, o Jonas na guitarra, o João já estava na guitarra e só depois é que começámos a ter aulas. Por exemplo, o meu pai só me comprava uma bateria se eu tivesse aulas, para ter a certeza que eu ia mesmo tocar bateria. Tive aulas só de bateria durante um ano na Filarmónica de Pataias e, na altura, a malta andava por aqui com os seus instrumentos e fomos trocando instrumentos e a aprender outras coisas e fui ganhando interesse. A partir daí aprendi tudo sozinho, na internet, principalmente, mas também entre amigos.

    Falando um pouco sobre o processo de criação desta trilogia, falavas em explorar várias sonoridades. Como é que chegas à conclusão que vai ser uma trilogia?

    Eu quando comecei o Mr Gallini já tinha bué músicas e esta ideia da trilogia também vem dessa altura. Na altura arranjei um microkorg e comecei a fazer alguns sons em 8bit, também tinhas essas demos acústicas e outras coisas. Pensei: para não lançar só um disco e misturar estes estilos todos, vou dividir pelos três géneros. Um fica com as músicas que fiz nas teclas e nos sintetizadores, outro para as músicas acústicas e outro para as malhas mais a rasgar.

    Falando desse álbum que ainda falta, o mais agressivo. Já há material para ele?

    Sim, já tenho as malhas há bué. São as mais antigas até e puxam para uma performance mais ao vivo. A ideia é eu ter mais input de outras pessoas. Enquanto nestes que já saíram eu trabalhei as coisas em estúdio e ia saltando entre instrumentos, este próximo quero que seja uma coisa mais orgânica, em que eu me junte com pessoas, independentemente de quem seja, para darem input e contribuir para o disco.

    Sobre essa adição de pessoas ao projeto a pergunta que quero colocar é: isso surge por necessidade ou por capricho? Ou seja chegaste a um ponto em que precisas mesmo de mais gente para poderes tocar ao vivo as tuas músicas ou, simplesmente, queres mais ideias de outras pessoas?

    É por capricho, vontade. Eu lembro-me que comecei e tocava sozinho. Depois comecei a ensaiar aqui com outro pessoal, outras músicas, e pensei que as músicas também ficavam fixes com pessoal a dar ideias, faz sentido eu aproveitar. Então nessa altura pensei que tinha de lançar um disco em que ia aproveitar essa vertente orgânica e partilhada da criatividade.

    Este The Organist já tocaste ao vivo certo? 

    Sim, fizemos agora três concertos de apresentação, com os Eggz. Fomos ao Porto, Lisboa e aqui nos Pisões. Nestes concertos já tocámos músicas do primeiro, o Lovely Demos pt. 1, deste Organist e até algumas do terceiro.

    E como tem sido o feedback?

    Tem sido fixe, a malta tem curtido. Eu toco a solo e sempre me disseram que devia pôr as músicas em banda. E agora que isso está a acontecer as pessoas têm-me dito que faz sentido, as músicas ganham uma dimensão maior. Eu também acho que faz sentido.

    Relativamente ao terceiro álbum, que ainda vai sair. Estavas a dizer que as músicas desse são as mais antigas, mas ao mesmo tempo falas que queres input de outros. Como é que isso se vai processar? Vai ser um input contido e regulado ou não?

    O objetivo é que seja um processo mais coletivo. Eu não quero falar muito, para não estar a revelar coisas antes do tempo. Este The Organist não era para ter sido o que saiu. Eu tinha já feito muitos sons em 8bit, minimalista e o objetivo era lançar três EP’s num ano. Já tinha a coisa mais ou menos feita, mas depois começo a fazer o Lovely Demos e começam-me a surgir outras músicas, coisas mais complexas e depois The Organist acaba por me dar o rumo. Prefiro não falar muito do terceiro porque vou começar a fazê-lo, a juntar peças e é aí que vou começar a perceber o caminho que vou seguir.

    Estávamos a falar sobre criares as músicas com mais pessoal. Qual é o artista com quem gostarias de fazer uma parceria? 

