Emoção, autenticidade e atitude – o 1º. dia do Extramuralhas


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TIL (Redação)
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    Uma imensa ovação no Mosteiro da Batalha deu início à 10.ª edição do festival gótico Extramuralhas, após a entrada do trio italiano Ashram,  que mantém uma relação extremamente notável com o público Leiriense, uma vez que atuaram na primeira edição do festival.

    O relógio apontava as 16:30 e a maré de pessoas já indicava a lotação do concerto. Numa combinação de visitantes do mosteiro, que ficavam intrigados com o que se iria passar nas Capelas Imperfeitas, com os verdadeiros apologistas do festival, o público reuniu-se para receber os Ashram, que iniciaram o seu concerto, um pouco depois das 17 horas.

    Uma guitarra, um piano, um violino e uma voz límpida e suave permitiram ao público viajar numa neoclássica melancolia perfeitamente concebida. E foi exatamente,  emoção, entusiasmo e sensibilidade, que tão bem conseguiram transmitir às mais de 400 pessoas presentes, com os temas de sucesso doseu repertório: “Spirituality” e “Maria and The Violin’s String”. A cada música que passava, a plateia mostrava-se cada vez mais cativada e, até, emocionada com as composições do trio italiano. Talvez, toda a essência e todo o espaço envolvente fossem propícios a uma comoção coletiva, demonstrando particularmente a capacidade sonora de se sentir interiormente cada acorde e ritmo, ecoados por elementares instrumentos. 

    Com seis mãos ao piano, Ashram terminou de forma avassaladora, o primeiro concerto do Extramuralhas, o que foi lindo de se ver!

    Mais tarde, seguiu-se para o Teatro José Lúcio da Silva, o lugar de estreia nacional dos franceses Skáld. Apresentam-se como um projeto único inspirado na mitologia nórdica, criando composições em Old Norse (português para língua nórdica antiga) onde os protagonistas são Vikings e os seus deuses. 

    Exibindo um palco completo de adornos remetentes à ideologia pagã, Skáld surgiram entre a neblina e o azul das luzes, vestidos a rigor, trazendo consigo instrumentos de cordas como: a lira, o citole (tocado com um arco) e até mesmo o jouhikko, simbolizando, deste modo, o património da cultura Escandinávia.

    Apesar da pequena timidez do público no início do concerto, foi possível sentir-se uma paixão crescente por cada história que este grupo nos contava. Músicas introduzidas por poemas, seguiam composições exuberantes que, apesar de não serem transmitidas numa língua usual, conseguiram ser fortemente cativantes, pela originalidade sonora e visual que nos proporcionaram. A voz melódica e harmoniosa da vocalista Justine Galmiche, combinada com as vozes masculinas graves, por vezes guturais e até monótonas, apresentaram-nos o que é de verdade um autêntico espetáculo viking à escala atual contemporânea. 

    Foi após o canto dedicado aos antepassados vikings por Pierrick Valence, que o público se mostrou mais contagiado pela atuação dos Skáld. Assim, na última música foi pedido a todos para estarem de pé e entoar um dos grandes temas da banda  -“Ó Valhalla” – a verdade é que a despedida foi difícil, mas eles prometem voltar!

    Seguiu-se para o Stereogun para outra estreia em território nacional, os Actors, diretamente de Vancouver, Canadá. O quarteto começou a sua atuação em modo super-sónico com o tema “It Goes Away”, bastante carregado pelo sintetizador e guitarras contagiantes. E o público estava ao rubro, entoando cada refrão de forma avassaladora. 

    A garra, a atitude e a convicção transmitida pelos Actors dominaram a plateia que, entre head bangs e saltos, navegava pelo som post-punk e new-wave que tão bem os define.

    De uma forma tão simples, mas fervorosa, o concerto não poderia ter corrido melhor, tanto para eles como para nós finalizando assim de forma calorosa a primeira noite de Extramuralhas.

    No segundo dia do festival, o misticismo gótico passa pelo Museu de Leiria, Jardim Luís de Camões, Teatro José Lúcio da Silva e Stereogun contando com bandas como Les Fragments de La Nuit, Test Dept, Siglo XXHenric de La Cour, Light Asylum e The Lust Syndicate

    Texto: Filipa Gaspar