Crítica: Hubie Halloween – É realmente um filme assustador… por ser tão mau!

crítica Hubie Halloween

O novo filme da Netflix parece ter agradado a grande parte dos subscritores mas não convenceu a nossa cronista cinematográfica Sofia Correia.

Peço desde já as minhas desculpas aos fãs de Adam Sandler (a mim também, porque eu sou outra fã), mas este texto vai ter poucos elogios ao novo filme que estreou na Netflix. 

Para quem conhece bem as comédias de Adam Sandler sabe que é preciso gostar de rir do estúpido e do ridículo. A verdade é esta, há vários estilos de comédia e o riso é difícil. Mais difícil é o riso que leva às lágrimas. 

Mas não se preocupem, se é de lágrimas que precisam, bem, aqui está um bom filme que te pode fazer chorar… por ser tão mau.

Já agora, sabiam que Adam Sandler prometeu fazer o pior filme possível, caso não ganhasse o Óscar de melhor ator pelo filme Diamante Bruto (lançado na Netflix em 2019 e que pode ler a crítica da TIL ao filme)? Nem chegou a ser indicado ao Óscar e por isso suponho que tenha cumprido a promessa. Mesmo que não seja o pior filme dele, prefiro acreditar inocentemente nisto: que Hubie Halloween só existe por resposta à “maldade” da Academia.

Mas, agora para quem ainda não viu, que raio aconteceu no filme?

Entramos dentro de uma noite de Dia das Bruxas absurda, numa cidade dos EUA que parece ser a capital “não oficial” do Halloween. Hubie Dubois (Sandler) é um sujeito totalmente dedicado à sua cidade e sempre com a missão de garantir a segurança de todos os habitantes. 

O que acontece é que Hubie é a personagem típica de Sandler, que já vimos algumas vezes no ecrã: inocente, salvador da pátria e com um coração verdadeiramente bonito. Ok, obrigada Adam, por desperdiçares a tua criatividade.

Durante a noite, alguns acontecimentos assombram a cidade e alguns habitantes desaparecem. Quem é que entra logo em ação, como herói inesperado? Hubie Dubois.

Quando conhecemos Hubie, não o vemos como herói, mas sim como um homem caricato que sofre bullying de metade da cidade. Só a mãe (June Squibb) e Violet (Julie Bowen), por quem está apaixonado desde criança, é que o tratam bem. Bullying tive eu vontade de fazer a Adam Sandler, depois de perceber que adotou novamente uma forma ridícula de falar para a personagem (Brinco, bullying é inaceitável miúdos!!)!

Há um mistério que conduz o filme inteiro e até podia ter sido uma boa cola, mas nem isso resultou. Porque, eu pelo menos, senti-me cansada a partir da primeira metade do filme e honestamente, foi um esforço para chegar ao fim!

Eu sei, estou a ser hater? Desculpem, estou desapontada. Muito porque, com tanto talento, dinheiro e tempo investido, podíamos todos ter uma experiência de comédia de terror muito melhor… Vejam bem este elenco de luxo:

Temos aqueles nomes que são presença garantida num filme de Sandler, como Kevin James, Rob Schneider e Maya Rudolph, e contamos ainda com Ray Liotta, Kenan Thompson, Steve Buscemi, Tim Meadows, Noah Schnapp e até uma pequena participação de Ben Stiller.

 

E para continuar aqui na boa onda das qualidades do filme, há pelo menos duas cenas que me arrancaram um riso (muuuito) pequenino (SPOILER ALERT):

1- Quando o gato da vizinha de Hubie aparece com os olhos bem abertos porque se sente ameaçado por Violet. Talvez ri mais do que devia, mas cá está, se é para rir do estúpido e do ridículo mais vale rir em momentos que têm animais, assim fico perdoada.  

2- A cena no carro com Maya Rudolph e Tim Meadows. Opá, aqui também era inevitável. Maya Rudolph é mestre das minhas gargalhadas e não sei porquê, mas mesmo sendo absurda, começo a rir sempre que a vejo no ecrã. É automático! Às vezes dou por mim a rir como uma maluquinha só por ouvir o nome dela. 

Pronto, foi isto. O filme está pintadinho de piadas que são repetidas até começar a fazer doer os ouvidos. Uma delas é que Hubie assusta-se facilmente, então, cada vez que vê um monstro de Halloween grita. Imaginem ver um filme de 1h30, numa cidade em festejos do Dia das Bruxas, com monstros por todo o lado e com um homem que grita sempre que os vê. Pois… já conseguem imaginar como é irritante, certo? A primeira vez ainda aceitamos, mas as outras 500 vezes já só queremos dar-lhe um murro.

