JP Simões, Manel Cruz e muitas surpresas! – Dia 6 do Festival A Porta


João Paulo Simões e Manuel Cruz mostraram-se ao Teatro José Lúcio da Silva duma forma intimista e envolvente, mas não foram as únicas surpresas da noite.

Perto das 21 horas o aglomerado de gente junto ao teatro mais famoso de Leiria ganhava forma, pois havia rumores de uma surpresa. Não estavam enganados. No seu dia de aniversário, Luís Jerónimo, vocalista dos Nice Weather For Ducks e Jerónimo, apresentou-se na varanda do teatro, em formato acústico, onde interpretou vários temas. Desde”Toxic” de Britney Spears, a Untitled Love, dos patos, Luís fez o aquecimento para uma noite de concertos que que se adivinhava incrível. No fim do seu concerto foi o público a cantar os parabéns.

Luís Jerónimo fez o aquecimento com vários temas pop.

Depois da surpresa de Luís Jerónimo, o público convergiu para o interior do teatro. JP Simões subiu  a palco acompanhado de Miguel Nicolau, dos Memória de Peixe e apresentou vários temas do seu mais recente personagem, Bloom. Aqui se sentiu a arte de transformar um teatro num pequeno clube, pelo imensurável carisma de João Paulo. Por entre histórias de viagens e experiências em casas de banho, JP Simões guiou o público pelo seu mais recente disco, encantando com músicas como Hey Gerogie, Drive ou Alice, sempre com uma intimidade típica de concerto em casa pequena, que nos prendeu do primeiro ao último acorde. Sentimos, apenas, que faltaram algumas das suas mais aclamadas músicas em português para embelezar, ainda mais, a sua atuação.

JP Simões inundou o teatro com o seu carisma.

No intervalo teve lugar a apresentação da residência artística Silvar, de Ricardo Martins, que contou com bateristas de outras bandas como Pedro Marques (First Breath After Coma) ou Vasco Silva (Whales). Seis baterias e um vibrafone mostraram o alcance sonoro e melódico da bateria. Ricardo Martins serviu de maestro e liderou as baterias nesta performance que esteve a ser preparada na casa de ensaios dos First Breath After Coma.

Silvar, a performance com 6 baterias e 1 vibrafone que teve muita energia.

Fumado o cigarro e bebida a cerveja(s) de intervalo, era altura de voltar a entrar na sala e de deixar que Manuel Gomes Coelho Pinho da Cruz nos levasse pelo seu íntimo. E que viajem foi! Desde temas mais recentes, a músicas de Foge Foge Bandido, Manel Cruz provou uma e outra, e outra, vezes sem conta por que é um músico geracional e por que merece um lugar de primazia na música portuguesa. A capacidade lírica e criativa não fica nada atrás da sua capacidade de entertainer enfatizada pela sua presença em palco e pelo seu constante movimento. Por entre histórias e até disparos do alarme de incêndio, Manel levou o público pela sua mão ao seu ritmo, havendo espaço para interpretações a solo com guitarra ou baixo que deixavam um gosto agridoce típico da sua composição. Ultrapassada a hora e meia de atuação e, à vontade, as 20 músicas, ainda houve tempo para encore, que pareceu curto, mas que na verdade já era perto da uma e meia da manhã e apesar de amanhã ser feriado e querermos mais, somos adultos responsáveis..

Manel Cruz e a sua banda que atuou durante quase 2 horas.

A Porta provou que é um festival com uma orientação muito afinada, que sabe conjugar os estilos e mais que isso, as personalidades dos artistas para criar momentos únicos e irrepetíveis, como os inúmeros da noite de quarta-feira.