O melhor spot do Mundo no Street Skate é… a Fonte Luminosa 

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Patrice Gaspar
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O nosso cronista Patrice aborda nesta crónica o mundo dos skaters, que tanto têm crescido na cidade de Leiria. E lembrou-se da Fonte Luminosa como uma das referências mais conhecida e menos ortodoxa para a prática deste desporto.

Estava a desfolhar o livro de Alda Sales Machado Gonçalves, editado pela Junta de Freguesia em 2010, de seu título “as fontes, o Rio Liz e as suas pontes” quando me ocorre falar sobre este assunto, talvez nunca abordado desta forma.

O monumento em que assenta na Fonte Luminosa é da autoria de António Augusto Lagoa Henriques, o criador da estátua de Fernando Pessoa na rua Garret em Lisboa e da nossa estátua de um homem e uma mulher despidos, em que o autor homenageia o Lis e o Lena, dois rios que se juntam na cidade de Leiria.

Em 1973 na altura da sua inauguração não se imaginava que esta imagem viria a tornar Leiria, numa referência Mundial, presente em milhares de cartões-de-visita da cidade do Liz, pois antes desta data haveria no mesmo local o Teatro D. Maria II, e agora existe um estacionamento subterrâneo e uma Fonte Luminosa, com luzes, som e jatos de água.

Se há coisa que os Leirienses se podem orgulhar é da melhor Plaza do skate que é esta Praça ou Largo Goa, Damão e Diu.

Falei com a tribo do skate da cidade e a opinião é universal, a nossa Fonte é um ponto de paragem nacional obrigatória. É considerada por muitos a Meca do Skate em Portugal e quiçá do Mundo, não só pelo interesse que manifesta na comunidade do “Street” como também pela arquitectura, o desenvolvimento da prática do street skate, passando pela história e reconhecimento do Spot, a pedra Mármore, a Fonte de fundo ou o Castelo. 

É por muitos identificada como das melhores cidades do Mundo para praticar skate ao ar livre.

Fiquei a saber por Steve  Carreira (Tribos Urbanas – Skateshop com 21 anos), que já foram feitas várias Tours em Portugal dos “Best Spots” em revistas Americanas; contou-me que entre elas estão a Thrasher Magazine, a Big Brother, a Slap, em que a Fonte Luminosa, foi citada e visitada pelos melhores e mais conceituados praticantes desta modalidade. Dezenas de Partilhas sociais pelas comunidades Mundiais e é visitada por tantos países que nem tenho sitio para escrever, mas reconhece que os mais sonantes e últimos foram: Jamie Thomas, Cris Cole e Paul Rodriguez.

“Sei hoje que este Spot é super religioso”

Alguns assumem-no timidamente ao falar sobre o assunto, pois o movimento street é fechado, aliás passa despercebido daqueles que o seu modo de estar na vida é andar em cima de dois eixos, numa tábua com 4 rodas, em cima de umas Vans, e espalhar Cera “Parafina” nas quinas dos corrimão ou nos cantos das pedras para o ferro deslizar melhor. 

Conta o @João.sk8: “Na Fonte andar com o Skate tens de dar asas à criatividade, tens bom chão, podes explorar obstáculos, saltar floreiras (risos), tens aquele spot fantástico por trás, as pessoas a passar, o castelo é Top”. 

Eu confesso que andei num skate quando tinha 16 anos, mas não tive grande futuro nem incentivo como estas tribos têm, são todos amigos, um puxa pelo outro, onde um vai os outros vão atrás.

O @João.sk8 faz competições em provas nacionais, dizem que é um dos melhores de Leiria, todos os dias vai até ao parque do avião e anda a dar cartas, os vídeos dele no Insta dele têm sempre “bué visualizações”.

Refere que há vídeos no YouTube que mostram Leiria e a Fonte que viajam no telemóvel dos skaters para todo o Mundo,  pois praticamente todos se conhecem, é uma comunidade incrível.

