Crónica Collippo: Um punhado de medidas para jovens numa pandemia

associação collippo

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Estamos novamente fechados mas há sempre alternativas para bem da nossa saúde mental e com um final feliz… de trabalho. Esta é a quarta crónica da Collippo.

Não é novidade para ninguém: passaram onze meses e a pandemia instalou-se como um ocupa que vem viver em nossa casa nos tempos de faculdade. Diz que fica um mês e quando damos por nós, estamos a abrir mão do sofá.

Com o impacto negativo da COVID-19 passa-se a mesma situação, só que ao contrário – ficámos com o sofá mas abrimos mão de muita coisa!

Para os jovens-adultos, especialmente os mais vulneráveis, as consequências estão aí, escarrapachadas em taxas de desemprego superiores às da crise de 2008 e nas fragilidades da saúde mental que aumentam a cada anúncio de um novo estado de emergência. Viver sem sustento e sem saúde foi a história dos nossos avós e, de repente, esse difícil passado parece-nos o futuro inevitável.

Estamos de frente para a onda mas não queremos que ela te apanhe sem que conheças o que está a ser feito e de onde poderá vir algum apoio. Por isso, metemos as mãos no Google e recolhemos algumas medidas – ou tentámos.

A dificuldade dos jovens em ingressar no mercado de trabalho era já um problema conhecido da União Europeia, que se agravou em 2020 e levou as instituições a investir largos milhares de milhões de euros em estratégias de apoio e incentivo à empregabilidade jovem.

Em Portugal, esta bazuca (que está enquadrada num programa que se dá pelo nome de “Garantia para a Juventude”) foi aplicada num programa já existente – o Garantia Jovem. Para teres acesso a este plano, começas por te inscrever, sendo-te devolvida, no prazo previsto de quatro meses, uma oferta de emprego, de educação, aprendizagem ou estágio. O programa abrange também aconselhamento adaptado nesta matéria, orientação e mentoria.

Já em Leiria, as medidas de apoio aos jovens ainda não são conhecidas, no entanto, está a decorrer o programa de apoio “LEIRIA FICA EM CASA. Este programa está dividido em várias áreas de apoio, desde empresas, idosos, comércio, serviços e saúde. Dentro de todas as áreas de apoio, as únicas que estão directamente relacionadas com a juventude é o apoio extraordinário cedido às associações e também um apoio a famílias carenciadas que acabam por ser apoios bastante indirectos ainda assim necessários.

Também foi criado o GIP – Gabinete de Inserção Profissional, que tem como objetivo apoiar jovens e adultos desempregados no seu percurso de inserção ou reinserção no mercado de trabalho, em cooperação com o Centro de Emprego de Leiria. Podes entrar em contacto com o gabinete via Facebook ou marcar atendimento presencial – o gabinete está sediado no Mercado Santana e é super disponível para te ajudar, já lhe fizemos uma visita e podemos garantir isso 😉

Apesar destes esforços, o que é facto é que a nossa urgência ainda não chegou aos olhos das instituições locais, pelo menos com o impacto desejado.

As estratégias levam o seu tempo a ser construídas mas há bons exemplos, especialmente no estrangeiro, que podem servir aqui, de base comparativa.

Vários países da OCDE, incluindo Estônia, Alemanha, Polônia e Suíça, lançaram iniciativas de participação online para envolver os cidadãos nos esforços de resposta e recuperação da COVID-19; já Itália, estabeleceu uma task force com várias partes interessadas para lidar com a disseminação da desinformação ligada à pandemia.

Também o Conselho Nacional da Juventude da Finlândia, que publicou “7 objetivos para manter os jovens envolvidos”, para fortalecer o setor da juventude, garantindo serviços de saúde para todas as idades, formação e apoio ao emprego em uma base temporária. E como a aplicabilidade destas estratégias é essencial, foram feitos briefings de imprensa online dirigidos a funcionários do governo para lhes transmitir a melhor forma de apoiar organizações lideradas por jovens, no meio da crise em 2020. Que linda, esta Finlândia.

Aplicar os fundos europeus em estratégias que já existem, sem cuidar de as rever, actualizar ou verificar se estão anacrónicas ou não colmatam as reais necessidades dos jovens nesta etapa é infelizmente uma história que se repete por cá.

Além disso, e ainda a nosso ver, este género de medidas, no nosso município, não são veiculadas em canais youthfriendly ou através de associações que trabalhem directamente com o público alvo. O mesmo é dizer que as medidas e estratégias podem existir e estar nas melhores intenções dos decisores políticos; contudo, enquanto não forem comunicadas eficazmente à população a que se dirigem, manter-se-á o clima de desinformação e a dificuldade de acesso aos programas.

Começámos este artigo a falar de desemprego e saúde mental, e no meio das pesquisas descobrimos que não estamos preparados para a próxima pandemia, ainda não foram lançadas medidas governamentais específicas para o bem-estar mental e emocional dos jovens. Essa parte continua a cargo das associações e movimentos, como a The Pineapple Mind que todos os dias vêem este tema a ser negligenciado, enfim, conversas para um próximo artigo.

Até lá, protege-te.