Crítica: Jessica Moss faz do violino arte pura


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Teresa Neto
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    A canadiense foi a protagonista do mais recente concerto da Fade In Festival 2019 e encantou todos os leirienses

    A Fade In apostou mais uma vez em grandes artistas. Desta vez coube a Jessica Moss, violinista de sucesso mundial e já representante de grandes bandas tais como os Arcade Fire, com um concerto na Stereogun.

    Com uma casa com cerca de 60 pessoas, entusiasmadas por poder apreciar um espetáculo tão diferenciador na cidade de Leiria, Jessica Moss apareceu em palco de forma informal, descontraída e até humilde, face à sua projeção musical.

    De violino na mão e descalça, aliás, como é habitual em todos os seus concertos, Jessica Moss agradeceu a presença e carinho do público e começou a tocar. De forma muito vertical e intensa, a violinista expressa toda a sua paixão em movimentos curtos mas constantes, carrega nos pedais para criar um som mais indie, àquela vertente reconhecidamente clássica.

     

    A artista canadiense apresentou o seu mais recente projeto Entanglement, o seu segundo álbum a solo, sucedendo a Pools of Light.

    Depois do primeiro tema, Jessica falou das suas raízes judaicas que a fizeram envergar por este caminho musical e pediu ao público para se sentar no chão e ouvir de forma ordeira os restantes temas. Do outro lado, praticamente todos acederam ao pedido e só os mais comedidos encostaram-se ao balcão. A própria arte estava ali naquele momento em que todos iriam apreciar os temas de Jessica Moss de baixo para cima. Era a arte no seu estado mais puro!

    Mais um tema aguçado nas cordas e pedais. Depois mais um momento de comunhão com os fãs. Jessica Moss explicou o porquê do nome Entanglement. A paixão transbordava-se pela voz de Moss na explicação “entrelaçamento”, uma definição da física quântica sobre entrelaçamento quântico. Se duas partículas partilharem de um mesmo espaço, estas alteram-se completa e mutuamente. Mesmo que estas sejam separadas por anos-luz, se uma é alterada por algum motivo, a outra reage semelhantemente – “As pessoas também são estas partículas infinitas”. É isto que Jessica Moss quer transmitir na sua música: a distância e a maior proximidade, o bonito e o assustador – adjetivos que a própria transmitiu de maneira sorridente.

    O último tema, também deste último álbum, deu uma novidade além das bonitas cordas de violino e os pedais. A canadiense também entrou em pequenos campos vocais, tornando a sala ainda mais intimista durante aqueles 25 minutos.

    Um concerto único, bonito e completo. Daqueles que nos ajuda a compreender a essência de estarmos cá, já entrelaçados ou não com a vida.