    Não sei. Eu não penso muito nisso porque acho que as coisas para funcionarem é preciso uma química. Não é eu dizer que adoro o John Lennon, mas não sei se me juntasse com ele ia sair alguma coisa de jeito. É preciso haver mais do que musicalidade, acho que é preciso haver uma química, é preciso conhecer muito bem a realidade das coisas e de cada pessoa. Praticamente todos os meus amigos, com quem eu tenho tocado são essas pessoas. Seja o Alex, que esteve aqui, seja a malta de Stone Dead, também já fiz umas coisas com o Churky. Basicamente, todas as pessoas com quem eu sinto essa química, essa visão da realidade, eu quero partilhar isso e explorar o que se pode fazer.

    Falando agora do “depois do terceiro álbum”, qual é o futuro de Mr Gallini?

    Não sei, não faço ideia. (Risos) Para já é focar-me neste terceiro disco e depois logo se vê. Não tenho um grande plano para isto.

    Esta pergunta não é diretamente relacionada com a música mas com cultura no geral. A campanha para Leiria Capital da Cultura 2027 está a ganhar força e queria perguntar como é que tu, enquanto artista, vês essa vontade de tornar a cidade num farol de cultura?

    Eu não sei bem os requisitos que uma capital da cultura precisa, mas acho que é uma boa aposta. Leiria tem muita força cultural e arredores também. Acho que temos muitos artistas bons e muito potencial e para além disso é o espírito inerente ao distrito para fazer as coisas acontecer. Posso estar a falar com alguma ignorância porque não conheço assim tão bem os outros lados do país, mas pelo menos em Leiria, sinto essa força e essa vontade e isso é essencial para termos uma capital da cultura.

    A última pergunta não é tanto sobre música mas sobre os artistas em geral. Muitas polémicas surgiram sobre atitudes de artistas fora de palco que nos fazem questionar o seu caráter. A pergunta é: devemos ou podemos separar a arte do artista? Ou seja quando saiu o documentário Neverland sobre os abusos do Michael Jackson, muita gente disse que não iria mais consumir a sua música por não se rever naquela pessoa. Achas que devemos separar as águas e “trabalho é trabalho, cognac é cognac” ou aquilo é a mesma pessoa e não vou apoiar visões e atitudes com as quais não me revejo?

    Acho que isso é muito subjetivo no sentido em que eu curto bué ouvir Michael Jackson independentemente do que ele fez ou não. Se eu ouvir aquelas malhas dele a solo e mesmo com os Jackson 5, se eu estiver numa pista não vou pensar, “eia este gajo é um pedófilo!”. Vou apenas curtir o som e o feeling e vou-me sentir bem ao ouvir a música que gosto. Agora que falas nisso estou-me a lembrar de outros artistas que eu admiro bué: por exemplo, o Woody Allen que também tem muitas histórias de pedofilia e eu vejo e revejo os filmes dele e não tenho que pensar nisso, mas como disse, é subjetivo. Se calhar se eu conhecesse o Woody Allen na realidade e não sentisse essa química que falei há bocado, se calhar tudo o que ele fizesse eu já não ia ver da mesma maneira como vejo. Eu não o conheço, oiço falar de coisas que ele faz ou fez, mas acho que a beleza da arte é que é transversal a essas coisas todas, porque acho que talvez seja só a maneira de veres o mundo. Concluindo, para mim, acho que não me afeta muito. O que interessa é o que tu sentes ao ver um quadro, ouvir uma música ou ver um filme e o que isso acrescente ao que tu és, que te faz crescer para fazer outras coisas. Coisas, essas, boas ou más. Aquilo pode ter vindo da pessoa mais venenosa de sempre mas se isso te faz melhorar o mundo ou reagir ao mundo de uma maneira diferente é válido.

     

    Fotos: Luís Ferreira

    Villa Omnichord ou a Villa das pessoas felizes – Dia 7 do Festival A Porta


    O sétimo dia d’A Porta foi inteiramente dedicado à editora mais bonita de Leiria. A Omnichord Records transformou a Villa Portela na sua casa e ali presenteou-nos com atuações de grande parte das suas bandas, incluindo team-ups.

    O dia estava claro e o feriado convidava a estar na rua, ou então, para os mais audazes da noite anterior, estava um belo dia para descansar nos terrenos da Villa Portela ao som das bandas que tão bem conhecemos. Few Fingers, Jerónimo, Obaa Sima, Surma, Whales, Labaq e vários crossovers ao estilo all-star sessions.

