Horse Head Cutters: a banda do lado mais obscuro tem novo videoclip


“Mesmo quem trabalha com editoras tem de dar muito ao dedo e trabalhar com afinco”. Semanas depois de lançarem um videoclip para o single “Astonishing Madness”, os Horse Head Cutters são uma das bandas convidadas para o “Há Música na Cidade”. A TIL esteve à conversa com Z. Mutt, vocalista da banda de Leiria, que melhor aproveita a herança glam-rock dos anos 70 e 80.  

 

  • Como surgiu a ideia de gravarem este novo vídeo? 

Hoje em dia a música vive mais de singles e clips do que propriamente álbuns. Apresentámos o “Glam Hooves” [primeiro longa-duração da banda] em setembro do ano passado, mas gostamos de fazer videoclips porque acho que resultam melhor. São mais diretos, juntando imagens à música, cativa-se as pessoas. Daí querermos fazer um segundo clip do álbum, mesmo sem sabermos bem que música escolher. Foi então que conheci o Carlos Calika e me familiarizei com algum trabalho de cinema e vídeo dele, um mundo bastante sinistro, cheio de tripas e sangue… E fiquei cheio “de pica” em trabalharmos juntos.  Escolhemos a “Astonishing Madness” por retratar um ambiente bizarro, semelhante ao que eu tinha visto no seu trabalho. Como alguém que já tem bastante experiência, acabou por ser o Carlos a tomar a maior parte das opções, ao contrário dos outros vídeos, em que estive sempre muito em cima do processo, estava tudo na minha cabeça.

Gravámos tudo na Galeria Cabaret, em Abiúl, perto de Pombal, convidando uma equipa de atores para se juntar à banda, e o resultado foi exatamente o esperado. Estamos bastantes contentes com o vídeo. 

 

  • Consideram-se uma banda de espírito Do It Yourself

Não temos qualquer editora ou algo do género… Mas não sei se podemos afirmar que somos uma banda DIY, para gravar tanto o EP como este álbum agora tivemos de ir para estúdio, assim como para gravar os clips tivemos sempre alguém, nunca trabalhamos sozinhos. Contudo, os custos saem sempre do nosso bolso. A componente que é exclusivamente nossa é a música, além da busca em encontrarmos sítios para tocar, de resto partilhamos sempre o trabalho com amigos e conhecidos.
O problema é que ao trabalhar assim o dinheiro muitas vezes fica bastante limitado; além disso é difícil ter contactos sólidos para encontrar bons sítios para tocar. Daí sentir falta em trabalharmos com uma editora. Contudo acho que mesmo quem trabalha com editoras não tem o trabalho todo feito; do que conheço do mundo da música em Portugal, mesmo quem trabalha com editoras tem de dar muito ao dedo e trabalhar com afinco… E ainda assim, não acredito que se consiga viver somente da música, salvo casos pontuais.

 

  • A primeira vez que tocaram no “Há Música na Cidade” foi na última edição, em 2015. O que mudou desde aí na relação de Leiria com a música? 

Tocar na última edição foi um enorme prazer… As coisas nesse dia são bastante diferentes de um concerto habitual, com imensas bandas e tudo a acontecer ao mesmo tempo. Acho que é isso que dá a verdadeira piada a este festival.
Leiria cresceu bastante em termos de eventos musicais e não só. O Festival A Porta, o Há Música na Cidade e o Entremuralhas são os que mais se destacam. Mesmo só tendo tocado no Há Música na Cidade, cada festival tem a sua identidade, as suas escolhas, e assim deverá continuar. Bares para concertos é que já há poucos, mas também não vejo necessidade de muitos, senão acabavam por  repetir muito do que se passasse. A principal sala para mim é sem dúvida a Stereogun, que sempre nos recebeu da melhor forma e com as melhores condições, foi lá que apresentámos o nosso álbum.
Fora de Leiria, é procurar, falar com pessoal e receber convites… Isso funciona de uma forma um pouco intermitente, mas acho que não nos podemos queixar muito.

 

O que podemos esperar dos Horse Head Cutters para 2020? Planeiam lançar música nova?

Agora temos o Há Música Na Cidade e de seguida vamos a Abiúl, ao Galeria Cabaret, onde gravámos o clip.  Depois paramos um bocado para começar novamente a compor. Para 2020 já não falta muito, penso que seja difícil apresentar algo significativo; mas para 2021 esperamos já ter algo a lançar. E contamos surpreender, sinto que vem aí algo novo… Até para nós mesmos.  

 

Texto: Marco Marques 
Fotografia: Diogo Costa (in Facebook Capitão)