Caçador de Abandonados que ganhou o prémio de Blog do Ano é natural de Leiria


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André Ramalho, designer gráfico, de segunda a sexta-feira percorre o País, nos tempos livres, à procura de locais devolutos e partilha tudo no seu blogue.

O jovem de 28 anos, natural de Leiria, sempre gostou de visitar e tentar descobrir sítios abandonados. A ideia de criar um blogue surgiu quando percebeu que nos grupos de Facebook dos quais fazia parte havia imagens que não estavam acessíveis a todos – “Abandonados”. Surgiu assim, em 2014, e foi este o blogue que ganhou o prémio de Blog do Ano de 2018, numa competição composta por cerca de 60 participantes.

Em “Abandonados”, as fotografias são acompanhadas por um texto que retrata não só a sua experiência da descoberta, como também a história do edifício ou das pessoas que ali viveram. Na opinião de André, os melhores abandonados são aqueles que não estão mexidos, isto é, são os espaços onde consegue com facilidade entrar e encontrar ainda elementos constituintes do mesmo.

O fotógrafo, que percorre quase todo o País à procura de locais devolutos para fotografar, confessou que a parte mais interessante é o desconhecido – o não saber o que pode encontrar. Já encontrou sem abrigos, jovens de várias idades – que não era suposto ali estarem. O perigo dá-se quando entra em espaços demasiado instáveis de tão degradadas que estão as estruturas dos edifícios – “os perigos mais comuns passam por estruturas instáveis e vulneráveis ao colapso, por matérias no local, como pregos e velhos equipamentos enferrujados, vidros e garrafas partidas, combustíveis e produtos químicos possivelmente inflamáveis, poços de elevadores e outros buracos abertos, etc. Há também a questão dos animais perigosos, como cobras, aranhas, ratazanas ou cães” – escreveu no blogue.

André Ramalho, que já apanhou diversos sustos, aconselha àqueles que partilham o mesmo interesse por sítios devolutos, a terem atenção aos sinais que denunciam o abandono. Vegetação descuidada à volta, existência de janelas partidas ou buracos nos telhados e piscinas vazias são habitualmente bons indicadores. No entanto, deixa o alerta para o facto de que nunca é certo que um local esteja abandonado e, apesar de degradado, pode estar a ser usado para um outro fim.