Crítica: Tenet é o filme dos retrocessos onde a complexidade diz sempre presente

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O último filme de Christopher Nolan já está em exibição. Tenet tem momentos excelentes e outros nem tanto – e isso não é assim tão habitual na plenitude do universo Nolan’iano.

Foi na passada quarta-feira, dia 26 de agosto que estreou finalmente, aquele que diria ser o filme mais esperado do ano: Tenet. O novo filme de Christopher Nolan foi diversas vezes adiado, devido à pandemia mundialNo entanto, a Warner Bros. manteve a sua palavra de lançar o filme ainda este ano e assim o fez. O mundo agradece! 

Estreia esta semana em 70 países, mas só chega aos EUA no dia 3 de setembro. Isto porque, há um significativo aumento de casos da Covid-19 e por isso será dos últimos países a ter a última obra de Nolan nos grandes ecrãs. E por falar em grandes ecrãs, Tenet é daqueles filmes que devia ser obrigatório ver na maior tela possível!  

Nas últimas décadas, o realizador Christopher Nolantrouxe aos cinemas uns dos filmes mais aclamados da história. De tantas provas dadas de um talento transversal, fui para o cinema com as expetativas elevadíssimas. Porém, posso já adiantar que não me levou ao céu.  

Antes de falar um pouco sobre a nova história que Nolan adaptou para o grande ecrã, começo pelas qualidades técnicas. Isto porque é de longe, na minha perspetiva, a melhor qualidade do filme. Já em filmes anteriores tínhamos tido uma experiência visual incomparável, como em A Origem, Interstellar ou Dunkirk. Tenet mantém o nível de excelência. Todas as sequências de maior complexidade são grandiosas e levam-nos para uma viagem de ação excelente que nos deixa completamente arrepiados. Hoyte Van Hoytema é o responsável da cinematografia de Tenet e mostra ter um controlo superior da câmara, capaz dea captar ângulos fantásticos sem perder um único minuto da ação. Dei por mim no cinema, a tentar olhar ao mesmo tempo para todos os cantos do ecrã, com medo de perder algum pormenor.  

Agora, um pouco sobre a história. Em Tenet conhecemos The Protagonist (John David Washington). Este homem tem a missão mais importante e prioritária do mundo: impedir a Terceira Guerra Mundial utilizando apenas uma palavra: Tenet. Entramos de cabeça num espetacular mundo de espionagem que envolve alto conhecimento científico e teorias sobre a relatividade do tempo, bem ao estilo de Nolan. Não seria um filme dele, se não tivesse a componente científica ou temporal.  

Tenho imensas dificuldades em tentar escrever um pouco mais sobre esta história. É que, na minha opinião, é mais fácil de ver do que ler. Também é uma característica do realizador – complexidade da história. Ainda que o filme indique todas as explicações que necessitamos para o compreender, aconselho a estar com a máxima atenção. Mesmo que até não seja difícil de entender a história, é preciso acompanhacada segundoou então há um grande risco de perder o caminho e a cena seguinte já não vai fazer sentido nenhum. Pode arruinar toda a experiência alucinante do filme.   

Tenet é uma evolução aprofundada dos conceitos abordados por Nolan noutros filmes. E com isto, a complexidade pode parecer maior. Para quem não é familiar a conceitos de física quântica ou relatividade do espaço, como eu, até pode começar a assustar. Mas não vale a pena. É prender os olhos ao ecrã e tudo vai começar a encaixar. 

 

Agora é a vez do elenco! Pela primeira vez temos John David Washington e Robert Pattinson numa dupla de companheirismo e com muito carisma. Acho que é seguro afirmar que Robert Pattinson faz um trabalho impecável, no qual vai evoluindo ao longo da história. Supera a prestação de John, que não me fez saltar da cadeira, tão pouco me fascinou. O elenco conta ainda com a presença de Elizabeth Debicki, Kenneth Branagh, Aaron Taylor-Johnson e, o já habitual, Michael Caine.  

De todos os nomes, é Elisabeth Debicki que me surpreende. Cada minuto dela no ecrã é de pura emoção. A personagem dela é a responsável por uma das cenas chave e já na parte final do filme teve um momento brilhante que me fez querer bater palmas! 

Em Tenet, a banda sonora é assinada pelo compositor Ludwig Göransson. Desta vez não é Hans Zimmer que encanta os nossos ouvidos, mas não é por isso que deixámos de ter música de igual qualidade. Não senhor! A banda sonora é uma maravilha e ajuda a desenvolver os vários momentos de alta adrenalina.  

Tenet é ou não é um filme que vai ficar na memória? Tenho dúvidas de que fique na minha. Não é problema dnarrativa complexa sobre o tempo ou de John David Washington que não foi assim tão protagonista. Acho que o problema de Tenet é que não nos envolve. Não é daqueles filmes que me fez sentir “parte da equipa”. Não me vi dentro dele. Como não houve espaço para mais desenvolvimento emocional das personagens (há exceção da personagem de Elizabeth), criamos uma relação frágil. Por isso, é provável que daqui a uns anos recorde Tenet pelo brilhante trabalho da equipa técnica. Foi, se calhar, a melhor experiência visual de sempre. Mas mais do que isso? Creio que não vai acontecer.  

Só digo isto: IMAX. Quem tiver oportunidade de ver Tenet em IMAX, que aproveite! Há alta probabilidade de se tornar na melhor ida ao cinema da vida!

 

Classificação TIL: 7 / 10

 

Texto: Sofia Correia
Foto: DR