Entrevista João Cabrita – “Em quarentena, quando passeio a cadela, vêm à cabeça 500 mil ideias de riffs e ganchos que gravo imediatamente para o telemóvel”


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É um dos mentores de grandes bandas nacionais, incluindo a de The Legendary Tigerman, sempre com o seu saxofone. Numa conversa marcada por meros acasos, ilustres concertos e pela sua nova união com a local Omnichord Records, percebemos que os seus 30 anos de carreira são uma celebração digna de um músico com uma grande história para contar. Fique a conhecer melhor o músico e ser humano João Cabrita.

TIL:  Como é que tem sido a vida de um músico como tu que está envolvido em tantos projetos?

Cabrita: Tem sido tortuosa. Maior parte dos projetos de que faço parte são bandas com muita gente e estamos aqui a dar voltas à cabeça a tentar arranjar maneiras de tocarmos todos juntos, com as dificuldades técnicas inerentes. Tem resultado na medida de ter começado a inventar outras soluções. Tenho estado a fazer uma espécie de laboratório de composição a tocar tudo sozinho, com sons de corpo e de boca e fiz um tema que pus esta semana à mostra e hei-de continuar a fazer isso, porque em banda vai ser sempre complicado.

Começando pelo início, vi que tiveste formação no Hot Clube, mas antes disso já havia essa tendência e esse contacto com a música, ou foi uma coisa que foste buscar por ti ou foi-te incutida? Como é que funcionou isso?

Bem, isso aconteceu-me um bocado por acaso. Eu quando tinha 17 anos a minha maior ocupação era fazer banda desenhada e em minha casa a minha mãe e os meus irmãos estavam a ter aulas de piano e eu não tinha nada a ver com música. Então a minha mãe descobriu aqui uma filarmónica no bairro para eu ter aulas teóricas e viu que aquilo estava cheio de  crianças, então obrigou-nos aos três a ir com ela e eu fui o mais contrariado dos três porque não queria ter nada a ver com aquilo. Só queria desenhar mas aquilo fez de tal modo um click em mim que de repente virou tudo ao contrário – eles desistiram todos e eu fiquei lá. Até hoje continuo a tocar (risos). Foi um acaso feliz!

Foi um acaso que valeu a pena! Então para além da tua jornada como saxofonista em inúmeras bandas – e também no teu projeto a solo que iremos falar daqui a pouco – tens outra paixão complementar que é a composição, onde inclusive compuseste alguns temas para o Festival da Canção. Como se deu o teu gosto pela escrita de canções?

Isso faz parte de qualquer pessoa que adore música. Ou seja, tu chegas a uma certa altura em que tocares os temas dos outros já não te satisfaz completamente e começas a experimentar fazer, a juntar acordes, a construir melodias… Eu basicamente construo melodias desde que comecei a improvisar na escola do Hot Clube com o saxofone, portanto foi um passo que fui dando naturalmente. Na verdade, comecei a compor muito cedo, mas só muito mais tarde é que comecei a fazê-lo com mais seriedade, a partir dos Cacique’97 e dos Cais Sodré Funk Connection.

Como estavas a falar há pouco sobre o saxofone, esse instrumento foi a primeira escolha ou se quando chegaste lá à Filarmónica andaste a experimentar?

Quem conhece o mundo das Filarmónicas sabe sempre que qualquer pessoa que lá vá parar, primeiro apanha com o clarinete, porque é o que têm mais e é o que faz mais falta no roster das bandas. É um instrumento que quando tu tens 17 anos não é uma coisa super sexy e não te vai engatar muitas miúdas (risos). Então andei por volta de quatro meses agarrado ao clarinete todo indignado porque aquilo era uma coisa pouco masculina, vá. No fim das férias já estava habituado àquilo e já estava entusiasmadíssimo com a história do clarinete! De repente mudaram-me para o saxofone por uma questão de necessidade da banda e foi aí que eu acabei por ficar na coisa. Mais uma vez, outro acaso feliz! (risos)

Quais dirias que são as tuas maiores influências no mundo do saxofone?

