As ruas das Caldas da Rainha pintam-se de street art – é a FALU


Caldas da Rainha há muito que é uma cidade onde se respira tradição e vanguardismo. Por toda a parte existem registos de arte contemporânea, que convivem com o legado do emblemático artista Rafael Bordallo Pinheiro, tão presente na cultura local.

 

 
 
 
 
 
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Um reflexo desta cidade singular e versátil, onde a criatividade reina, é a Rota Bordaliana – um percurso cultural e artístico com mais de 20 figuras de cerâmica relativas a Bordallo Pinheiro, construídas à escala humana.

É neste contexto que nasce FALU, o primeiro Festival Artístico de Linguagens Urbanas, resultante de uma parceria entre a Câmara Municipal e a associação Riscas Vadias. O festival teve início a 9 de junho e irá decorrer até 15 de outubro de 2020. FALU pretende enaltecer o que de melhor a Street Art tem para oferecer, contando para isso com a participação de cinco conceituados artistas portugueses.

O evento pretende sensibilizar a região para a difusão do papel interventivo da arte pública e divulgar novas e diversificadas estéticas. Através da liberdade criativa, os artistas irão inspirar-se no meio envolvente das Caldas da Rainha e expressar-se nas paredes da cidade. A iniciativa foi impulsionada na sequência da nomeação de Caldas da Rainha a Cidade Criativa da Unesco, em 2019.

A organização explica entre gargalhadas o simbolismo do nome FALU: “surge da semelhança fonética entre o elemento figurativo característico da cidade: o falo, assim como da palavra falo, de falar, comunicar, expressar”.

Esta edição dará origem a seis murais pela cidade (cinco na freguesia de Nossa Senhora do Pópulo e um em Santo Onofre), com tema livre no entanto com respeito às “referências identitárias da cidade”, sendo que cada artista tem uma semana para terminar a obra.

Pelo festival já passaram, desde junho:

  • Nuno Viegas – A obra do artista Algarvio encontra-se na fachada de um prédio na Praça 5 de Outubro.

 

 
 
 
 
 
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  • Akacorleone – Na fachada do bloco 4, na Rua Augusto Gil (junto à biblioteca), pelas mãos deste ilustrador e designer gráfico, é possível contemplar o agradecimento em forma de pintura a todos os trabalhadores dos serviços de saúde que estiveram na linha da frente no combate ao COVID-19.

 

 
 
 
 
 
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  • Daniel Eime – O artista Caldense, a quem cabe a organização do festival, deixou a sua marca na rua Coronel Soeiro de Brito, entre o Terminal Rodoviário e o Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha. O artista é “reconhecido pelos seus murais de grande escala e pelo uso de stencils bastante detalhados”.

 

 
 
 
 
 
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Além destes artistas, o FALU vai contar com a presença, nas próximas semanas, do ilustrador Add Fuel (rua Capitão Filipe de Sousa) e do artista plástico lisboeta Bordalo II (local a divulgar). Espera-se que esta intervenção permita criar uma ligação com os alunos de artes da Escola Superior de Arte e Design (ESAD), na aposta de que esta esteja já em normal funcionamento.

A sexta parede foi concebida para dar voz à criatividade dos locais. Através de um concurso “Open Call” que recebeu 28 candidaturas, a organização elegeu C.Marie & Egrito, cuja intervenção irá decorrer na rua José Pedro Ferreira.

A organização do FALU acredita no potencial destes artistas enquanto veículo de transmissão da criatividade e cultura desta cidade. Este evento, à semelhança da rota Bordaliana, é uma forma de afirmação das Caldas da Rainha no contexto artístico-cultural nacional e internacional.

O festival ambiciona educar a comunidade acerca do papel preponderante que a arte pública urbana assume, dado o caráter interventivo e inclusivo que a arte e a cultura podem, e devem, assumir na criação do futuro e na esperança de uma qualquer comunidade.

Em edição de estreia, nesta terra de gentes sonhadoras, tradicionais, criativas e trabalhadoras, a organização faz um “balanço bastante positivo do festival, em que as opiniões locais têm excedido as suas expetativas”, pelo que a ideia é “repetir o festival todos os anos” e criar “um roteiro de cultura urbana promissor para a região Oeste”, declarou Ricardo Romero, da Associação Riscas Vadias.  

 

Texto: Rita Silva