Depois, temos outra que acontece sempre que Hubie está a andar de bicicleta. Assim que começa a pedalar aparecem, de todos os lados, objetos que são atirados à cabeça dele, pelas crianças da cidade… estes que estão constantemente a gozar com ele. Volto ao mesmo: Na primeira vez ainda mostramos os dentes, nas outras 1000 vezes já queremos ser nós a pegar numa bola e mandar-lhe à cabeça.

Só não tiro todo o mérito a este filme porque Hubie é uma personagem espelho da criança que todos temos, escondida na vida adulta. É uma emoção bonita, para mim. Afinal, neste mundo virado do avesso, às vezes é bom recordarmos a criança que fomos.

E, como já tinha referido, Hubie tem um coração gigantesco que protege todas as pessoas, independentemente da forma como é tratado. Bonita lição para nós adultos, que muitas vezes só temos tempo para olhar para o nosso próprio umbigo.

Acredito até que Adam tem o mesmo coração que Hubie, porque todas as suas comédias servem quase com as mesmas lições de moral. No final do filme descobrimos que, Hubie Halloween é dedicado a Cameron Boyce, o ator que morreu o ano passado e contracenou com alguns nomes do elenco.

Assim sendo e sem mais nada de jeito para vos contar, esta foi a minha experiência. Deixo um conselho grátis:

Se vais com o espírito bem preparado para o (ultra) ridículo, talvez tenhas uma boa comédia. Se não estás para aí virado, foge como o Hubie, sempre que é perseguido pelas crianças da cidade! 

 

Classificação TIL: 4 / 10

 

Texto: Sofia Correia
Foto: DR

Crítica: O Dilema das Redes Sociais – Mergulhamos no nosso íntimo em vez de o partilharmos!

the social dilemma

As redes sociais já não são o sítio de partilha entre amigos e familiares. Hoje, são plataformas online de negócio. Mas até aqui já todos tínhamos chegado, certo? Até porque somos constantemente bombardeados com anúncios para comprar produtos e serviços de todas as maneiras e feitios. 

Há muitas coisas que me irritam nas redes sociais. Mas a pior de todas, aquela que me deixa a ferver, é quando o meu feed é inundado de anúncios semelhantes a algo que tenha pesquisado anteriormente. Já vos aconteceu também, de certeza!

Por exemplo, já sabia que muitos amigos meus compravam ténis no Facebook. São mais baratos e apesar de muitos parecerem que foram feitos numa hora e sem atenção aos detalhes, dão jeito. Ora, o que eu vou fazer? Vamos lá cair nesta tentação e procurar uns ténis jeitosos que façam casal perfeito com a minha carteira.

Socorro, pesquisei uma vez! Chego ao feed das minhas redes sociais e só vejo ténis! De todas as cores, de todas as marcas, uns até tinham rodas (para quê? Patins servem perfeitamente).

Mas isto é apenas um exemplo. Acontece com tudo. E isto serve para dizer o quê? Que tudo o que fazemos online está a ser visto e registado. Sim, é assustador sabermos que há pessoas que têm acesso a todas as nossas informações e que sabem todos os passos que damos online. Mas, a mim, o que me assusta mais não é terem esse acesso, mas sim aquilo que fazem com o que sabem sobre mim. Sobre mim, sobre ti e sobre todos. 

O novo documentário da Netflix, O Dilema das Redes Sociais, questiona o bom e o mau das plataformas digitais e dá-nos a uma perspetiva pedagógica de como funciona a “economia do clique” e o capitalismo de vigilância. Provavelmente, depois de veres o documentário, percebes que já sabias tudo isto, só que não tinhas consciência de que sabias, preferes ignorar. Assim aconteceu comigo. 

É feito de testemunhos de antigos funcionários das grandes empresas tecnológicas, como Google, Facebook e Twitter e deixa bem evidente a forma como a liberdade está a ser posta em causa. 

A questão é, quais é que são as consequências de tudo aquilo que partilhamos nas redes sociais?

Nós estamos a ser, constantemente, programados para vermos sempre a mesma coisa. E como é que isto acontece? Com a recolha de dados sobre tudo o que vemos e quanto tempo vemos. Sim, o tempo que estamos a ver um post também é registado. 