    Os Few Fingers foram os primeiros a inaugurar a Villa Omnichord. Nuno Rancho e André Pereira embalaram os festivaleiros presentes ao som de um indie-folk a que nos habituaram. Assim estava aberto aquele que foi, sem dúvida, o espaço mais interessante do Festival A Porta. O cenário, composto por três palcos e várias bancas de comida e bebida, quase que fazia acreditar que o festival tinha lugar apenas na Villa Portela, e não seria nada mau se assim fosse. Depois das sonoridades folk, os Obaa Sima com ajuda de João Marques, teclista dos First Breath After Coma, levaram a sua musicalidade mais eletrónica ao palco mais catita do dia. Na antiga piscina da propriedade estava um palco montado para criar um cenário tranquilo e de imersão na natureza do espaço.

    No mesmo palco os Jerónimo, trouxeram o indie de volta e misturaram os sons eletrónicos. A Villa Omnichord já estava bastante composta por esta altura e a música dos Jerónimo elevou ainda mais a boa disposição que se fazia sentir e ainda houve espaço para uma pequena participação de Surma! Nos intervalos de concertos, famílias estendiam mantas no terreno e aproveitavam a vista e o ambiente. Antes do intervalo, os Whales ainda tiveram tempo de acelerar os batimentos dos presentes com as suas músicas: bateria e teclados a divagar com o castelo como pano de fundo e o pôr do sol a aparecer, num cenário quase de sonho. Depois do intervalo para jantar, a sobremesa era servida por LaBaq e Surma.

    De novo os festivaleiros rumaram à Villa Portela para continuar a aproveitar o cenário e o ambiente criado durante o dia. LaBaq foi a primeira a reabrir a Villa Omnichord. Numa experiência com muitos loops, a artista brasileira contou ainda com a participação de dois dos músicos dos First Breath After Coma, Pedro Marques e Rui Gaspar. Seguiu-se Débora, ou Surma, que mais uma vez pintou uma viagem sonora por onde levou os presentes. Estiveram também em palco os músicos convidados Joana Guerra no violoncelo, e João Hasselberg, no contrabaixo para tornar a noite ainda mais especial. Em foco esteve também a componente visual da sua atuação, com dois dançarinos. Surma ficou para o fim e encerrou a noite de Villa Omnichord em beleza.

    O culminar de um dia em cheio onde, novamente se prova que, A Porta faz coisas que aquecem o coração e dar rédea solta à Omnichord não tem como correr mal!

    Feedback do público::

    Daniel Pereira – Foi sem dúvida uma noite idílica para qualquer amante de música. E a Omnichord, a Porta e Leiria, estão de parabéns!

    Fotos: Luís Ferreira, Teresa Neto

    JP Simões, Manel Cruz e muitas surpresas! – Dia 6 do Festival A Porta


    João Paulo Simões e Manuel Cruz mostraram-se ao Teatro José Lúcio da Silva duma forma intimista e envolvente, mas não foram as únicas surpresas da noite.

    Perto das 21 horas o aglomerado de gente junto ao teatro mais famoso de Leiria ganhava forma, pois havia rumores de uma surpresa. Não estavam enganados. No seu dia de aniversário, Luís Jerónimo, vocalista dos Nice Weather For Ducks e Jerónimo, apresentou-se na varanda do teatro, em formato acústico, onde interpretou vários temas. Desde”Toxic” de Britney Spears, a Untitled Love, dos patos, Luís fez o aquecimento para uma noite de concertos que que se adivinhava incrível. No fim do seu concerto foi o público a cantar os parabéns.

    Luís Jerónimo fez o aquecimento com vários temas pop.

    Depois da surpresa de Luís Jerónimo, o público convergiu para o interior do teatro. JP Simões subiu  a palco acompanhado de Miguel Nicolau, dos Memória de Peixe e apresentou vários temas do seu mais recente personagem, Bloom. Aqui se sentiu a arte de transformar um teatro num pequeno clube, pelo imensurável carisma de João Paulo. Por entre histórias de viagens e experiências em casas de banho, JP Simões guiou o público pelo seu mais recente disco, encantando com músicas como Hey Gerogie, Drive ou Alice, sempre com uma intimidade típica de concerto em casa pequena, que nos prendeu do primeiro ao último acorde. Sentimos, apenas, que faltaram algumas das suas mais aclamadas músicas em português para embelezar, ainda mais, a sua atuação.

