Crítica: Hubie Halloween – É realmente um filme assustador… por ser tão mau!

crítica Hubie Halloween

O novo filme da Netflix parece ter agradado a grande parte dos subscritores mas não convenceu a nossa cronista cinematográfica Sofia Correia.

Peço desde já as minhas desculpas aos fãs de Adam Sandler (a mim também, porque eu sou outra fã), mas este texto vai ter poucos elogios ao novo filme que estreou na Netflix. 

Para quem conhece bem as comédias de Adam Sandler sabe que é preciso gostar de rir do estúpido e do ridículo. A verdade é esta, há vários estilos de comédia e o riso é difícil. Mais difícil é o riso que leva às lágrimas. 

Mas não se preocupem, se é de lágrimas que precisam, bem, aqui está um bom filme que te pode fazer chorar… por ser tão mau.

Já agora, sabiam que Adam Sandler prometeu fazer o pior filme possível, caso não ganhasse o Óscar de melhor ator pelo filme Diamante Bruto (lançado na Netflix em 2019 e que pode ler a crítica da TIL ao filme)? Nem chegou a ser indicado ao Óscar e por isso suponho que tenha cumprido a promessa. Mesmo que não seja o pior filme dele, prefiro acreditar inocentemente nisto: que Hubie Halloween só existe por resposta à “maldade” da Academia.

Mas, agora para quem ainda não viu, que raio aconteceu no filme?

Entramos dentro de uma noite de Dia das Bruxas absurda, numa cidade dos EUA que parece ser a capital “não oficial” do Halloween. Hubie Dubois (Sandler) é um sujeito totalmente dedicado à sua cidade e sempre com a missão de garantir a segurança de todos os habitantes. 

O que acontece é que Hubie é a personagem típica de Sandler, que já vimos algumas vezes no ecrã: inocente, salvador da pátria e com um coração verdadeiramente bonito. Ok, obrigada Adam, por desperdiçares a tua criatividade.

Durante a noite, alguns acontecimentos assombram a cidade e alguns habitantes desaparecem. Quem é que entra logo em ação, como herói inesperado? Hubie Dubois.

Quando conhecemos Hubie, não o vemos como herói, mas sim como um homem caricato que sofre bullying de metade da cidade. Só a mãe (June Squibb) e Violet (Julie Bowen), por quem está apaixonado desde criança, é que o tratam bem. Bullying tive eu vontade de fazer a Adam Sandler, depois de perceber que adotou novamente uma forma ridícula de falar para a personagem (Brinco, bullying é inaceitável miúdos!!)!

Há um mistério que conduz o filme inteiro e até podia ter sido uma boa cola, mas nem isso resultou. Porque, eu pelo menos, senti-me cansada a partir da primeira metade do filme e honestamente, foi um esforço para chegar ao fim!

Eu sei, estou a ser hater? Desculpem, estou desapontada. Muito porque, com tanto talento, dinheiro e tempo investido, podíamos todos ter uma experiência de comédia de terror muito melhor… Vejam bem este elenco de luxo:

Temos aqueles nomes que são presença garantida num filme de Sandler, como Kevin James, Rob Schneider e Maya Rudolph, e contamos ainda com Ray Liotta, Kenan Thompson, Steve Buscemi, Tim Meadows, Noah Schnapp e até uma pequena participação de Ben Stiller.

 

E para continuar aqui na boa onda das qualidades do filme, há pelo menos duas cenas que me arrancaram um riso (muuuito) pequenino (SPOILER ALERT):

1- Quando o gato da vizinha de Hubie aparece com os olhos bem abertos porque se sente ameaçado por Violet. Talvez ri mais do que devia, mas cá está, se é para rir do estúpido e do ridículo mais vale rir em momentos que têm animais, assim fico perdoada.  

2- A cena no carro com Maya Rudolph e Tim Meadows. Opá, aqui também era inevitável. Maya Rudolph é mestre das minhas gargalhadas e não sei porquê, mas mesmo sendo absurda, começo a rir sempre que a vejo no ecrã. É automático! Às vezes dou por mim a rir como uma maluquinha só por ouvir o nome dela. 

Pronto, foi isto. O filme está pintadinho de piadas que são repetidas até começar a fazer doer os ouvidos. Uma delas é que Hubie assusta-se facilmente, então, cada vez que vê um monstro de Halloween grita. Imaginem ver um filme de 1h30, numa cidade em festejos do Dia das Bruxas, com monstros por todo o lado e com um homem que grita sempre que os vê. Pois… já conseguem imaginar como é irritante, certo? A primeira vez ainda aceitamos, mas as outras 500 vezes já só queremos dar-lhe um murro.

Depois, temos outra que acontece sempre que Hubie está a andar de bicicleta. Assim que começa a pedalar aparecem, de todos os lados, objetos que são atirados à cabeça dele, pelas crianças da cidade… estes que estão constantemente a gozar com ele. Volto ao mesmo: Na primeira vez ainda mostramos os dentes, nas outras 1000 vezes já queremos ser nós a pegar numa bola e mandar-lhe à cabeça.

Só não tiro todo o mérito a este filme porque Hubie é uma personagem espelho da criança que todos temos, escondida na vida adulta. É uma emoção bonita, para mim. Afinal, neste mundo virado do avesso, às vezes é bom recordarmos a criança que fomos.

E, como já tinha referido, Hubie tem um coração gigantesco que protege todas as pessoas, independentemente da forma como é tratado. Bonita lição para nós adultos, que muitas vezes só temos tempo para olhar para o nosso próprio umbigo.

Acredito até que Adam tem o mesmo coração que Hubie, porque todas as suas comédias servem quase com as mesmas lições de moral. No final do filme descobrimos que, Hubie Halloween é dedicado a Cameron Boyce, o ator que morreu o ano passado e contracenou com alguns nomes do elenco.

Assim sendo e sem mais nada de jeito para vos contar, esta foi a minha experiência. Deixo um conselho grátis:

Se vais com o espírito bem preparado para o (ultra) ridículo, talvez tenhas uma boa comédia. Se não estás para aí virado, foge como o Hubie, sempre que é perseguido pelas crianças da cidade! 

 

Classificação TIL: 4 / 10

 

Texto: Sofia Correia
Foto: DR