Pedro Raimundo ou “Roskof”, natural da Benedita, contou-me que a revista @SURGE Skateboard Magazine, é distribuída gratuitamente em skateshops, conta com inúmeros colaboradores que fotografam, escrevem artigos de pessoas a “skatar” em sítios inóspitos, e a revista vive de publicidade, mas já esporadicamente fazem encontros nacionais de convívio entre a malta e onde atribuem prémios.
Referiu ainda que a Fonte já foi fotografada recentemente pelo Tom Knot para a New Balance, e as fotos e vídeos dele chegaram aos EUA e correram mundo, com mais de 36 mil de views desde Janeiro num só video.

Steve, da Skateshop da praça Rodrigues Lobo, reconhece que Leiria já teve uma revista sobre a comunidade de skates, chamada “movimento”. Na criação da mesma esteve ele, o Ruben e o João Sales, hoje todos ligados ao negócio do skate.

Falei ainda com Rogério Venâncio, o Leiriense mais patrocinado na modalidade e com mais prémios para Leiria, que lamenta que as pessoas olhem para ele de lado, enquanto nas noutras cidades este desporto é mais valorizado. Recorda que com a malta, o Ruben, o Steve, tinham um pavilhão indoor no Vidigal alugado no inverno, sendo dos primeiros em Portugal para skates.

O skate nasceu na rua, mas há uma simbiose perfeita também noutras grandes cidades da Europa. Com a crescente aposta em skateparks, fez com que também em Leiria se criasse uma transição, de skaters para os parques onde existem obstáculos para simular o que não existe na rua.

Explica Nuno Cainço e João Sales, Leirienses que viajam meio mundo para fazer parques de skate, “Temos imensos pedidos para se construírem bons parques, ou as antigas piscinas” como os skates começaram andar nos anos 70, estas permitem outro tipo de manobras como aéreos. Seguindo tendências que alguns skateres procuram, o mercado está em crescimento a nível nacional, há um reconhecimento dos nossos trabalhos de afagamento do cimento com uma técnica que só eles conhecem, mas que em Leiria é a cidade deles.

 

 
 
 
 
 
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Mas em resumo, sendo que os mais reconhecidos parques em Leiria já realizaram eventos nacionais para provas de competição muito importantes desta modalidade, devemos lembrar que existe uma comunidade a frequentar a Fonte e que por mais floreiras/obstáculos que coloquem vai sempre continuar a MECA do SKATES.

A outra face da moeda é que na praça da Fonte Luminosa, que para a maioria dos cidadãos prevarica ao rolar nas pedras da Fonte, é para mim e depois de ter falado com tantas pessoas ligadas a este desporto, em parte e de alguma forma, uma enorme falta de visão estratégica dos agentes que poderiam potenciar Leiria nos skate para o Mundo.

Fica esta nota, para memórias futuras.

Crónica: Como num conto de fadas, só as baleias sobrevivem ao Lis


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Patrice Gaspar é barbeiro de profissão e um homem atento à atualidade leiriense. Tem agora o seu espaço de crónica na TIL para falar um pouco sobre o que vê e sente.

Timidamente, o Rio Lis voltou a encher de esperança a cidade. Este rio que, segundo documentos históricos, já dividiu vinhas a meio e viu o seu curso alterado, mas mantém as suas encostas e fontes de águas com propriedades curativas. Hoje, este espelho de água é um dos grandes atrativos paisagísticos que Leiria tem. Quando pensamos em tirar uma foto com a ideia de “Leiria Lifestyle”, pensamos no Parque da Cidade, nas margens do Lis.