    JP Simões inundou o teatro com o seu carisma.

    No intervalo teve lugar a apresentação da residência artística Silvar, de Ricardo Martins, que contou com bateristas de outras bandas como Pedro Marques (First Breath After Coma) ou Vasco Silva (Whales). Seis baterias e um vibrafone mostraram o alcance sonoro e melódico da bateria. Ricardo Martins serviu de maestro e liderou as baterias nesta performance que esteve a ser preparada na casa de ensaios dos First Breath After Coma.

    Silvar, a performance com 6 baterias e 1 vibrafone que teve muita energia.

    Fumado o cigarro e bebida a cerveja(s) de intervalo, era altura de voltar a entrar na sala e de deixar que Manuel Gomes Coelho Pinho da Cruz nos levasse pelo seu íntimo. E que viajem foi! Desde temas mais recentes, a músicas de Foge Foge Bandido, Manel Cruz provou uma e outra, e outra, vezes sem conta por que é um músico geracional e por que merece um lugar de primazia na música portuguesa. A capacidade lírica e criativa não fica nada atrás da sua capacidade de entertainer enfatizada pela sua presença em palco e pelo seu constante movimento. Por entre histórias e até disparos do alarme de incêndio, Manel levou o público pela sua mão ao seu ritmo, havendo espaço para interpretações a solo com guitarra ou baixo que deixavam um gosto agridoce típico da sua composição. Ultrapassada a hora e meia de atuação e, à vontade, as 20 músicas, ainda houve tempo para encore, que pareceu curto, mas que na verdade já era perto da uma e meia da manhã e apesar de amanhã ser feriado e querermos mais, somos adultos responsáveis..

    Manel Cruz e a sua banda que atuou durante quase 2 horas.

    A Porta provou que é um festival com uma orientação muito afinada, que sabe conjugar os estilos e mais que isso, as personalidades dos artistas para criar momentos únicos e irrepetíveis, como os inúmeros da noite de quarta-feira.

    Crítica: XIII Pigs Rock Festival; O espírito Rock continua de boa saúde


    O Pigs Rock Festival voltou este ano a invadir o Porto da Sepa e, ano após ano, as melhorias são notórias! Desde o cartaz às condições do recinto, este festival é para ter em muita consideração!

     

    O primeiro dia de festival abriu com banda de tributo aos Queen, One Vision, Nuno Fernandez e o inigualável Lendário Homem Tigre. Esperava-se uma grande noite. Eram perto das 23 horas quando os One Vision entraram em palco e deram o melhor de si para homenagear aquela que é, para mim, a melhor banda de sempre. Infelizmente não foram bem sucedidos e os erros foram-se empilhando, desde solos mal executados, segundas vozes fora de tom, entradas fora de tempo e uma inexplicável falta de dicção e convicção do vocalista. Para um amante da banda foi doloroso ouvir as icónicas músicas dos Queen serem continuamente conspurcadas.

    Seguia-se Paulo Furtado e o seu Rock n’Roll mais sujo e mais à imagem do festival e aqui sim, não houve um pingo de desilusão nas caras dos festivaleiros. O aglomerado à frente do palco cresceu e cresceu e depressa nos esquecemos dos One Vision e embarcamos numa viagem de carro pela Route 66. Ao som de Motorcycle BoyRock’nRoll, entre outras, o público uniu-se a acompanhar as letras e a entrar na vibe. Passadas 1h30 de concerto ainda houve espaço, tempo e força para encore onde se fechou um concerto em grande. Depois de Legendary Tigerman, Nuno Fernandez entrou em palco para alguns dos festivaleiros mais resistentes. Assim terminava o primeiro dia de Pigs Rock Festival onde nem um pouco de chuva fez diminuir as ânsias dos presentes por boa música.

    The Legendary Tigerman

    Para o segundo dia estava programado um cartaz um pouco diferente com  Tat&Ana, Sean Riley and the Slowriders e Boca Doce para encerrar. As Ta&Ana, duo formado por Tatiana e Ana foram uma surpresa gira. Fazendo covers, a sonoridade não fazia crer que eram apenas duas pessoas em palco munidas de guitarra, um bombo, tarola e um prato. Foi um bom aquecimento para o ponto alto da noite, Sean Riley and the Slowriders. Apesar de menor afluência neste segundo dia, as sinergias continuaram e revelaram-se nesta altura com Dili, Gipsy Eyes ou Greetings a fazerem as delícias dos rockeiros. Afonso Rodrigues teve poucas intervenções e nas poucas apenas agradeceu aos presentes, à organização e deixou no ar um possível retorno aos Moinhos de Carvide. Infelizmente não houve espaço para encore.