Se compararmos o Facebook nos primeiros anos com o atual, parece que falamos de uma rede social diferente. Hoje, parece impossível entrar no Facebook uma única vez no dia. Com tantos usuários não dá para ver tudo o que é partilhado e por isso começamos a perder interesse na maior parte dos conteúdos. Aqui entra o algoritmo que, supostamente, identifica tudo aquilo que queremos ver, baseado nos nossos dados registados.

Pronto, se te questionas o porquê de veres sempre as mesmas pessoas ou mesmo tipo de conteúdo, é esse o motivo.

Até podia servir para “organizar” melhor o teu feed, de forma a captar a atenção e interação durante mais tempo. Só que nos últimos anos, esta ferramenta é utilizada de forma exaustiva para sermos expostos ao mercado ou a ideias políticos e sociais que, no final, vão te influenciar. 

Estas foram as ideias fundamentais que retirei do documentário. Não o achei maçador, talvez um pouco exagerado, mas até acho que é necessário o tom exagerado para que sirva de alarme. É claro que não acho que as redes sociais vão mudar, pelo contrário. Também percebi que há muitos interesses envolvidos e eu, por exemplo, ainda sinto que não sei nem metade do que realmente se passa. 

O documentário denuncia as empresas tecnológicas altamente capitalizadas que são “obrigadas” a responder a investidores que os ajudaram a crescer. Ou seja, o único objetivo é ganhar dinheiro e rentabilizar os utilizadores. 

Como diz Jaron Lanier no documentário, o fundamental destas empresas é: prender o utilizador o mais tempo possível na plataforma, fazer com que o utilizador chame mais pessoas ou conteúdo e lançar anúncios para gerar dinheiro. 

É dito no documentário que este ambiente digital que temos responde a uma lógica comercial que vai ter consequências prejudiciais para a sociedade, como a desinformação, a radicalização ou a polarização entre posições políticas. Este ponto é extramente importante e para mim foi a parte em que o documentário investiu a maior força alarmante. Quando se diz que somos influenciados pelas redes sociais nem temos a menor ideia de como somos. 

Faz um exercício. Vê o feed das pessoas mais próximas de ti. Familiares, amigos mais próximos ou pessoas que partilham dos mesmos gostos. Compara o teu feed das redes sociais com o feed dessas pessoas. Podes ter logo a conclusão chave do documentário. 

Vou deixar-te só mais esta ideia: As redes sociais são, ou deveriam ser, um espaço público onde vês partilhas de todos os que segues. Mas diferenciam o feed de cada um de nós de acordo com os nossos comportamentos anteriores. Ou seja, tornam-se profundamente íntimas e pessoais, quase como se fosse um autorretrato. Só vês conteúdo que de alguma forma corresponde aos teus ideais, valores e gostos. 

Se falarmos em “estar em sociedade” sabemos que temos de aprender a lidar com perspetivas opostas e debater civilizadamente. Estar online não é assim que funciona, uma vez que o que recebemos é o resultado de um algoritmo que trabalha para te dar só o que te agrada. 

Há muitas respostas às tuas perguntas e ideias que te vão fazer surgir perguntas neste documentário. Recomento a 100% e para além disso, recomendo que depois de veres o documentário faças alguns exercícios para que encontres as tuas próprias conclusões! 

 

Classificação TIL: 7,5 / 10

 

Texto: Sofia Correia

Crítica: Tenet é o filme dos retrocessos onde a complexidade diz sempre presente

crítica tenet

O último filme de Christopher Nolan já está em exibição. Tenet tem momentos excelentes e outros nem tanto – e isso não é assim tão habitual na plenitude do universo Nolan’iano.

Foi na passada quarta-feira, dia 26 de agosto que estreou finalmente, aquele que diria ser o filme mais esperado do ano: Tenet. O novo filme de Christopher Nolan foi diversas vezes adiado, devido à pandemia mundialNo entanto, a Warner Bros. manteve a sua palavra de lançar o filme ainda este ano e assim o fez. O mundo agradece! 

Estreia esta semana em 70 países, mas só chega aos EUA no dia 3 de setembro. Isto porque, há um significativo aumento de casos da Covid-19 e por isso será dos últimos países a ter a última obra de Nolan nos grandes ecrãs. E por falar em grandes ecrãs, Tenet é daqueles filmes que devia ser obrigatório ver na maior tela possível!  

Nas últimas décadas, o realizador Christopher Nolantrouxe aos cinemas uns dos filmes mais aclamados da história. De tantas provas dadas de um talento transversal, fui para o cinema com as expetativas elevadíssimas. Porém, posso já adiantar que não me levou ao céu.  

