Estes são os 7 artistas de street art que vão dar cor às ruas de Leiria


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Mais paredes pintadas, mais exposições e mais esculturas, é assim que Leiria se torna cada vez mais rica artística e culturalmente. Até dia 6 de outubro sete artistas vão estar espalhados pela cidade para mostrar a sua arte.

A 3.º edição de “Paredes com história: ARTE PÚBLICA” arrancou no passado fim de semana e, até ao final do evento, a cidade vai contar com 16 intervenções (13 pinturas e 3 esculturas).

Mas quem são os artistas que vão dar vida artística à nossa cidade? 

 

  • Projeto Matilha

Ricardo Romero nasceu em 1981 e, atualmente, vive em Leiria.

Projeto Matilha é o projeto artístico de Ricardo Romero, que pretende consciencializar as sociedades para questões relacionadas, essencialmente, com os direitos humanos e dos animais. ​Assume uma linguagem estética, técnicas e uma certa atitude provocadora e controversa, escolhendo a rua como o cenário por excelência para as suas obras, respeitando e valorizando assim as raízes que tem no graffiti.

Curioso e persistente por natureza, autodidata por resiliência, assim se define o artista leiriense. Começou a pintar em 1994, em Évora, afastado dos grandes centros urbanos. Cinco anos depois assumiu uma identidade no mundo do graffiti, Ship, tendo sido um dos pioneiros exploradores da técnica do stencil e do recurso a vetores no graffiti em Portugal.

Levado por uma certa inquietude e sensibilidade em relação às questões dos direitos dos animais, naturalmente começa a explorar e desenvolver a imagem e o tema do “animal” nas diversas intervenções artísticas que realiza. Nasce assim o Projeto Matilha.

A par deste projeto, é diretor artístico do UIVO – ecos de arte com animais e gente dentro, iniciativa da qual é co-fundador; e está envolvido em vários projetos relacionados, sobretudo, com a arte urbana.

 

  • Nuno Viegas / Metis

Nuno Viegas, também conhecido por Metis, é um artista português nascido em Faro (1985) e criado em Quarteira. 

Fundador do coletivo Policromia Crew, teve como ponto de partida o graffiti, em 1999. Após concluir os seus estudos em Artes Visuais pela Universidade do Algarve, mudou-se para Roterdão, nos Países Baixos (2014), onde descobriu uma nova identidade artística e começou a desenvolver a sua pintura fortemente influenciado pelo graffiti

Nuno apresenta um contraste entre a realidade visualmente agressiva e suja do mundo e a sua representação pacífica e limpa nas suas obras.

Em 2016 trabalhou com Street Art Today, em Amsterdão, que o lançou rapidamente para o cenário do Street art, chamando a atenção do Urban Nation Berlin – Museum for Contemporary Urban Art. Nos anos seguintes o artista tem trabalhado com Yasha Young Projects, Graffiti Prints, Thinkspace Gallery e Nextstreet Gallery. O seu trabalho está a expandir, em paredes e exposições de arte pelo mundo, com o objetivo de melhorar e avançar para o seu sonho – fazer um tag na Lua.​

 

  • Sebas Velasco

Sebas Velasco desenha desde criança, mas foi em 2004, que na sua cidade, começou o graffiti. Posteriormente, mudou-se para Bilbao (Espanha), onde se formou em pintura nas Belas Artes. Sebastian Velasco tem uma técnica inata. As suas “telas” são principalmente as paredes e as mesas. Os materiais utilizados são óleo, acrílico, spray e lápis.

Depois de estudar Ilustração em Barcelona, foi selecionado pela Fundação Antonio Gala para participar numa residência Artística, como bolseiro, onde terminou o seu projeto de pintura “Around the Wall”.  Sebas Velasco participou em projetos como a paisagem Paular, organizada pela Real Academia de San Quirce Palacio Quintanar, em Segovia.

O seu trabalho foi exposto individual e coletivamente em várias cidades do norte da Espanha, recebendo vários prémios, nomeadamente o primeiro prémio na segunda competição internacional de desenho, organizada pela Associação de Federações Esportivas da Catalunha e o Prémio Climent Muncunill para jovens artistas.

Durante todos estes anos, Sebas mantém uma atividade contínua na rua, pintando paredes em diferentes cidades espanholas e europeias. É nas ruas que encontra a inspiração para o seu trabalho de estúdio. Desta forma, no programa “Public Provocations”, começa com writers em ação e, a seguir, amplia sua atenção para outros conceitos, como Street-culture, arquitetura ou vida noturna.