Há muitas. Desde quando eu era miúdo, o Edgar Caramelo e o Naná Sousa Dias, que eram os saxofonistas que mais sabiam na música portuguesa, até ao Coltrane, Michael Brecker…

Falando aqui da parte da composição – pegando na parte do projeto que te estás a envolver com a Omnichord – porquê só ao fim destes anos todos a compor, a trabalhar com inúmeros músicos com estilos variados é que sentiste que fazia sentido criar algo em nome próprio? Ou foi uma coisa que já andavas a pensar há muito tempo mas só agora é que se criaram as condições para tal? 

Bom, na verdade em parte foi isso. Quando tu és freelancer estás sempre a trabalhar, ou estás na turnê com o Tigerman ou com os Funk Connection, antes estive com a Royal Orquestra das Caveiras com os Dead Combo e estava a tocar com os Virgem Suta, também. Portanto, tu estás sempre muito ocupado e este tipo de projeto é uma coisa que tu tens que te enfiar nela de cabeça! E mais uma vez tive um acaso que começou por não ser tão feliz: tive um inverno, neste caso de 2018 para 2019, com muitos poucos concertos, então aí resolvi fechar-me em casa e compor. Fiz 20 e tal temas, uma coisa assim disparatada, tudo à volta do saxofone. Entretanto sabia que se vinham aproximar os meus 30 anos de carreira e pensei que aqui tinha um projeto interessante para fazer a coisa – e aí surgiu a ideia das colaborações. No fundo são 30 anos de carreira em colaborações e fechar assim este ciclo todo, mas ao contrário – comigo a ser o dono da “bola” e os outros artistas como meus convidados. (risos)

Então e como se deu a tua união com a Omnichord Records?

O Nuno Calado tinha feito o Festival Indigente em 2018 e achei muita piada ao formato. Tinha montes de amigos a tocar lá em situações um bocadinho mais pequeninas e diferentes, então fiquei cheio de vontade de participar. Só que à última da hora não consegui e ficamos de falar disso para o ano seguinte. No ano seguinte, em 2019, já estava a compor os meus temas e a fazer esta história toda. Estava já na fase final do disco e então mostrei-lhe alguns temas e ele disse “Epá tens que levar isso para o Indigente Live” e eu disse “Sim, senhor”, montei uma banda de propósito porque isto como foi feito em casa não tava tocado organicamente por uma banda e ensaiamos três temas e fomos lá tocar. Lá, estava o Hugo Ferreira a assistir e ele adorou a nossa prestação e gostou muito dos temas. Pronto, a partir daí começou um namoro que veio dar origem a esta colaboração. Uma vez que a Omnichord só trabalha com bandas de Leiria, neste caso temos um baterista que é de Leiria, que é o Filipe Rocha.

Falando aqui do tema das colaborações, como já disseste o leque de colaborações que tiveste é muito extenso. Existe algum artista ou banda com quem tu ainda não colaboraste, mas que existe esse desejo?

No caso do disco não, porque queria mesmo fechar o ciclo com malta com quem já tinha trabalhado e os temas foram adquirindo características onde me fazia sentido chamar alguém com uma voz que se associasse à cor desse tema. Agora, ainda há aí bandas com quem ainda não trabalhei e que gostava de trabalhar, como os GNR, os Clã, os Xutos. Então em projetos novos é um sem-fim de coisas: os Moullinex, Xinobi, Chinaski tem coisas muito engraçadas, os D’Alva também gosto muito. Epá, nunca mais acabava de falar (risos). Os Marvel Lima, tenho estado a ouvir o disco deles que é muito giro. De Leiria, os First Breath After Coma e a Surma.

Agora é uma boa oportunidade para fazer um projeto com eles, não é?

Sim, espero bem que venha a acontecer alguma coisa mais para a frente, seria ótimo!

Sobre o teu projeto a solo, o que é que podemos esperar dele? Que artistas irão integrar o teu álbum?