Antes de falar um pouco sobre a nova história que Nolan adaptou para o grande ecrã, começo pelas qualidades técnicas. Isto porque é de longe, na minha perspetiva, a melhor qualidade do filme. Já em filmes anteriores tínhamos tido uma experiência visual incomparável, como em A Origem, Interstellar ou Dunkirk. Tenet mantém o nível de excelência. Todas as sequências de maior complexidade são grandiosas e levam-nos para uma viagem de ação excelente que nos deixa completamente arrepiados. Hoyte Van Hoytema é o responsável da cinematografia de Tenet e mostra ter um controlo superior da câmara, capaz dea captar ângulos fantásticos sem perder um único minuto da ação. Dei por mim no cinema, a tentar olhar ao mesmo tempo para todos os cantos do ecrã, com medo de perder algum pormenor.  

Agora, um pouco sobre a história. Em Tenet conhecemos The Protagonist (John David Washington). Este homem tem a missão mais importante e prioritária do mundo: impedir a Terceira Guerra Mundial utilizando apenas uma palavra: Tenet. Entramos de cabeça num espetacular mundo de espionagem que envolve alto conhecimento científico e teorias sobre a relatividade do tempo, bem ao estilo de Nolan. Não seria um filme dele, se não tivesse a componente científica ou temporal.  

Tenho imensas dificuldades em tentar escrever um pouco mais sobre esta história. É que, na minha opinião, é mais fácil de ver do que ler. Também é uma característica do realizador – complexidade da história. Ainda que o filme indique todas as explicações que necessitamos para o compreender, aconselho a estar com a máxima atenção. Mesmo que até não seja difícil de entender a história, é preciso acompanhacada segundoou então há um grande risco de perder o caminho e a cena seguinte já não vai fazer sentido nenhum. Pode arruinar toda a experiência alucinante do filme.   

Tenet é uma evolução aprofundada dos conceitos abordados por Nolan noutros filmes. E com isto, a complexidade pode parecer maior. Para quem não é familiar a conceitos de física quântica ou relatividade do espaço, como eu, até pode começar a assustar. Mas não vale a pena. É prender os olhos ao ecrã e tudo vai começar a encaixar. 

 

Agora é a vez do elenco! Pela primeira vez temos John David Washington e Robert Pattinson numa dupla de companheirismo e com muito carisma. Acho que é seguro afirmar que Robert Pattinson faz um trabalho impecável, no qual vai evoluindo ao longo da história. Supera a prestação de John, que não me fez saltar da cadeira, tão pouco me fascinou. O elenco conta ainda com a presença de Elizabeth Debicki, Kenneth Branagh, Aaron Taylor-Johnson e, o já habitual, Michael Caine.  

De todos os nomes, é Elisabeth Debicki que me surpreende. Cada minuto dela no ecrã é de pura emoção. A personagem dela é a responsável por uma das cenas chave e já na parte final do filme teve um momento brilhante que me fez querer bater palmas! 

Em Tenet, a banda sonora é assinada pelo compositor Ludwig Göransson. Desta vez não é Hans Zimmer que encanta os nossos ouvidos, mas não é por isso que deixámos de ter música de igual qualidade. Não senhor! A banda sonora é uma maravilha e ajuda a desenvolver os vários momentos de alta adrenalina.  

Tenet é ou não é um filme que vai ficar na memória? Tenho dúvidas de que fique na minha. Não é problema dnarrativa complexa sobre o tempo ou de John David Washington que não foi assim tão protagonista. Acho que o problema de Tenet é que não nos envolve. Não é daqueles filmes que me fez sentir “parte da equipa”. Não me vi dentro dele. Como não houve espaço para mais desenvolvimento emocional das personagens (há exceção da personagem de Elizabeth), criamos uma relação frágil. Por isso, é provável que daqui a uns anos recorde Tenet pelo brilhante trabalho da equipa técnica. Foi, se calhar, a melhor experiência visual de sempre. Mas mais do que isso? Creio que não vai acontecer.  

Só digo isto: IMAX. Quem tiver oportunidade de ver Tenet em IMAX, que aproveite! Há alta probabilidade de se tornar na melhor ida ao cinema da vida!

 

Classificação TIL: 7 / 10

 

Texto: Sofia Correia
Foto: DR

Crítica: Contigo Para Sempre é uma espécie de rewind ao nosso primeiro amor – talvez com um final mais feliz (ou então não)

Crítica contigo para sempre

Filmes de amor entre adolescentes existem vários. Mas o que Contigo Para Sempre tem de diferente? Leia a crítica ao filme.

