Crítica: uma Plataforma no caminho do isolamento e da sobrevivência

A Plataforma crítica

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É o grande filme da temporada de quarentena – neste edifício (que é também uma prisão) entram questões políticas e sobretudo sociais. Um buffet pode dar para todos ou só aos que chegam primeiro?

Se já se sente fechado há demasiado tempo (e se está a cumprir a quarentena é normal que aconteça), pode sentir um quentinho depois de ver “A Plataforma”, o novo filme da Netflix do realizador espanhol Galder Gaztelu-Urrutia.

É que neste filme o espaço é algo que não abunda, as relações possíveis acontecem com estranhos e, também aqui, não se sabe bem quando tudo isto acaba. Resumindo, “A Plataforma” é uma espécie de prisão na vertical, com mais de 200 pisos – ali cada andar tem uma cela com dois residentes que poderão ser prisioneiros ou voluntários. Sem acesso a praticamente nada, o ponto alto do dia acontece num buffet que segue de cima para baixo, andar por andar – onde os de cima empaturram-se, enquanto os de baixo lutam por sobreviver com os restos dessa mesma comida.

Esta pirâmide prisional transforma-se a cada frase e a cada ato numa pirâmide social, onde os priveligiados têm direito a mais, enquanto os de baixo lutam por ter algo.  A única justiça social deste formato está na troca de andares dos hóspedes de mês a mês, ou seja, num dos meses poderá estar nos primeiros andares e comer como um rei, como no seguinte poderá ficar nos últimos andares e lutar por um osso com o seu companheiro de cela.

“A Plataforma” não é um filme para todos os estomâgos. Apesar da comida super cuidada antes de chegar aos prisioneiros, todo o enredo torna-se muito sangrento e carnal. Por isso, aqui na TIL, não aconselhamos que veja esta película às horas da refeição sobre jus de má disposição. A cotação de 18+ é o espelho do possível ferimento da susceptibilidade que o espectador poderá sentir.

 

Sem atores de renome, é a próprio argumento que nos prende durante este 90 minutos de filme. Apesar disso há papéis muito bem conseguidos, como é o caso do protagonista Ivan Massagué e do seu primeiro companheiro de cela, Zorion Eguileor. É no próprio diálogo entre eles que vamos percebendo todos os pormenores desta prisão vertical e o porquê de todas aquelas pessoas estarem ali.

Numa altura em que todos sofremos com o isolamento em casa ou a “sobrevivência” de todas as vezes que somos obrigados a ir abastecer ao supermercado, “A Plataforma” é um excelente filme para nos fazer pensar no que é realmente importante e imprescindível. Para fãs de filmes com conteúdos e conceitos diferenciados, “A Plataforma” é claramente um must see neste 2020 pandémico.

 

Classificação TIL: 7,5 / 10