Guia de moda sustentável para Leirienses


Da moda para a sustentabilidade – este é o percurso de Patrícia Silva, uma blogger que largou os conteúdos de outfits para se dedicar ao efeito que os mesmos têm no ambiente. Falámos com a criadora de Let’s Save the Planet para desmistificar o conceito de moda sustentável.

Tal como muitas indústrias, a moda tem um impacto para o ambiente. Seja pelos materiais que são utilizados para a sua produção, pelo processo de produção em si, pelos transportes… E tantas coisas mais que, de uma forma ou de outra, afetam negativamente a casa onde vivemos.

Foi ao aperceber-se de tudo isto que Patrícia Silva, da Marinha Grande, decidiu mudar o seu estilo de vida. Largou o seu blog de moda que manteve ativo durante muitos anos e dedicou-se à criação de uma página que nos mostra como é tão fácil adquirir hábitos sustentáveis – o Let’s Save the Planet.

A moda (sustentável) é um dos temas mais abordados por Patrícia nesta página. Apesar de saber que, num mundo perfeito, este conceito se definiria por uma indústria focada em lixo zero, algo que, segundo a própria, “neste momento não é possível aplicar a 100%”, existem outros fatores que dão à moda um caráter mais sustentável. Em primeiro lugar “é importante valorizar marcas locais e, se possível, que produzam na Europa, onde há mais legislação”, diz Patrícia Silva. Os materiais utilizados e as condições de trabalho são, na verdade, dois dos maiores fatores que fazem de uma marca sustentável (ou não).

“Mas a moda sustentável tem muitos ‘se’…”, afirma a criadora de Let’s Save the Planet. Tomemos o caso do algodão – um material natural que, por isso mesmo, é muitas vezes considerado mais sustentável. “É verdade que o algodão é um material natural e que, por isso, a sua decomposição será mais fácil; no entanto, a produção deste material nos dias de hoje envolve um grande consumo de água e químicos que não são nada favoráveis para o ambiente.” Ou seja, será sempre um pau de dois bicos.

Então, qual a solução para uma moda verdadeiramente amiga do ambiente? Para esta blogger da Marinha Grande, “devemos tentar usar o que já temos, podemos procurar roupa nos armários dos nossos pais ou avós, e, sempre que possível, arranjar as peças em vez de colocar no lixo.” Aliás, para facilitar este processo de escolha, Patrícia criou um esquema que nos ajuda a perceber o que fazer com as peças do nosso armário.

Foto: Let’s Save the Planet

Caso seja necessário passar para o processo de compra, a segunda mão será sempre a melhor opção, pois evita todos os gastos inerentes a um processo produtivo. Para entrar no mundo secondhand, Patrícia Silva recomenda o recurso a sites como o OLX, as lojas online Micolet e MyCloma, redes sociais como o Instagram e o Facebook, sendo alguns dos seus grupos favoritos nesta plataforma a “Comunidade Estrela Thrifts” e o “Mercado 2ª Mão Lixo Zero”.

E o que fazer com as peças que já não queremos no nosso armário, mas que continuam em bom estado? Qualquer uma das sugestões acima referida permite igualmente a venda de roupa em segunda mão, mas a blogger adiciona também uma nova categoria: as doações. “Às vezes, receber um ‘obrigado’ de alguém que precisa vale muito mais do que qualquer preço que possamos colocar a uma peça.”, afirma Patrícia. Aqui, os grupos de Facebook também desempenham um papel fulcral, nomeadamente “Leiria Solidária” e “Dou Se Vieres Buscar na Marinha Grande”. No entanto, também são aconselhadas lojas físicas, como a Loja Social da Marinha Grande ou a Cruz Vermelha de Leiria, onde podem ser realizados vários tipos de doações.

No fundo, cada ação conta. No caminho para a moda sustentável, vale mais um grande número de passos imperfeitos do que apenas um passo perfeito, pois, como diz Patrícia em Let’s Save the Planet, somos “um por todos e todos pelo ambiente”.

 

Texto: Mariana Silva