Fui a Leiria depois de quase 2 meses de confinamento – e acho que estou a ficar paranóica com as distâncias


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Teresa Neto
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    A nossa jornalista Cláudia Monteiro foi passear pela cidade de Leiria depois de mês e meio fechada em casa. Estava preparada para umas coisas, para outras nem tanto…

    Sinto que estou em fevereiro: vozes na rua, ruídos das crianças, pessoas a passear e até a chuva ligeira me relembra fevereiro. Mas não. É dia 5 de maio, e já passaram dois meses após o confinamento. Quando declararam o estado de calamidade, foi-me sugerido que fosse passear pela minha cidade  de Leiria para ver como ela está.

    Pois bem, ia a passar na Rua Direita, já com a máscara na cara. Isto porque as pessoas iam-se aproximando e por segurança, achei melhor coloca-la. Depois um senhor chegou-se perto de mim, com a cerveja na mão e a máscara no queixo: “Se fosse verde gostava mais”. Ao que eu, na tentativa de ser simpática, respondi “É, esta é do Porto!”.

    Continuei o meu passeio, aproveitando os momentos em que não passava próximo das pessoas para a tirar e respirar melhor (quem já a usou sabe do que falo!).  Enquanto caminhava reparava nas pessoas e elas pareciam satisfeitas por voltar a ver a luz e poder fazer coisas, apesar de todas as precauções pedidas.

    Apesar de estarmos no estado de calamidade (que me parece pela conotação da palavra um estado mais caótico), as pessoas estão mais descansadas. Normal já que estavam cansadas de estar em casa e desertas para saírem sem se sentirem criminosas – pelo menos era assim que eu me sentia quando saía de casa para apanhar um arzito. Os cidadãos, finalmente, voltam a ter mais liberdade e isso é notável. Creio, para mim, que a maioria delas estavam a fazer o mesmo que eu, a passear. Até ouvi um senhor a comentar “Podíamos sair, mas era chato estarmos sujeitos a ser notificados pela polícia”.

    Apercebi-me, no meu curto passeio pelo centro da cidade, que há várias opiniões sobre a situação atual. Ouvi, nas conversas que se ouvem na rua, umas a defenderem o uso da máscara, outras a maldizer. E mais que ouvir, vi (arrisco-me a dizê-lo), 40% está com a máscara na cara, 40% está sem máscara e 20%  usa a máscara no queixo. As que estão com a máscara no queixo são as mesmas que nas filas fazem dos dois metros de distanciamento de segurança meio metro, e são também as que entraram em desespero e levaram tudo o que podiam das lojas no início da pandemia. Faço já mea culpa porque não estou a julgar, só estou a constatar com valores de quem percebe pouco de matemática e com uma observação feita por lentes que combatem uma miopia avançada.

    Ainda em relação às mascaras, aproveito para dar a minha opinião – eu concordo que não é prático estar de máscara, mas os profissionais de saúde passam horas seguidas com ela colocada na cara até ficarem marcados,  e mais uma carrada de fatos que parecem estar prontos para ir à lua, portanto, usar a máscara vai com certeza minimizar o impacto, por menor que seja, podemos faze-lo e devemos.

    Voltando ao meu passeio, já na avenida Heróis de Angola, deparei-me com algumas lojas abertas, uns cafés com serviço, respeitando as normas de funcionamento em take away e algumas filas – mas não tantas como esperava. Só vi duas e fugi delas! Até chego a ponderar se é paranóia minha mas depois de dois meses sem contactar com muitas pessoas, ao mesmo tempo, dá-me uma sensação de desconforto.

    Já no caminho de volta para casa, depois de aproveitar a pastelaria Meia Lua aberta para comer um croissant de chocolate, dietas à parte até porque me fartei de fazer exercício durante esta longa quarentena, deparei-me com um casal com as máscaras colocadas de parte, a fazerem um piquenique no parque de estacionamento. Tirei deste passeio uma ótima escapadela e a conclusão de que as pessoas estão satisfeitas, mas ao mesmo tempo receosas com o futuro, que é uma incógnita para comuns como eu, que vêem as suas vidas em “stand by”.