O músico que toca mais vezes no disco é o Ivo Costa, o baterista que toca com a Sara Tavares e tem um projeto com o Quim Albergaria que é o Bateu Matou. Tenho também Rui Alves que é o baterista dos Funk Connection, o Sérgio Nascimento também baterista do Sérgio Godinho, dos Deolinda e do David Fonseca. Depois tenho a Selma Uamusse, tenho um tema a meias com o Sam the Kid, outro tema a meias com o Tó Trips, tenho o Paulo Furtado (The Legendary Tigerman), a Tamin e o Silk dos Funk Connection, o David Pessoa dos Fogo Fogo e dos Funk Connection, a Sandra do Acordeon dos Renegados. A minha malta da primeira secção de sopros dos Sitiados ,o João Marques e o Jorge Ribeiro, também o Hélio Morais, o João Gomes, o Milton Gulli dos Cacique’97 tocou guitarra e a Susana Félix também me cantou num tema, que é o último e é cantado com todos os artistas.

Eu queria puxar aqui um bocadinho atrás e falar da parte do Festival da Canção. Como é que foi essa experiência tanto de produzir, como a de subir ao palco e interpretar temas, porque até essa altura vi que foste co-autor de alguns temas. Como é que foi essa experiência? Até porque é um contexto um bocadinho diferente ao de produzir um álbum.

Aqui a parte musical no fundo é a mesma – tu fazes a melhor canção que te sai neste momento ou escolhes a que achas mais digna para apresentar. A parte da produção também é semelhante, não posso estar a dizer que ia fazer para o Festival da Canção uma coisa mais histriônica, se não fosse uma canção mais histriônica. Há uma série de preconceitos associados ao festival da canção e há uma espécie de formato de coisas para o mesmo que eu acho muito fixe neste paradigma novo da RTP estar a ser quebrado. De volta e meia tens artistas como a Surma, os D’Alva, o Salvador e a Luísa Sobral que fizeram uma coisa completamente ao contrário daquela coisa toda de bolas de espelhos, que é um truque e lá fora vês cada vez mais coisas com um truque que é um tipo que tem duas caras ou duas vozes ou uns gajos que são do metal. E eu fiquei super honrado de ter sido convidado, tanto para o Festival Júnior com para o da Canção – e o que fiz foi produzir a canção mais sóbria que me podia ter saído e a que achei ser a melhor, de facto. Há uma série de animosidade das redes sociais em relação a tudo, basicamente. Portanto é uma coisa que tu realmente tens que lidar e que é um bocadinho desagradável. Na vida real de um músico, quando as pessoas não gostam da tua música não te ligam nenhuma e quando gostam, seguem. No Festival da Canção não: as pessoas fazem questão de odiar tudo e de escrever comentários nas redes sociais e eu cheguei a perder algum tempo a tentar perceber este fenómeno. As pessoas faziam o mesmo comentário em todas as canções de todos os artistas. É um tipo de ocupação de tempo que não faz muito sentido para mim e é um bocado idiota – não leva a nada dizer mal só por dizer mal. Não sei, talvez estejam habituados a formatos como o The Voice, onde há lá um júri  a desancar o artista e como não há isso no Festival da Canção sentem-se na obrigação de ocupar esse espaço. Isso foi a coisa mais da experiência do Festival, mas parte disto é tudo relativo. Também toda a gente disse mal do Salvador Sobral e depois no fim disseram: “Ah, eu sempre soube que ele seria o vencedor e não sei quê”. É preciso saber o valor destas coisas nos seus sítios e na sua dimensão correta.

Quando olhas para a tua linha cronológica e reparas na relevância dos artistas e de eventos com quem já colaboraste e onde já participaste, como é que isso te faz sentir?

Faz-me sentir muito bem. Fico muito orgulhoso praí 98% daquilo que fiz. Desde o Vamos ao Circo dos Sitiados, até ao Portugal ao Vivo com o Estádio de Alvalade cheíssimo de gente, com o pessoal lá ao longe a bater palmas completamente dessicrones de nós (risos). Depois os Filhos da Madrugada, até o Paredes de Coura com o Tigerman há dois anos. Há tantos momentos incríveis, discos que gravamos, também os Dead Combo no Teatro de São Luís com a orquestra Caveiras, este último álbum dos Dead Combo, o Misfit na América com o Paulo Furtado, o primeiro álbum dos Cais Sodré Funk Connection todo gravado aos bocados e assim em três ou quatro dias. Há montes de aventuras incríveis nestas histórias todas e depois olhas para trás e realmente são discos que são fixes. Por exemplo, o 99.9 dos Despe e Siga com a Rádio Ska. Eu orgulho-me de quase todas e há algumas que são assim o pico do sucesso pessoal, são 30 anos recheados de boas memórias!

