Crítica: Contigo Para Sempre é uma espécie de rewind ao nosso primeiro amor – talvez com um final mais feliz (ou então não)

Crítica contigo para sempre

Filmes de amor entre adolescentes existem vários. Mas o que Contigo Para Sempre tem de diferente? Leia a crítica ao filme.

Chegou hoje aos nossos cinemas mais um drama adolescente. Este género de filme resulta na maioria das vezes em sucesso e é provado ao longo do tempo, tanto nas salas de cinema como nas folhas de um livro. Penso que os filmes de romance adolescente terão sempre uma importância diferente, isto porque, quem é que não teve uma história de amor tensa no auge da adolescência? O primeiro amor nunca se esquece e por mais que custe admitir, Contigo Para Sempre (Endless) como tantos outros filmes do género, são um murro no estômago e uma máquina do tempo que nos leva aos dias mais felizes dos 17 e 18 anos. E claro, quem diz que não é lamechas, está a mentir. No fundo, todos nós somos um pouco!

O novo filme Contigo Para Sempre do realizador Scott Speer, tem toda a atmosfera típica de um filme da escola secundária, mas é apenas um guia porque expõe-nos a questões de profundidade surpreendentes, tornando-se numa exploração romântica do luto e do paranormal.

Logo no início o que é que identificamos? Melancolia, planos futuros e lutas derivadas desses mesmos planos. Planos distintos e que começam a ser a base de discussão do casal jovem que, até então, eram perfeitos um para o outro. Nada é perfeito na vida real e no cinema também não. Após um acidente de carro que tragicamente separou o casal para sempre, o filme começa a ser totalmente diferente. Sem querer revelar muito mais a história, basicamente temos um filme sobre culpa e saber deixar ir.

Riley (Alexandra Shipp) sente culpa pela morte do namorado Chris (Nicholas Hamilton), e tenta descobrir a todo o custo o que aconteceu naquele acidente de carro trágico. Chris está preso entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. Como por milagre, ambos encontram uma forma de voltar a estar ligados um ao outro e como? Através de um espírito, também preso entre dois mundos, que irá cruzar duas histórias e tornar este filme num sólido e tenso drama, em sintonia com uma história de amor que transcende a vida e a morte.

A verdade é que Contigo Para Sempre poderá não ser muito bem recebido, porque, tal como já referi, é um género bastante comum e há quem esteja cansado de ver sempre a mesma história (ainda que com caras e dramas diferentes). Para própria segurança do filme, o realizador criou alguns pontos guias diferentes para que consiga marcar uma posição. Tem, definitivamente, cenas familiares para todas as pessoas (as que gostam e não gostam de romances juvenis), e no final é surpreendentemente um filme com vários fatores de bom entretenimento.

Gostei bastante da jovem atriz Alexandra Shipp – é clara a sua dedicação e entrega, assumindo a personagem de forma bastante segura. Até porque, na minha perspetiva, acredito que não é fácil interpretar a pele de alguém que está de luto pelo amor da sua vida e Alexandra conseguiu superar o desafio de forma bastante competente.

A realização de Scott Speer e o guião de Andre Case e Oneil Sharma garantem que não existam vilões na história. Aliás, se tivesse de apontar um vilão, só mesmo o destino (ou será a morte?) que separou um casal de forma tão violenta. Este é um dos encantos do filme – a discussão em torno da justiça da vida e da morte ou do destino que nos controla. Acaba quase por ser uma reflexão brutal sobre o quão frágeis somos e como tudo muda da noite para o dia.

 

Podia tornar-se facilmente num filme de profunda tristeza, mas qual seria o objetivo disso? Contigo Para Sempre contornou (e muito bem) essa que poderia ser a maior falha, e foca-se no luto de uma pessoa que nos ensina lições de vida e morte, mas de forma leve. A questão é: será que Riley vai conseguir superar os vestígios deste amor?

Pode não ser um filme para todos (acho mesmo que não), mas é uma história que começa a ter forma de algo mais do um amor adolescente e as apostas começam a ser superiores. A mim, surpreendeu-me pela positiva, ainda que também eu esteja cansada do drama juvenil do tempo de secundário (fico deprimida e lembro-me que estou na fase adulta). Contigo Para Sempre põe o nosso coração no sítio, pelo menos para quem está disposto a absorver esta história num sentido mais sério.

 

Classificação TIL: 6/10

 

Texto: Sofia Correia
Foto: DR