Chegou hoje aos nossos cinemas mais um drama adolescente. Este género de filme resulta na maioria das vezes em sucesso e é provado ao longo do tempo, tanto nas salas de cinema como nas folhas de um livro. Penso que os filmes de romance adolescente terão sempre uma importância diferente, isto porque, quem é que não teve uma história de amor tensa no auge da adolescência? O primeiro amor nunca se esquece e por mais que custe admitir, Contigo Para Sempre (Endless) como tantos outros filmes do género, são um murro no estômago e uma máquina do tempo que nos leva aos dias mais felizes dos 17 e 18 anos. E claro, quem diz que não é lamechas, está a mentir. No fundo, todos nós somos um pouco!

O novo filme Contigo Para Sempre do realizador Scott Speer, tem toda a atmosfera típica de um filme da escola secundária, mas é apenas um guia porque expõe-nos a questões de profundidade surpreendentes, tornando-se numa exploração romântica do luto e do paranormal.

Logo no início o que é que identificamos? Melancolia, planos futuros e lutas derivadas desses mesmos planos. Planos distintos e que começam a ser a base de discussão do casal jovem que, até então, eram perfeitos um para o outro. Nada é perfeito na vida real e no cinema também não. Após um acidente de carro que tragicamente separou o casal para sempre, o filme começa a ser totalmente diferente. Sem querer revelar muito mais a história, basicamente temos um filme sobre culpa e saber deixar ir.

Riley (Alexandra Shipp) sente culpa pela morte do namorado Chris (Nicholas Hamilton), e tenta descobrir a todo o custo o que aconteceu naquele acidente de carro trágico. Chris está preso entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. Como por milagre, ambos encontram uma forma de voltar a estar ligados um ao outro e como? Através de um espírito, também preso entre dois mundos, que irá cruzar duas histórias e tornar este filme num sólido e tenso drama, em sintonia com uma história de amor que transcende a vida e a morte.

A verdade é que Contigo Para Sempre poderá não ser muito bem recebido, porque, tal como já referi, é um género bastante comum e há quem esteja cansado de ver sempre a mesma história (ainda que com caras e dramas diferentes). Para própria segurança do filme, o realizador criou alguns pontos guias diferentes para que consiga marcar uma posição. Tem, definitivamente, cenas familiares para todas as pessoas (as que gostam e não gostam de romances juvenis), e no final é surpreendentemente um filme com vários fatores de bom entretenimento.

Gostei bastante da jovem atriz Alexandra Shipp – é clara a sua dedicação e entrega, assumindo a personagem de forma bastante segura. Até porque, na minha perspetiva, acredito que não é fácil interpretar a pele de alguém que está de luto pelo amor da sua vida e Alexandra conseguiu superar o desafio de forma bastante competente.

A realização de Scott Speer e o guião de Andre Case e Oneil Sharma garantem que não existam vilões na história. Aliás, se tivesse de apontar um vilão, só mesmo o destino (ou será a morte?) que separou um casal de forma tão violenta. Este é um dos encantos do filme – a discussão em torno da justiça da vida e da morte ou do destino que nos controla. Acaba quase por ser uma reflexão brutal sobre o quão frágeis somos e como tudo muda da noite para o dia.

 

Podia tornar-se facilmente num filme de profunda tristeza, mas qual seria o objetivo disso? Contigo Para Sempre contornou (e muito bem) essa que poderia ser a maior falha, e foca-se no luto de uma pessoa que nos ensina lições de vida e morte, mas de forma leve. A questão é: será que Riley vai conseguir superar os vestígios deste amor?

Pode não ser um filme para todos (acho mesmo que não), mas é uma história que começa a ter forma de algo mais do um amor adolescente e as apostas começam a ser superiores. A mim, surpreendeu-me pela positiva, ainda que também eu esteja cansada do drama juvenil do tempo de secundário (fico deprimida e lembro-me que estou na fase adulta). Contigo Para Sempre põe o nosso coração no sítio, pelo menos para quem está disposto a absorver esta história num sentido mais sério.

 

Classificação TIL: 6/10

 

Texto: Sofia Correia
Foto: DR

Crítica: Greyhound – Mais um capitão heróico de Tom Hanks


Já estamos habituados a ver Tom Hanks com o “chapéu de capitão”. Foi capitão Miller em Resgate Do Soldado Ryan, capitão Sully em Milagre no Rio Hudson, capitão Phillips que foi indicado a Óscar para melhor filme de 2014, e agora é capitão Ernest Krause em Greyhound.

