Crítica: “Lamento de Uma América em Ruínas” – Lamento, mas este não é o pior filme do ano!

critica Lamento de Uma América em Ruínas

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Okay, às vezes não associamos o nome do artista à obra. Ron Howard é um realizador aclamado e premiado e já deu provas sólidas de que talento não lhe falta. Para os amantes de cinema, se calhar o nome não é assim tão estranho…

“O Código Da Vinci”, “Apollo 13” ou “Uma Mente Brilhante” são alguns filmes realizados por Ron. Sabiam? Pois é, estes e muitos outros são clássicos e obras-primas cinematográficas que certamente já passaram nos vossos ecrãs e corações.

“Hillbilly Elegy” ou em bom português “Lamento de Uma América em Ruínas” é o mais recente filme de Ron, que estreou esta semana na Netflix. Já tem um começo forte, só porque consta no currículo deste realizador, mas esperem até descobrirem o elenco.

Amy Adams e Glenn Close, juntas e a disputar protagonismo (apesar de nenhuma ser a protagonista). Amy já conta com 6 nomeações aos Óscares e se não estiver a caminho da sétima nomeação então algo está muuuito errado. Bom, já lá vamos. Até porque, Glenn conta com outras 6 nomeações aos Óscares e deve estar a partilhar boleia com Amy no caminho à sétima nomeação. Poupa-se na viagem, porque os vestidos são caros.

Vi o filme no dia que estreou e, tal não foi o meu espanto, quando começo a ler críticas arrasadoras de críticos de cinema e do público em geral. Nunca tal coisa me passou pela cabeça. A minha experiência deste filme é totalmente diferente de outras que tenho lido até agora.

Como em tudo na vida, nada é perfeito. Se posso dizer que, a nível técnico, o filme tem falhas trágicas? Trágicas… é um pouco agressivo, mas sim tem. Nem todos concordam quando se diz que o cinema é pessoal, mas eu acho que faz todo o sentido, porque cada um vive-o à sua maneira, tendo em conta aquilo que somos, acreditamos, vivemos e gostamos.

Dito isto, é errado olhar para o cinema só pela perspetiva emocional e por aquilo que nos consegue transmitir? Sim, não podemos esquecer o processo técnico que é importantíssimo. Não vive um sem o outro. Calma, já estou a chegar ao meu ponto.

“Hillbilly Elegy” está a ser arrasado! Isto deixa-me triste.  De repente, tudo aquilo que tem de bom e quase perfeito é esquecido. Ou muito me engano ou muitas pessoas vão deixar passar ao lado um filme tão importante como este. Pior do que isso, arrasta grandes artistas que mostram extremo talento em todas as cenas deste drama!

Vejamos o que está a ser esquecido:

O filme tem dois aspetos extraordinários que são a alma de toda a obra. 1 – Amy, Glenn e Gabriel Basso. 2 – Banda-sonora excecional a cargo de Hans Zimmer e de David Fleming.

São trunfos a seu favor e que dão força maior. Esta história não é propriamente vista com bons olhos, uma vez que relata um país em constante conflito étnico, em que os valores conservadores são metidos constantemente à prova, originando reações de temperamento descontrolado.

Para vos contextualizar:

J.D. Vance (Gabriel Basso), um ex-fuzileiro de Ohio e atualmente aluno de direito em Yale, está prestes a conseguir o emprego com que sempre sonhou. No entanto, uma crise familiar, especificamente com a mãe Bev (Amy Adams), obriga-o a regressar a casa. J.D. vai ter lidar com a relação frágil com mãe toxicodependente e terá de ajudá-la a enfrentar os piores demónios. No meio deste regresso, J.D. recorda a avó Mamaw (Glenn Close), a mulher forte que o criou e que lhe ensinou: “para realizar os sonhos, primeiro tens de aceitar as tuas raízes.”

 

Admito! Este filme é um conjunto de cenas dramáticas que rapidamente escalam e damos por nós em picos de emoções. O argumento de Vanessa Taylor podia ser muito melhor, uma vez que nos entrega cenas sem coerência. Faltou-lhe uma balança, sinceramente. Há partes do filme que poderíamos ter as emoções equilibradas, mas não aconteceu. Podia ter sido o realizador a salvar, mas Ron também não soube distinguir as sequências dramáticas e transformou-as em exageros.

Para juntar a este pequeno desastre, o filme tem zero surpresas! É previsível, praticamente, desde o início e tudo acontece demasiado rápido. Passa tudo a voar!

Tenho vindo a referir isto: Já não conta ser original na história. Conta a originalidade com que contamos uma história. Hillbilly tinha tudo para dar certo e ser um bravo concorrente aos Óscares 2021, mas não… escorregou algures na narrativa e no argumento e foi coxeando até ao fim.

Quer isto dizer que é o pior filme do ano, como tem sido descrito? Bom, eu não concordo. Nem sei como se pode afirmar tal. Mas lá está… a beleza do cinema é ser pessoal e podemos divertirmo-nos a discuti-lo.

Fico a torcer para que Amy Adams e Glenn Close sejam mencionadas nas próximas premiações, até podem sair do “pior filme do ano” (outra vez, não concordo), mas estas atuações foram das melhores do ano!

Lamento mas é um filme que dificilmente encontrará um público que o veja na sua totalidade. Não sei se muitas pessoas vão conseguir esquecer os erros irritantes e ter uma experiência bonita, com uma mensagem poderosa a reter.

Para mim, há duas formas de sair desta América em Ruínas: “Não importa de onde vens, há sempre uma forma de vencer as nossas ambições” ou “Não importa se o passado nos deixou em ruínas, importa o que fazemos para sair dele e o que fazemos para chegar ao topo.“ É possível!

Quase me esquecia de mencionar:

Hillbilly Elegy é uma história real. O filme é baseado nas memórias de J.D. Vance (o personagem principal) e no livro “Era Uma Vez Um Sonho”, escrito por ele.  Lembrei-me porque, como é costume em filmes baseados em histórias verdadeiras, os créditos finais são pintados de imagens das pessoas reais e estava a pensar em como a Glenn Close é extremamente parecida com a verdadeira avó… até me arrepiou!

 

Classificação TIL: 6 / 10