Crítica: “Diamante Bruto” é o filme que faz de Adam Sandler uma verdadeira jóia


Escrito por:

“Diamante Bruto” é um filme diferenciador, a começar logo pelo ator principal.  Adam Sandler trocou as comédias ligeiras e banais por um thriller à flor da pele

Quem acedeu à Netflix nos últimos dias, certamente que lhe foi recomendado “Diamante Bruto”, logo no destaque principal da plataforma. Pudera, é provavelmente o filme mais esperado de Adam Sandler nas últimas décadas, por estar longe das comédias sem nexo e repetitivas, onde o ator costuma ser protagonista. Aqui, Sandler reinventou-se e mostra, num filme de mais de 2h, que é um ator que deve ser levado a sério.

A película é dirigida pelos irmãos Safdie (Josh e Benny), com produção executiva do ilustre Martin Scorsese e tem tudo aquilo que não estamos à espera de ver num filme com Adam Sandler: impactante e sem deixar o olhar de vista do ecrã.

Sobre a história, Howard Ratner (Adam Sandler) é um joalheiro judeu que trabalha na Diamond District, pequeno bairro em Manhattan (Nova Iorque), conhecido pela venda de joalharia de luxo, incluindo diamantes raros.

Howard é uma personagem que vive acima dos seus limites, sejam eles monetários ou relacionais. É viciado ao jogo (apostas) e tem uma amante (empregada da sua própria loja), enquanto gere o processo de divórcio com a atual mulher. É um americano nato nas suas pressas de vida, na busca do melhor de cada dia e do momento, sem pensar bem nas consequências dos seus atos, bem próximo do lema “carpe diem”.

A personagem interpretada por Adam Sandler consegue, através do mercado negro, obter uma opala negra (equivalente a um diamante de sangue), oriundo das minas na Etiópia. O preço daquele diamante obriga-o a procurar alguém que lhe consiga pagar uma fortuna. Encontra então na sua loja a estrela da NBA, Kevin Garnett (interpretado e bem pelo próprio). O jogador de basquetebol fica fascinado com tamanha preciosidade e está a fim de pagar uma loucura para ficar com aquela pedra para sempre.

Uncut-Gems crítica

Paralelamente, a vida de Howard caminha numa escala vertiginosa que não parece ter fim. Apear do negócio na loja não correr assim tão mal, o joalheiro não se consegue controlar e o vício das apostas intensifica-se, de tal forma, que todos os ganhos seguem esse caminho, mesmo quando ainda nada está garantido.

A linha entre adorar a personagem em algumas cenas e odiá-la em tantas outras é muito ténue. Todos simpatizam com alguém que arrisque e é optimista, como também se chateia facilmente com alguém que não parece ter controlo sobre si próprio e sem grandes modos de encarar a vida. É nesta personagem quase bipolar que Adam Sandler quase chegou à nomeação de melhor ator principal nos Óscares (fica-lhe a bastar as críticas positivas para continuar neste registo mais… profissional).

“Diamante Bruto” é um filme que vai por caminhos que não estamos habituados a ver no cinema. Enfrenta a aflição de alguém viciado ao jogo, com o optimismo que o melhor da vida está sempre para chegar. O filme está disponível desde o dia 31 de janeiro, na plataforma de streaming Netflix.

Classificação TIL: 7,5/10