O filme Greyhound estava previsto para as salas de cinema, no entanto a pandemia trocou as voltas e teve estreia mundial na plataforma de streaming Apple TV+. Esta história é inspirada em factos reais sobre a Batalha do Atlântico, durante a Segunda Guerra Mundial. Tom Hanks na pele de George Krause, é um capitão oficial que tem a sua primeira viagem como líder de um navio norte-americano USS Keeling, apelidado de Greyhound, e de um comboio de navios aliados, sendo encarregue das vidas de milhares de soldados durante a perigosa travessia dos EUA até à Europa. Sem cobertura aérea durante cinco dias, o capitão e o seu comboio são obrigados a enfrentar sozinhos os submarinos nazis que os rodeiam e atacam sem dó nem piedade. Krause nunca esteve em combate e por isso, precisa de muita inteligência e controlo mental para vencer e salvar a tripulação.

 

Conta com a realização de Aaron Schneider e com Tom Hanks como argumentista, que adaptou a história do livro The Good Shepherd de C.S. Forrester e acabou por não fazer um bom trabalho. Ora vejamos:

Apesar de já esperado, Hanks é um maravilhoso e versátil ator e não desilude na pele de George Krause, porém, o argumento não explora a sua personagem como nós gostaríamos e ficamos a maior parte das vezes confusos com as emoções que nos são entregues porque é difícil interpretá-las. São poucos os momentos que nos envolvem na personalidade do capitão, talvez conseguimos ter uma breve sensação mais intimista nas cenas iniciais em que vemos o capitão Krause ser rejeitado por Evelyn (Elisabeth Shue) ou nas cenas de grande companheirismo com o chefe de cozinha George Cleveland (Rob Morgan). Mas acaba por ser superficial e ficamos longe de nos sentirmos afetos a este capitão. Basicamente temos um argumento que tenta sem sucesso colocar a guerra como protagonista, mas foca tanto no capitão que acaba por se tornar numa história de guerra vista pelos olhos de quem não quer estar nela.

Para ajudar (ou não) o desastre do argumento, o filme realizado por Aaron Schneider é muito impessoal e revela de forma muito clara a inexperiência do realizador. Ou seja, temos um filme muito técnico, em torno de um drama de guerra com poucos diálogos e sem espaço para os atores brilharem. Percebemos que o objetivo é focar no capitão Krause e nas cenas de ação que são imensas. Aliás, a sequência de ações é constante e torna-se excessiva, impedindo-nos de criar tensão ou suspense. Nem dá para respirar, temos de estar muito atentos ou perdemos o fio à miada.

Tinha dado jeito mais minutos de filme. Este é dos pouco exemplos em que o tempo é curto e seria bom ter mais tempo de tela, talvez com cenas menos frequentes de ação técnica e mais emoção das personagens.

Os efeitos especiais são eficientes com cenários reais que criam conforto visual mas sem nunca ser perfeito, o que salva Greyhound. Interpretamos muito facilmente as sensações de movimento através dos efeitos especiais envolvidos com a fotografia azulada de Shelly Johnson. Outro ponto positivo são os movimentos de câmara que acompanha sempre o protagonista dando oportunidade ao espectador de sentir que está na história ao lado do capitão para o apoiar. O realizador também faz um bom uso de filmagens panorâmicas brilhantes que captam a verdadeira escala da batalha e a gravidade da situação. A produção sonora e banda sonora são poderosíssimas o que destaca ainda mais o filme, que tecnicamente falando tem tudo o que precisa para ser um bom filme de guerra.

Num dos pilares, Greyhound não falha, porém falha noutro igualmente importante: história e personagens. Todos os instantes são dedicados às batalhas, enquanto Krause e a sua tripulação tentam sobreviver aos constantes ataques dos submarinos nazis. A falta de qualquer desenvolvimento de personagem até pode ser compensada, desde que no final tenhamos uma experiência única de ação realista. Mas a história não é cativante e os momentos de ação estão presos num ciclo sempre igual, durante todo o filme. Começamos com cenas carregadas de tensão, mas a partir deste momento, o nível de entretenimento cai drasticamente.

Gosto de filmes de ação que são capazes de me envolver de uma forma imersiva e que me faça sentir dentro da história. Tudo requer qualidade de produção excecional, com efeitos visuais perfeitos e produção sonora poderosa. Mas a história e desenvolvimento de personagens tem de existir e tem de ser igualmente forte para que o público consiga realmente sentir a atmosfera e experiência do filme, certo?

