5 melhores filmes de 2019, segundo a redação da TIL


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A nível cinematográfico o ano de 2019 foi de ouro. Grandes e bons filmes de Hollywood, renovados e extontiantes da plataforma Netflix. A redação da TIL escolheu aqueles que para eles foram os 5 melhores filmes de 2019.  De fora ficaram outros (também votados) como por exemplo Knives Out, Variações, The Lighthouse ou J’ai perdu mon Corps. Siga a lista:

5. O Irlandês 

Quem assassinou Jimmy Hoffa e onde está o seu corpo? O mistério da morte do líder do sindicato dos camionistas americanos com ligações à máfia é um dos enigmas do século nos EUA, e o novo filme de Martin Scorsese dá uma resposta a esta questão.

Em 2019, ver um filme de mafiosos de três horas e meia, com Robert de Niro, Joe Pesci e Al Pacino nos papéis principais seria algo a encarar como pouco prazeroso, algo que se faria em 1995, mas não agora. Mas quando vemos “O Irlandês” lembramo-nos porque é que isto resulta, as razões de Pacino e De Niro serem dois dos melhores atores de cinema de sempre, e de Scorsese ser um realizador e cinéfilo notável.

É um filme sobre um gangster reticente, sobre como “o trabalho” se sobrepõe à família, e além disso, a última meia hora é uma reflexão sobre a mortalidade. E isto quase nos faz esquecer o facto de não ter estreado em sala em Portugal, como tem acontecido com os últimos filmes da Netflix.

 

4. Parasitas

“Parasitas” não é apenas uma comédia, nem um drama, nem um thriller – é tudo isto ao mesmo tempo, ou não fosse realizado por Bong Joon Ho, um realizador que gosta de saltitar entre géneros de cinema. Este filme coreano contam a história da família Kim, que vive numa cave e dobra caixas de pizza para sobreviver. Até que o filho mais novo é aliciado para um esquema: forjar um certificado de habilitações e começar a dar explicações à filha de um casal rico, os Park. E rapidamente, o jovem Kim consegue pôr toda a família a trabalhar em casa do casal rico, através de uma série de esquemas e mentiras. A meio há uma reviravolta… e não contamos o resto para não sermos spoilers.

O vencedor da Palma de Ouro na última edição do Festival de Cannes é um filme de um humor negro muito mordaz. E a crítica social é uma constante, num filme que vai a tantos temas que é um milagre como resulta tão bem.

 

3. Era uma Vez em… Hollywood

É um quase um sacrilégio sugerir aos leitores da Til que vejam o último filme de Quentin Tarantino, alguém que continua a filmar em película, num ecrã de televisão. Mas a principal razão nem é essa – “Era uma Vez em… Hollywood” é uma homenagem ao cinema e à Hollywood dos anos 60.

No último filme do realizador de “Pulp Fiction” seguimos Rick Dalton (Leonardo diCaprio) e Cliff Booth (Brad Pitt). O primeiro é um ator de séries de televisão a chegar à meia-idade que quer dar o salto para o cinema, cheio de inseguranças, enquanto o segundo é o seu duplo e assistente pessoal, que o segue para todo o lado, no melhor bromance ficcionado em 2019. A forma como a sua história se entronca na de Sharon Tate (Margot Robbie); no fim do sonho hippie; e nos crimes de Charles Manson (um dos mais notórios serial-killers americanos), é mais uma maneira de confirmar que Quentin Tarantino deveria ser considerado património nacional americano.

2. Marriage Story

Ao contrário do anunciado no título, “Marriage Story” é a história do divórcio entre Charlie (Adam Driver) e Nicole (Scarlett Johansson), o casal protagonista deste lançamento da Netflix. O filme é realizado por Noah Baumbach (A Lula e a Baleia; Frances Ha), que também é autor do argumento, e isso sente-se –  os diálogos são longos, mas soberbos e plenos de vivacidade, não fosse o realizador americano um dos melhores herdeiros de Woody Allen.

Ambos os atores principais estão no ponto mais alto da sua carreira e a câmara de Baumbach nunca chega a ser intrusiva enquanto acompanha Charlie e Nicole neste longo e difícil processo de separação, desapego e divórcio. O respeito pelas personagens e a honestidade com que esta narrativa, onde cada detalhe é inserido com propósito ilustrativo, nos é apresentada, faz com que o filme seja um dos mais fortes candidatos aos Oscares.

 

1. Joker

“Alguém com insensibilidade aos sentimentos alheios” ou “falta de empatia por outrem” são duas características utilizadas num bom dicionário como definição da palavra “psicopata”. Em “Joker”, Arthur Fleck (Joaquin Pheonix), é arrastado pela lama durante a maioria do filme, vítima de todo o tipo de maus tratos por sofrer de uma doença mental, autêntica via-sacra que termina na sua transformação num psicopata homicida.

Não é mais um filme da série-Batman, muito menos de super-heróis. Muito pelo contrário – trata-se de um thriller dramático onde a manipulação digital de imagem é mínima, nenhuma das personagens tem poderes especiais e as poucas cenas de violência são realistas e filmadas com crueza e secura.

Na cena mais “interativa” do filme, um anão acabou de ser testemunha de um homicídio e não consegue chegar à maçaneta da porta do quarto onde está preso com o assassino. Rimo-nos com a situação, perpetuando o ciclo de bullying,  ou sentimos empatia por quem está em perigo e tenta fugir? Há poucos filmes que nos façam sentir um murro no estômago quando os vemos, e este é um deles.

 

Foto: DR