Corria o mês de Maio do ano de 2019 quando a adolescente Greta Thunberg se insurgiu em defesa do planeta, numa ascensão histórica que marcou a sociedade e acabou por, ela também, servir de inspiração (ou não!) a um autor leiriense na conceção de uma obra de “street art” numa das margens do rio. Passado um ano, parte dessa pintura ainda é visível com uma forte mensagem: “NESTE PLANETA TUDO DEPENDE DA ÁGUA”É bom recordar a dualidade da imagem da “BaleiaPorco”, não por sermos uma cidade com historial em cetáceos, como a imagem que permanece do desenho inicial, mas porque a melhor parte da gravura, o Porco, acabou também ela por “ir pelas águas do rio abaixo”. A nossa cidade ainda hoje tem uma forte componente socioeconómica ligada aos suínos, desde as pecuárias até ao leitão á moda da Boavista, passando pela adaptação das sandes de porco no espeto em feiras e romarias por toda a região. Encontramos este cenário no polis intitulado “Parque do Avião”, que tem vindo também ele a revelar-se mágico para atrair adolescentes e forasteiros, tanto para os stories do “Instagram”, como para fundos de perfil no “Facebook” ou vídeos do “TikTok”.

Hoje em dia, o Parque da Cidade atrai milhares de pessoas, mas não as fixa. Numa cidade em permanente transformação, durante um dia inteiro entram “runners”, “bikers” e maratonistas, faz-se “street workout” com barras paralelas ou cordas de saltar. Voam pelo meio skates e há BMX por todo o lado, vestem-se licras ou roupas rasgadas.
Mas faltam WC’s, porque uns foram desativados pela pandemia e outros acabaram por passar para gestão privada.

Talvez este lado do Rio tenha sofrido a maior das revoluções em 30 anos, ao perder o mais bonito dos jardins da cidade. Mas a cidade sofreu a modernização dos programas de fundos estruturais e ganhou noutros aspetos, de acordo com as linhas da arquitectura paisagística actuais para as cidades do futuro.

Mas este lado do Rio também ganhou com a reconstrução da Rua Comissão da Iniciativa, uma rua acidentada por granitos tortos mas tão movimentada como uma qualquer outra rua periférica da cidade. Esperam-se, ainda, mais algumas reabilitações nesta zona que vai do mais antigo Bairro dos Anjos até ao famoso “western” do Marachão.

Mas, estando eu embalado no exercício nostálgico, neste caso do desporto, recordo a bola de basket que rolava desde os anos 80 num ringue multiusos, e recordo-o através de conversas com amigos que aqui deram os primeiros passos no jogo com o famoso Clube de Basket de Leiria. Recordo também o hóquei em patins, com o surgir do grande Clube dos Marrazes. Este parque já teve campos de ténis, que foram transformados em campo de futebol, e  ganhou um parque infantil que faz as delícias de muitos pais e aproxima aqui famílias inteiras.

Ganhou o “Skate Park” em 2016, ainda que não seja iluminado à noite. Esta é uma antiga reivindicação minha, que passa pela solução de juntar tribos a fim de não irem para a “Meca” da fonte luminosa, a bem do património público.
Há ainda um avião sem história, há bancos de jardim a precisar de manutenção, sinto saudades dos jardins circulares, das esculturas que ainda pairam junto ao parque infantil.

Ainda há uma Fonte Quente, cuja água de Inverno ou de Verão sai a mais de 25 graus e outrora tratava enfermidades de pele, comichões, chagas e outros. Consta até que iria ganhar uma conduta até a um Hotel Talma, umas instalações termais projectadas para aquele prédio do Korrodi que faz esquina entre o Maringá e a Mouzinho de Albuquerque, mas infelizmente não recolheu financiamento, à semelhança das Termas de Monte Real.

Os parques da cidade devem ter identidade, preservemos os bens e contemplemos a sua real natureza, na essência dos mesmos. Saibamos nos cultivar pela história, pelas experiências e por todo e qualquer romantismo tão característico de Leiria.

O outro lado do Rio, como o famoso Arquiteto Ernesto apelidou à margem direita, está representada numa bela obra que desenhou e que está ainda hoje em Exposição na GAL*.

*(Galeria de Artes de Leiria, Antigo Banco de Portugal)