 

  • Guido Van Helten

Guido van Helten é um artista de artes e fotógrafo nascido na Austrália (1986). Um artista reconhecido internacionalmente que cria street art contemporânea no mundo. Sustentada pela sua pesquisa de identidade nas comunidades, gerada através da fotografia e instalações murais de grande escala.

Nascido em Camberra, cresceu no interior da cidade de Melbourne, Austrália, o artista foi influenciado em tenra idade por movimentos tradicionais de graffiti levando-o à introdução precoce do aerossol. 

É Bacharel em Artes Visuais, com especialização em gravura pela Southern Cross University.  Guido começou a desenvolver o seu trabalho a partir dos seus interesses em viagens, fotografia, arquitetura e aprendizagem sobre culturas e suas paisagens, agora estreitamente alinhado ao movimento do grande muralismo no mundo inteiro.

Nas comunidades regionais na Austrália, Guido foi nomeado para o prémio Sir John Sulman na Galeria de Arte de NSW, em 2016, pelo trabalho desenvolvido na comunidade de Brim, Victoria.

Estes interesses e a sua capacidade de trabalhar em projetos de grande escala estimularam viagens pelo mundo, por toda a Europa, Escandinávia, Estados Unidos e Austrália.

The Caver

Natural de Lisboa (1983), The Caver é um artista principalmente de rua, mas que tem trazido também o seu trabalho para galerias. 

O artista começou com graffiti tradicional nas ruas em 1998, mas hoje em dia podemos ver o seu trabalho evoluído e refinado em grandes fachadas e murais de várias cidades.

O seu trabalho é bastante caracterizado pela utilização de formas simples, mas bastante fortes, aliadas a uma harmoniosa composição de cores e um conteúdo muitas vezes enigmático.

 

  • Tenório

Tenório é um coletor, os objetos que guarda, no seu dia-a-dia, são muitas vezes o ponto de partida para o seu imaginário. Tem como um dos passatempos favoritos da vida, as personagens criadas a partir de estranhos em cruzamentos, no autocarro ou na esplanada do café.

 

  • Jorge Charrua

Jorge Charrua, 1991, natural de Vila Franca de Xira, inicia a sua atividade artística, em 2004, no graffiti. É Licenciado em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes, de Lisboa. A sua obra vive num equilíbrio de saudosismo e nostalgia com temas contemporâneos, através de iconografias e símbolos, como a cultura de Hip-Hop, Videojogos e História de Arte, recorrendo a uma pintura tradicional para estabelecer esses pontos de contacto. 

O processo passa por uma investigação de realidades díspares, de elementos não compatíveis e no desafio por estabelecer relações improváveis entre esses mesmos elementos. A representação da figura humana surge num jogo entre melancolia e afirmação, com a relação da bidimensionalidade dos fundos criados pelos sinais gráficos.

O trabalho de investigação vai-se manifestando também no exterior, sendo o desafio, manter a coerência plástica do trabalho de atelier e o trabalho de mural, com base do conhecimento adquirido sobre a arte académica e a arte de Rua.

Até 6 de outubro, as ruas da cidade de Leiria vão ser a tela destes artistas.  Intervenções às quais é possível assistir de forma gratuita. Basta apenas deslocar-se até aos seguintes espaços:

Intervenções

  • Nuno Viegas– 09/09 a 15/9 – M|i|mo – Museu
  • Sebas Velasco – 14/9 a 19/9 – Bairro Sá Carneiro – Marrazes
  • Guido Van Halten – 17/9 a 24/9 – Avenida Marquês de Pombal, 37
  • Jorge Charrua – 22/9 a 27/9 – Local a designar
  • Projecto Matilha – 04/10 – Centro Cívico

Exposição

  • The Caver – 07/9 a 6/10 – Gallery & Studio: Rua Cmd João Belo, 31 A
  • Tenorio – 14/9 a 6/10 – Livraria Arquivo – Bens Culturais, Av Combatentes da Grande Guerra

Master Class 

LAPIN – 4 a 6 Outubro – Urban Sketch Gallery & Studio

Conferência

BEYOND WALLS – Conferência/sessão participativa – 5/10

Paredes com História – Visita Guiada – 6/10

Texto: Cláudia Borges Monteiro

Fotografias: DR