Greyhound tem um dos melhores atores de todos os tempos como protagonista e uma produção técnica bastante razoável. Mas será que tem a verdadeira essência de um filme de guerra de sucesso? Creio que não… Preferia ter tido um capitão muito mais emocional do que um capitão técnico que luta pela vida de milhares.

Classificação TIL: 6/10

 

Texto: Sofia Correia

Crítica: Adú alerta-nos de que as boas intenções não chegam!


Adú – o novo sucesso da Netflix – é um filme do realizador espanhol Salvador Calvo que nos conta não uma, mas três histórias que estão de alguma forma ligadas.

O realizador afirmou que este filme é inspirado em histórias reais e provavelmente esse é um dos motivos porque consideramos Adú um filme importante – não é ficção, o que vemos no ecrã aconteceu e acontece com outras pessoas. São três histórias que parecem completamente separadas, no entanto, juntam-se num enredo que discute questões muito atuais, como a imigração e os refugiados na Europa.

O filme começa com a história de três polícias espanhóis em Melilha, um território espanhol no norte de África, onde existe uma cerca de segurança que separa Melilha de Marrocos. Logo no início do filme somos confrontados com umas das cenas mais violentas de Adúna qual vemos um grupo de refugiados que tenta pular a cerca e muitos deles presos nos arames farpados deste local. Uma imagem muito gráfica e que mexe com o nosso estômago. A função dos três polícias é, obviamente, impedir que os refugiados consigam passar a cerca, mas no meio desta missão algo corre muito mal e faz a história desenrolar-se ao longo do filme.

 

Conhecemos a seguir a história de Gonzalo, um homem espanhol que possui uma ONG em Camarões, África, para proteger os elefantes contra a caça ilegal. Gonzalo preocupa-se mais com os elefantes do que com as pessoas ao seu redor, um bom exemplo deste facto é a sua filha Sandra, com quem mantém um relacionamento distante e talvez um pouco problemático. É claro que o realizador Salvador quis alertar-nos, através desta história, para o gravíssimo crime que ainda é bastante desconsiderado, a caça dos elefantes para retirar o marfim. No entanto, acabou por ser um terceiro plano muito disfarçado e de pouco destaque.

É precisamente no momento em que Gonzalo e a sua equipa tentam impedir um grupo que está prestes a realizar uma caçada ilegal de elefantes, que conhecemos o pequeno Adú e a sua irmã Alika. Ambos estão na floresta a andar de bicicleta, quando acabam por testemunhar a morte de um elefante por alguns homens da sua aldeia. Depois de descobrirem que os irmãos foram testemunhas do crime, Adú e Alika começam a ser perseguidos e por isso fogem para procurar o pai que está em Espanha. Começa desta forma uma aventura perturbadora e assustadora para os pequenos irmãos, que vão ter muita coragem para conseguir encontrar o pai deles.

Por meio destas três histórias, o realizador aborda temáticas de extrema importância, das quais deveriam ter mais atenção por todo o mundo. É um filme simples, mas que tenta maximizar a sua influência através do cruzamento de histórias reais e emocionantes. Apesar de não ser fácil criar uma relação entre o espetador e as personagens, há uma exceção que se chama Abú. O filme tem o nome deste menino, que nos deixa com muita vontade de o abraçar e socorrer durante todo o seu percurso, nesta aventura que foi obrigado a viver.

Poderia ser um filme perfeito, mas não é. Tem uma linda fotografia que traz imagens brutais da extrema pobreza de África, principalmente nas cenas que se passam nas aldeias. Mas é pouco mais do que isso. O filme tem muito boas intenções e grande carga moral, aliás, ainda acredito que é um filme que deve ser visto e discutido, nem que sirva só como um alerta dos graves problemas humanitários que se passam ao nosso redor e poucos conhecem. Deve ser uma história que nos força a ler mais e a conhecer milhares de crianças e jovens, que também poderiam ter sido inspiração para o filme Adú.

O principal erro é ter três histórias principais que nos fazem perder o foco e enfraquece o objetivo principal. Na conclusão do filme, as três histórias acabam por ser conectadas mas de uma forma muito forçada e que parece ser um final pensado “na última hora”, só para justificar as três histórias num único filme. É de lamentar, porque teria potencial para ser um filme muito bem contando, com boas personagens e com fortes interligações que cativam qualquer um de nós. Mas nem as personagens tiveram espaço para “brilhar”. Há muitos momentos de ação, momentos de choque e emoção, mas são momentos misturados de cada personagem e história, sem que nos permita criar afeto ou verdadeiro sentimento por uma das três histórias.