    Boca Doce

    Seguiram-se os Boca Doce com uma atitude muito descomprometida e uma constante reinvenção de clássicos da música portuguesa. Tudo o que foram êxitos da música portuguesa nos últimos 40 anos passaram por uma makeover à lá Boca Doce e, não sendo extraordinário, foi muito divertido. As personas em palco trouxeram um carisma e presença muito diferenciadora do que se tinha visto este ano.

    Assim chegava ao fim a 13ª edição de Pigs Rock Festival com a certeza que este festival tem pernas para andar com mais edições como assim se prova. Tudo melhorou do ano passado para este, desde a inegável qualidade do cartaz, às condições do espaço. Um obrigado à organização, aos festivaleiros e às bandas. Vemo-nos para o ano!

    Fotografias: DR

    Festival da Paz Filstone traz Quinta do Bill, David Carreira e mais a Fátima


    Pelo terceiro ano consecutivo, o Festival da Paz tem lugar no parque das Pedreiras do Moimento e conta com um cartaz abrangente nos estilos e equilibrando artistas nacionais e regionais.

    Este ano os cabeças de cartaz do Festival da Paz são os Quinta do Bill, David Carreira e ainda os Remember, banda de tributo aos anos 80 e 90, mas há mais neste festival. Para além das bandas principais, este ano foi organizado um concurso de bandas para apurar quem iria abrir o palco antes dos artistas mais mediáticos. Os vencedores foram, Akhorda, Gente Nossa e 100 Hora.  No programa contam também os DJ’s Tomané, R, Rafa e Kristof que estão encarregues dos encerramentos do certame.

    Se ainda não ficou convencido, o recinto do festival, o parque das Pedreiras do Moimento, sofreu obras melhorando as condições e a aliar a isto a entrada é livre nos dias todos por isso, não há razões para faltar!

    Cartaz oficial do Festival da Paz Filstone:

     

    Foto: DR

    Festival Jazz Matazz leva Jazz à mata dos Marrazes


    Os Marrazes recebem este fim de semana a primeira edição do Festival JazzMatazz. Uma homenagem à mata dos Marrazes que leva o jazz a um local histórico na terra, dando-lhe nova vida.

     

    Este sábado o Festival JazzMatazz inaugura a sua primeira edição com jazz ao ar livre, na mata dos Marrazes. A ideia para o evento surge pela mão de Catarina Dias e Paulo Clemente, que com o lema “A natureza como palco improvisado” pretendem revitalizar a mata dos Marrazes e incitar a população a utilizá-la. “Queremos reviver o que acontecia há duas décadas”, quando a Mata era usada para piqueniques, passeios e atividades em família, afirma Paulo Clemente, presidente da União de Freguesias de Marrazes e Barosa e Maestro da Filarmónica de S. Tiago dos Marrazes.

    Dia 1 de junho, o festival começa com o showcase de Alexandre Frazão durante a tarde e à noite, há concertos dos Saxofínia e da The Michael Lauren All Stars.

    O concerto da Filarmónica será o ponto alto do segundo dia, visto ser a primeira vez da banda a atuar num espaço que é tão querido da população.

    Este festival tem uma dimensão muito maior pelo estado da Mata dos Marrazes. Uma doença atacou milhares de árvores e tiveram de ser abatidas, deixando um vazio na Mata que este festival quer agora preencher.

    A ambição da organização é forte e entre os seus desejos está a óbvia revitalização da Mata dos Marrazes, mas também uma quebra de barreiras em relação ao estilo jazz, fomentando a curiosidade pelo género e, ao mesmo tempo motivando a utilização da Mata para serões em família e não só.

    Um fim de semana diferente, em família, ao ar livre e com boa música, que mais se pode querer? Atenção, a entrada é livre, por isso não há desculpas para faltar!

     

    Cartaz Oficial JazzMatazz