Quem passa na rua direita não lhe fica indiferente: Fomos conhecer o rosto simpático da Cestaria Fonseca


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Teresa Neto
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    Uma loja à beira da Rua Direita, no centro de Leiria, com cestos de verga e chapéus a decorar a entrada da loja e uma senhora muito simpática a dar as boas vindas a quem entra. Já se sabe qual foi a loja que a TIL foi visitar: a Cestaria Fonseca.

    Felismina Esteves Soares faz, a 13 de dezembro, 90 anos e já conta 70 anos de história em Leiria a fazer a arte da cestaria, uma herança que vem de família.

    A fachada da loja foi pintada pela ilustradora leiriense Elsa Poderosa.

    Dona Felismina é natural de Gonçalo, Guarda, e foi de lá que trouxe a arte de tecer. Os pais e avós já trabalhavam com verga e vime e aos 9 anos, D. Felismina desistiu dos estudos e a mãe obrigou-a a ir trabalhar com o pai. “Num dia, em Gonçalo, nevava muito e uma colega minha chegou à escola a tremer de frio, a rapariga entornou o tinteiro (onde molhava a pena para escrever). A professora zangada bateu-lhe com a palmatória até sangrar. Passei-me da cabeça, levantei-me e disse «oh sua filha de uma grande p***, a mim não me faz isso».  A professora veio atrás de mim com a palmatória e fugi pela janela”. Foi assim que começou a história de D. Felismina na arte dos cestos.

    Casou com 21 anos e passado uns meses chegou a Leiria, onde abriu a primeira loja no terreiro (uns anos depois mudou-se para a atual loja, na Rua Direita). O marido também era cesteiro e, apesar de ser de Gonçalo, trabalhava na Figueira da Foz com os pais. Levou a sua esposa, D. Felismina, para lá e conheceram uma senhora que os convidou a viverem em Leiria, em 1950. “Em Gonçalo cesteiros havia muitos, cá o negócio rendia mais, não havia quem fizesse os cestos”, explicou a cesteira mais antiga da cidade.

    “Já ensinei muita gente a tecer, mas agora já não consigo trabalhar”

    Uma rachadeira e dois furadores são os utensílios necessários para trabalhar o vime e a verga, o material mais usado para fazer os cestos, as cadeiras, as carteiras e as ceiras de bebé. Hoje já não trabalha na cestaria, no entanto, continua a ser a cara da loja que faz parte da identidade da cidade do Lis. “Já ensinei muita gente a tecer, mas agora já não consigo trabalhar”.

    Felismina Soares é cesteira há 80 anos.

    D. Felismina passa os dias na loja, mas admite que já não vende como antigamente, o comércio local já não é o que era, agora as pessoas vão a grandes superfícies e compram a preços mais baixos. “Há dias que vendo muito, outros que não vendo nada, mas tenho os clientes habituais que já cá vêm há muitos anos!”, exclamou a vendedora.