Na altura de criação de temas, como funcionas? Pegas numa melodia e vais construindo sobre isso ou existe já um tema que queres explorar e depois, a partir daí, vais criando melodias que na tua visão conjuguem com esse tema?

Epá, normalmente a letra é a última coisa a ser feita. Quando era novo e compunha só com a guitarra começava primeiro pela letra e depois fazia todo o riff à volta da letra. Entretanto com a história dos computadores passou a ser ao contrário – passei a fazer as letras no fim e na verdade os sítios onde mais escrevo letras é nos Cais Sodré Funk Connection que são praticamente todas minhas e aquilo tem umas espécie de código na maneira de escrever. Portanto normalmente o que eu faço é, agora em quarentena, quando estou a passear a cadela tenho 500 mil ideias que me vêm à cabeça de riffs e de ganchos e que gravo para o telemóvel e depois chego ao computador e começo a explorar isso e a desenvolver. Normalmente o instrumental vai crescendo até tomar um formato de uma canção, mesmo sem melodia, depois entretanto vou pensando na melodia e na letra ao mesmo tempo até chegar a uma coisa com que esteja contente. Muitas vezes não estou contente com a primeira então vou fazendo e refazendo e nesse aspeto o computador é uma coisa que facilita bastante, porque vais tendo as peças do lego todas para encaixar e desencaixar até ficares satisfeito. Quando a letra fica cristalizada maior parte das vezes a melodia também fica fechada, já é o que define tudo.

Tu sentes que és aquele tipo de artista que tem que executar todo o trabalho no estúdio ou já vens com ideias previamente estudadas sobre aquilo que queres fazer? 

Maior parte das vezes tenho ideias previamente estudadas, sim. Tirando este caso do “Cabrita”, o meu projeto novo foi tudo feito em experimentação e aqui no estúdio de casa. Mas, por exemplo, nos Cais Sodré Funk Connection nós vamos compondo os temas -tocamos nos concertos, ensaiando e normalmente gravamos o disco em cinco ou seis dias e tocamos tudo ao vivo para te aquela energia toda que a banda precisa de ter ao vivo – e passar isso para a fita. Para a fita salvo seja, para o HD. (risos)

Até hoje, qual foi assim o teu melhor e o teu pior concerto?

Há coisas que são muito estranhas, porque a tua noção não é necessariamente a noção de toda a gente sobre as coisas. Ou seja, eu sei que tenho uma fotografia incrível no meu Facebook do concerto em Paredes de Coura com o The Legendary Tigerman tirada pela Rita Carmo em que foi um concerto incrível, só que eu estava com um ponto de energia tal – isto às vezes acontece-me quando estou a tocar e não tem nada a ver com induções de químicos nem nada disso- que a coisa fica meio nublada, a concentração fica exagerada e então as coisas ficam num plano em que tu parece que ficas assim a ver-te do alto e nesse concerto aconteceu-me isso. Toda a gente estava doida no fim, mas eu não o senti incrível nesse ponto porque não estava a comunicar com o público. Em contrapartida já tive míticos concertos nos anos 90 no Estádio de Alvalade com os Filhos da Madrugada e Portugal ao Vivo e aí sim senti uma coisa mais presente, até porque era menos tempo a tocar e tive uma noção mais direta do que se estava a passar e esses foram bastante fortes. Mas, por exemplo, também tive um que foi um aniversário do MusicBox com os Funk Connection que foi um concerto incrível e aí senti que estava toda a gente num máximo, a dançar, a curtir e a partilhar uma onda que estava a ser de todos ao mesmo tempo. Portanto, isto é muito variável e não tem a ver com a qualidade do concerto. Tem a ver com as circunstâncias. Agora assim, maus concertos esses são mais de encontrar, porque são aqueles em que tu claramente percebes que foste convidado para o sítio errado, na hora errada e maior parte deles vêm sempre de erros de casting terríveis (risos). Tivemos um concerto terrível com os Virgem Suta há uns anos – talvez dos últimos que fiz com eles, se não mesmo o último – em que fomos tocar a uma aldeia onde o pessoal não queria saber, então estava uma multidão de gente nas barracas assim à volta e ao longe e nós a fazer um espetáculo impecável e só tava um miúdo às cambalhotas na pista de dança (risos) assim de 4 ou 5 anos. Mal nós acabamos de tocar e arrumamos tudo, pensamos: “Epá o pessoal não é muito efusivo”. Depois veio o organista do pimba, começa a tocar e vem tudo dançar (risos). Portanto, aí a culpa não foi da banda nem do público. Foi mesmo erro de casting – foi o pior de todos, prai em 2017, 2016…

