Festival Sopro: Primeira Edição aliou Arte Urbana e Tradição na Marinha Grande


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Chegou ao fim a primeira edição do festival “Sopro: Arte Pública” que aconteceu na Marinha Grande, entre 25 de Outubro e 13 de Novembro, numa iniciativa do Município com curadoria da associação Riscas Vadias, que já organiza o evento Paredes com História, em Leiria. O Festival foi inspirado na tradição vidreira do concelho e contou com três intervenções artísticas: duas pinturas murais e uma escultura no topo do Teatro Stephens.

“Numa terra no meio do pinhal entre Leiria e o mar Atlântico, o Homem criou o vidro da areia da terra e soprou-lhe o fôlego da criatividade.”

Para celebrar as pessoas que marcaram e marcam a vida do concelho, a capital do vidro recebeu Sopro, um Festival de Arte Urbana. O festival pretendeu ajudar à afirmação da identidade local “através da representação e homenagem ao património histórico (edificado e natural), ao património imaterial e à arte do vidro soprado”.

“A arte urbana é uma expressão artística poderosa e impactante que queremos estimular na Marinha Grande, este evento foi o início de um trabalho a longo prazo”, refere a presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande. De acordo com a nota divulgada, a intenção foi conseguir “a afirmação da Marinha Grande como ‘galeria de arte’ num novo cenário de turismo artístico e cultural de âmbito nacional e internacional” e obter o “reconhecimento como ponto de visita obrigatório no ‘tour’ de arte pública urbana”.  O projeto é inspirado na formação do vidro, considerada uma das mais surpreendentes descobertas humanas e com especial destaque para a região da Marinha Grande, detentora de uma reputação incomparável no que toca à defesa da importância do vidro no nosso país.

Em três intervenções artísticas assinadas por Ricardo Romero, Nuno Viegas e Robot, o certame homenageou os vidreiros, os bombeiros e os artistas, em particular, Joaquim Correia (1920-2013), um escultor marinhense cujo centenário do nascimento se celebra este ano.

“Esta é uma cidade muito recente, com 250 anos de uma história que coincide com a chegada de Guilherme Stephens e com a fundação da fábrica de vidro, em torno da qual se deu o seu desenvolvimento. A nossa abordagem foi a importância que o vidro teve para o desenvolvimento da cidade. Optámos por homenagear certos sectores que foram fundamentais para o desenvolvimento do concelho”, explica Ricardo Romero, da Riscas Vadias.

Em jeito de revisão daquilo que por estes dias se passou na Marinha Grande, a TIL reuniu uma nota biográfica dos artistas presentes e a descrição das obras executadas. Fica o convite para realizar uma tour de arte urbana pela nossa região, que já conta com inúmeras obras, cujo impacto artístico não é possível transpor para palavras, terá mesmo de as descobrir e contemplar ao vivo!

Ricardo Romero

 

 
 
 
 
 
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Ricardo Romero (1981) nasceu em Évora, e atualmente vive e trabalha em Leiria. A sua prática artística, com forte influência nas linguagens artísticas urbanas, estende-se por diversas tipologias de trabalho tais como pintura, escultura, fotografia e vídeo. Desde 2004, é convidado para diversas exposições, projetos de arte pública, festivais e publicações. Além de artista, tem sido também o curador e responsável por vários projetos de Arte Pública no decurso dos últimos anos.

Nuno Viegas

 

 
 
 
 
 
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Nuno Viegas, também conhecido por Metis, é um artista português nascido em Faro (1985) e criado em Quarteira. Fundador do coletivo Policromia Crew, teve como ponto de partida o graffiti em 1999. Após concluir os seus estudos em Artes Visuais na Universidade do Algarve mudou-se para Roterdão, nos Países Baixos (2014), onde descobriu uma nova identidade artística e começou a desenvolver a sua pintura, fortemente influenciado pelo graffiti. Esta subcultura do hip-hop tem sido o ponto central da produção do artista e a sua maior fonte de inspiração. Nuno apresenta-nos um contraste entre a realidade visualmente agressiva e suja deste mundo e a sua representação pacífica e limpa nas suas obras. A abordagem a este tema é um contínuo tributo a todos aqueles que dedicam parte das suas vidas a esta cultura, em busca de momentos, a troco de quase nada, no seio de uma sociedade cujo principal objetivo é a conquista de dinheiro e poder. Podemos ver o seu trabalho a expandir, em paredes e exposições de arte pelo mundo, com o objetivo de melhorar e avançar para o seu sonho – dar um tag (assinatura) na Lua.

Robot

 

 
 
 
 
 
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De nome artístico Robot, Fábio nasceu em Lisboa, em 1995. Vive e trabalha na mesma cidade. O seu interesse pelas práticas artísticas urbanas deu lugar ao cruzamento de várias linguagens, passando pela sua formação académica em escultura e audiovisuais, que lhe permitem problematizar acerca de temas que ressaltam no panorama da cultura atual. A diversidade de projetos e exposições em que participa, permite-lhe explorar os limites da sua prática, da expressão visual, e refletir sobre as proporções que a mesma pode adquirir.

 

No decurso do festival nasceram duas pinturas murais e uma escultura, inspiradas na ideia de que “a arte está na forma como o sopro dá corpo às coisas”.

Perseverança (Robot e Ricardo Romero)

 

 
 
 
 
 
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Na torre do quartel dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande foi pintada a obra “Perseverança”, que retrata a figura de uma bombeira. De acordo com os artistas, “é do conhecimento geral, que grande parte dos bombeiros em Portugal são voluntários. Homens e mulheres colocam a vida em risco para combater as chamas e ajudar os outros, sem pedir nada em troca. Esta pintura mural pretende, por um lado, ser vista como uma homenagem ao corpo de bombeiros, e por outro, através de um referente à natureza – o coelho– fazer referência à mata como um local recorrentemente em risco pelos fogos, que têm devastado várias regiões por todo o país”.

Clarão (Nuno Viegas e Ricardo Romero)

 

 
 
 
 
 
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Na fachada de um edifício na zona de Casal do Malta, junto à esquadra da PSP, nasceu esta pintura mural como uma homenagem à arte vidreira. A obra resulta da colaboração dos artistas Nuno Viegas, autor das mãos que detêm uma folha de papel, sobre a qual Ricardo Romero reproduziu uma fotografia de época, imagem histórica que evoca a tradição do vidro enquanto uma matéria-prima essencial para o desenvolvimento socioeconómico da Marinha Grande, desde os seus primórdios até à contemporaneidade.

É importante referir um detalhe, que à primeira vista pode passar despercebido: do sopro do artesão que cria uma peça em vidro sai um pássaro. Este pássaro não é nada mais que uma metáfora, não só para a importância da matéria-prima em uso, mas também, à semelhança da primeira intervenção, uma referência à natureza e ao património natural que envolve o concelho dos vidreiros.

Sopro (Ricado Romero)

 

 
 
 
 
 
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A terceira intervenção do festival surge no âmbito do centenário do escultor Joaquim Correia. É uma escultura com cerca de três metros de altura, que homenageia os artesãos do vidro. Nesta, a referência à natureza é subtil, com a presença de um esquilo no ombro da figura. O interesse do artista pela natureza e os recursos essenciais que dela provêm, são desde logo o motivo de grande parte da sua obra.

 

Pode ver rever mais detalhes do festival aqui.

 

Foto: DR