Adú tornou-se num filme que veio para nos relembrar de que nada serve termos boas intenções se não agirmos para tal. É uma montanha de altos e baixos, que nos atiram para inúmeros lados sem nos dar um ponto forte ou uma cena com verdadeiro valor memorável. Deveria focar, principalmente, na imigração ilegal, mas como nada é bem definido e contado, acaba por não ficar colado na nossa memória e é grave não termos este efeito, dado que, são histórias de carácter importante e emergente.

Tem momentos fortes e necessários, de início parece bonito e até começamos a preparar os lenços de papel sem chegarmos a precisar deles. Adú tinha um material muito rico mas somos direcionados apenas para os conflitos, sem aprofundar as causas ou as futuras consequências. Ficamos com o pequeno Adú no coração e com a profunda tristeza de que há muitos como ele, sem apoio e sem afeto. Pelo menos que nos faça despertar para o que realmente importa e que nos cative para apoiar, na melhor maneira possível, todos os refugiados que procuram uma nova casa onde se sintam seguros e salvos.

Classificação TIL: 5,5/10

 

Texto: Sofia Correia

Crítica: “Festival Eurovisão da Canção: A história dos Fire Saga”, um presente de fãs para fãs


Estreou finalmente o novo filme protagonizado por Will Ferrel: Festival Eurovisão da Canção: A História dos Fire Saga. Quer rir um pouco e em família? Bom, aproveite para ver este novo filme que não é só um musical como também uma comédia, ainda que um pouco fraca. Apropriada para ver com amigos no final da tarde ou depois de um dia de trabalho aborrecido. Claro que, para quem é fã do Festival, vai encontrar vários bons momentos no decorrer do filme.

Rachel McAdams junta-se a Will Ferrel para protagonizarem a história dos Fire Saga, uma dupla musical fictícia que tem o sonho de representar o seu país, a Islândia, na Eurovisão. O filme demonstra o percurso destes dois cantores até se tornarem estrelas pop. Lars (Will Ferrel) e Sigrit (Rachel McAdams) formam a banda Fire Saga que, por mero acaso (e depois de algumas mortes), é selecionada para representar o país na maior competição musical da Europa.

É uma história bem simples, mas com uma mensagem muito bonita, talvez inspirada no discurso de Salvador Sobral, vencedor da Eurovisão em 2017. Este festival é um palco de sonhos, onde vários países podem expressar-se livremente através da música e tal como disse Salvador “Music is Felling” – a música é sentimento. No final deste filme, vemos Sigrit numa atuação com muita emoção, tal e qual como é esperado de uma verdadeira atuação do festival europeu. A cena mais sublime do filme é quando o próprio Salvador aparece, por breves segundos, num piano e a cantar “Amar pelos Dois”. Não é o único ex-concorrente a participar no filme, os fãs do festival Eurovisão vão ter vários presentes no decorrer das duas horas de filme.

Sabemos que Will Ferrel também é fã do festival Eurovisão e nota-se, ao longo do filme, que a história respeita o espírito do festival e é basicamente uma celebração do mesmo. No entanto, quem não conhece este festival pouco fica a conhecer. O palco principal é o da Eurovisão, mas no final, acaba por ser bastante secundário. Os espectadores não vão entender como funciona o festival, provavelmente até vão duvidar da sua existência porque o humor do argumento é fraco e tipicamente americano – básico e sem criatividade. Mas não é algo que surpreenda, toda a carreira de Will Ferrel é em torno deste género de histórias e personagens.

Quem salva? Rachel McAdams, que consegue conquistar-nos com a personagem Sigrit, não só pelo seu talento e ambição, mas porque a respeitamos pela força que teve ao enfrentar toda a pressão do festival da canção.

O Festival Eurovisão da Canção: A História dos Fire Saga é muito longo e não há nenhum motivo plausível que justifique demorar duas horas. É uma comédia que não desafia e pode ser perfeita para as pessoas que apenas procuram um entretenimento simples para descontrair.

Mesmo que possa ser maçador e de riso forçado, o filme transmite que os sonhos são válidos para todos e em todo o mundo. Só é preciso sentimento, força e ter as pessoas certas ao nosso lado. O resto, é mais fácil do que parece…

Classificação TIL: 6/10

 

Texto: Sofia Correia