Em forma de revolução e energia – o 2º. dia de Extramuralhas


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O segundo dia da décima edição do Extramuralhas proporcionou-nos despedidas, estreias nacionais e mensagens políticas bastante vincadas. Durante este dia o Museu de Leiria apresentou-se para um concerto das Les Fragments de La Nuit e, igualmente, o jardim Luís de Camões iluminou-se de crentes e curiosos, apresentando dois concertos gratuitos.

No Teatro José Lúcio da Silva fez-se história com o concerto de estreia nacional, no entanto, em modo de despedida dos palcos, dos Belgas Siglo XX– pode ser pronunciado como Siglo Veinte ou Siglo Iks Iks.

Surgidos na década de 70, estiveram ativos até 1991, percorrendo influências como Joy Division e Factory Records. São considerados como uma das bandas mais influentes no seu país , juntando-se no ano passado para uma turné de despedida dos palcos, que terminou ontem de forma memorável.

Apresentando-se com camisas e calças negras, os seis membros de Siglo XX estavam preparados para iniciar o concerto. Passando por temas como “Until a Day”, “Sister Suicide” – que mostrou um público mais entusiasmado e desinibido– e até “After The Dream” o seu Cold e Darkwave demonstraram que a qualidade, a destreza e a energia continuam deveras presentes nesta banda com mais de 40 anos.

O estilo subtil e sedutor, por vezes explosivo e frenético do vocalista, prendia qualquer espectador. O poderoso poder da lírica e do instrumental inquietaram algum público presente, levando-os a levantarem-se e a usufruírem da música com danças entusiastas.

Henric de La Cour

Após uma grande ovação, Siglo XX voltaram para o encore, terminando com o tema que faz jus ao fim da sua carreira: “It’s All Over Now” (Está tudo acabado agora).

Quinze minutos depois estava tudo a postos para a atuação dos ingleses Test Dept., que iniciaram ontem, em Leiria, a tour pela Europa. Formados em Londres, em 1981, são uma das primeiras bandas industriais do mundo. Voltaram aos palcos em 2014. Em 2019, vinte e dois anos depois, editaram o álbum “Disturbance”, onde definitivamente regressaram às suas origens (Industrial e Eletrónica).

A plateia demonstrou-se menos preenchida, mas de facto quem assistiu a este concerto decididamente entrou por um universo revolucionário, anti-guerra onde as mensagens humanitárias, combinadas com o som por eles produzido, nos fez aumentar o nosso espírito crítico.

A complexidade e inteligência como banda – o facto de utilizarem desperdícios industriais em palco, como faziam nos seus primórdios – as batidas fortes, as vozes contagiantes e os vídeos impactantes que passavam pela tela – os Test Dept. conseguiram demonstrar a crueldade e injustiça que existe na humanidade. E tudo isto de forma tão bem concebida, ficando rotulado desde já, como um dos grandes concertos do Extramuralhas!

Henric de La Cour

Já no jardim Luís de Camões atuou um dos grandes nomes de culto na Escandinávia: o sueco Henric de La Cour, que com a sua atitude misteriosa e voz única se estreou pela primeira vez em Portugal.

Às 00h30, Shannon Funchess apresentou-se com o seu novo projeto Light Asylum. Recebida numa avalanche de pessoas, a sua energia e atitude em palco contagiou qualquer ouvinte presente no jardim. A multi-instrumentalista apresentou diversos temas, mas sem dúvida que o ponto alto ficou em “Dark Allies”, a música que colocou o público ao rubro do início ao fim.

Light Asylum

A noite terminou no Stereogun com o concerto de estreia dos italianos The Lust Syndicate.

Sábado é o último dia da 10.ª edição do Extramuralhas e começa no Museu de Leiria, às 18h, com o concerto de Meta Meat. Mais tarde, naquele que é o concerto mais aguardado do festival, She Wants Revenge, no esgotadíssimo TJLS e dois concertos grátis no jardim Luís de Camões: Black Nail Cabaret e Wulfband. Termina na Stereogun com Traits.

 

Texto: Filipa Gaspar