Numa altura tão conturbada como esta,  a cultura apresenta um papel tão importante nas nossas vidas. No entanto, é pouco ou nada apoiada. O que é que aconselhas a ser feito pelos consumidores de cultura de modo a que esta não entre em estado de rutura? 

Comprem discos, vão a concertos online e paguem bilhetes. É a única maneira de suportar os artistas. É procurar as soluções que eles apresentam, onde possam ser remunerados. Eu sei que não vai ser fácil porque não somos só nós que estamos mal – está toda a gente a ganhar menos, lay-off’s… Não são só os artistas que estão a perder. Depois isto também é tramado porque eu espero que os artistas sejam solidários com as suas equipas porque não são só os artistas que estão a passar mal. São também os técnicos, os agentes, os empregados dos escritórios das agências que estão sem ganhar dinheiro. A maior parte da malta trabalha toda com recibos verdes, de maneira que o que nós fazemos nas bandas onde estou é todo o dinheiro que consigamos fazer de alguma venda online ou de alguns direitos que sejam usados para algum anúncio. Vamos tentando aguentar-nos até podermos voltar a fazer aquilo que fazemos melhor.

Mas consideras que o governo deveria de ser de algum modo mais consciente para com a cultura, os artistas, os técnicos… ?

Sim. Quer dizer, quando tu lês as notícias e vão 15 milhões de euros para a publicidade institucional, 1 milhão de euros para os artistas e 600 mil para os livros, há qualquer coisa aqui que não está muito certa. Pode até haver uma ideia genuinamente boa no princípio de isto tudo mas obviamente alguém não pensou muito seriamente sobre este assunto. Enfim, é o que temos…

O que tens andado a fazer nesta quarentena? Algum livro ou filmes que nos possas recomendar?

A terceira temporada de Ozark, a terceira temporada de Westworld. Acabei de ler a Máquina de Fazer Espanhóis do Valter Hugo Mãe, um livro muito angustiante mas muito bom e também estava a ler um sobre a indústria discográfica americana mas não é assim nada de especial – só nos deixa mais deprimidos. Estou a começar a Cidade e as Serras do Eça de Queirós que é um grande livro. O Eça de Queirós é uma grande escritor e merece muita atenção nossa. Já despachei mais uns três ou quatro livros desde esta quarentena! Entretanto tenho andado a compor , a tirar um curso de Marketing Digital pelo Google Digital Garage para aproveitar também para me reciclar. De discos também há coisas boas aí – há o novo da Fiona Apple, do ThunderCat, de resto são coisas antigas como o do Swamp Dogg, o disco dos Marvel Lima, o African Rythms do Oneness of Juju e pronto também não tenho assim muito mais. Também as orelhas ou dão para trabalhar ou dão para ouvir portanto não dá para fazer as duas coisas ao mesmo tempo. (risos)
Tenho também aproveitado para cozinhar, tenho feitos uns belos pratos Alentejanos. Tinha feito uma semana temática aqui em casa, para manter a malta animada.

É sempre giro, para por os dotes culinários em prática.

Sim, cozinhar é uma boa terapia para quem é músico. É um bocadinho parecido o processo com o de compor, tem assim uma parte de juntar partes e depois misturar tudo.

Depois vê se resulta ou não, não é?

C: Sim, exato (risos). Só se sabe quando os outros começam a comer. É basicamente o mesmo.

 

Entrevista de Filipa Lobo Gaspar e Pedro Dinis Ferreira
Foto: Facebook Pigs Rock Festival