Crítica: Restaurante Muralhas – vista para uns, delícias para outros

Restaurante Muralhas Leiria

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O Primo Basílio continua à descoberta dos melhores restaurantes para fazer as suas delicadas e boémias refeições. Desta vez escolheu o Restaurante Muralhas e nem só de vistas se deliciou…

Fora da cidade, o restaurante Muralhas ergue-se magnificamente para uma vista desafogada. Porém, antes há que saber onde colocar o veículo – e aqui lhe dou uma dica: ignore o estacionamento da frente na margem da curva. Opte pelo aparcamento na parte mais baixa e já dentro da propriedade.

A paisagem, como dizia, é espectacular. Ainda no exterior, qualquer cliente não terá pressa em entrar, pelo menos, sem antes perder ali uns minutos a encher os olhos com a beleza da zona.

Eu e a minha entourage fomos bem recebidos e, pouco depois, estava sentado com bebidas e entradas à minha frente.

Muralhas reabre pelas mãos de Chef João Pereira: “Serei cozinheiro a minha vida toda, um cozinheiro vai sempre aprendendo todos os dias.”

O espaço interior está bem decorado, com mesas de tamanho razoável que deviam ser mais bem fixas às bases (algumas oscilam nervosamente), sendo a vidraça o ex-líbris do espaço – esta será útil para os clientes que fiquem de frente para o desafogo de vista.

Mas e o que fazer quando há quem fique de costas?

Esta é uma questão que tenho sempre quando entro num espaço altamente encantador num lado, mas enfadonhamente normal no noutro. Dado o contraste, a normalidade torna-se ainda mais banal. Por isso, não compreendo a ausência de astúcia para tornar paredes menores em pormaiores.

Ao utilizar a casa de banho, noto imediatamente a falta de uma remodelação que as deixe mais actual e até em harmonia com o resto do espaço – ao contrário da sala principal, ali sente-se frio e desconforto. Também não se compreende a falta de um dispensador de toalhetes de papel que, especialmente agora, é mais seguro do que as higiénicas toalhas individuais, que se encontram ao lado do lavatório.

Com nomes claros e sugestivos, o cardápio apresenta-se simples e direto; através do mesmo pode-se escolher uma quantidade de iguarias suficiente para este tipo de restaurante – com qualidade.

Ao recebermos os pedidos, os nossos olhos ficam maravilhados: apresentação com gosto em louça bem escolhida, quantidade a condizer com o preço (um dos erros em restaurantes similares é a redução da quantidade) e qualidade nos produtos: bem cozinhados, temperados e com acompanhamentos bem escolhidos.

Porém, toda a regra tem excepção e o pato não sabia assim tão a pato: talvez um confitado ficaria melhor na carta e na boca.

Curioso foi ainda o meu comentário ao chefe sobre tal pato sensaborão, em contraste com as restantes iguarias, ter parecido cair em saco vazio. Isto é, ter entrado por um ouvido e saído por outro. Mas pode ser erro de análise.

O que não é erro nenhum é pedir sobremesa. Bem se sabe que o bicho do açúcar pede sempre por mais e, às vezes, tendemos a querer contrair o ímpeto. Tudo certo, menos aqui. Peça sem medo e com orgulho. Peça, que vai ter uma explosão de sabor dificilmente inigualável.

A carta de vinhos, com quantidade reduzida e preços atrativos é apresentada a seu tempo e, após a escolha, é servido com elegância, mas cautela: todas as garrafas que são servidas devem ser abertas e o vinho dado a provar, mesmo que seja igual ao anteriormente bebido.

Os colaboradores do Restaurante Muralhas são bastante agradáveis e o serviço acima da média, notando-se pequenas falhas por falta de atenção e um pouco de informação apressada sobre o menu. A simpatia é bem-vinda e nota-se que é uma marca da casa.

Com um terraço onde gostaria que o relógio parasse, pena é o tempo nem sempre ajudar, como foi o caso. Mas aí já nada podemos esperar que se faça, apenas estar à mercê de outras vontades.

A visita ao Restaurante Muralhas contribuiu para um agradável serão; a comida estava óptima – fora a excepção – e o preço está dentro do normal, talvez um pouco inflacionado devido à paisagem que nem todos os clientes podem desfrutar.

 

Nota Basilar: 8/10