Uma brisa desagradável


Escrito por:
André Castro
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Leiria parece a região perfeita para tudo! Cultura, educação, qualidade e estilo de vida… vou só enumerar assuntos onde estou familiarizado, pois não me sinto confortável a falar de assuntos que não sei.

De acordo com várias fontes minhas (que não mencionarei para não as descredibilizar), Leiria é a melhor cidade para tudo: Cidade com mais qualidade de vida!; Melhor cidade para trabalhar!; Futura capital europeia da cultura!; Futura capital europeia do desporto!; Melhor cidade para fazer uma corrida à quarta-feira à noite!; Melhor cidade para os góticos beberem o que eles gostam de meter na goela… enfim, chega de enumerar factos que demonstram a exímia (as minhas desculpas pelo uso de tal expressão, apenas gosto que os meus 7 leitores pensem que tenho toques de intelectualidade no meu discurso) qualidade da nossa cidade.

Vocês Leirienses tornam o meu trabalho difícil! Pouco ou nada que se torne gozável, certo? Esfrego as mãos e solto uma gargalhada irónica por cada pessoa que acredite que isso é verdade! Aposto convosco, estimados leitores, que consigo humorizar algo tão próprio, tão nosso, que poderia ter sido o próprio D. Dinis a elaborá-lo.

No entanto, foram as intragáveis Maria do Céu Lopes e Georgina Santos – que nomes tão Leirienses – que criaram a magnífica brisa do Liz (ou como elas dizem: Beijinhos do Liz) e que há umas semanas se encontrou a disputar a primeira liga dos doces! E sim, ao contrário do União, estas passaram às distritais (aquele humor de bola só para quem não tem filtro).

Falo do programa “7 Maravilhas Doces de Portugal” transmitido pela RTP1, onde o sonho só acabou com um penálti convertido nos últimos minutos por outros doces que agora são detentores do título “doce maravilha”.

Agora os leitores mais curiosos perguntam “Onde é que a derrota das brisas do Liz e humor estão relacionados?”, ao qual eu responderia, se tal pergunta fosse feita “Calma, já lá vamos!”.

As Brisas não ganharam, mas eu também não degusto doces pela quantidade de prémios que cada um detém – não são os prémios que me fazem ter diabetes.

Relembro o que se passou: enquanto esta maravilhosa combinação de ovos, amêndoas e açúcar esteve na ribalta, toda a gente as deliciava! Eram fotos de felizardos a provar o doce! Grupos de embaixadores foram criados para promover um 760 qualquer (temos de falar destes embaixadores, mas talvez isso fique para outra conversa!). Foram criadas mascotes, clubes de fãs, músicas, tudo! Nunca Leiria esteve em tal euforia por algo tão nosso!

Até que… as Brisas não corresponderam aos 760 ligados. Ao valor simbólico mais IVA que milhares de Leirienses investiram em vez de investirem em mais doces! E agora não há mascotes, não há embaixadores a promover os doces, não há cantigas, não há nada… a não ser a própria Brisa. Aquela que agora só é deliciada pelos verdadeiros amantes da mesma, por aqueles que não se importam de ter doenças cardiovasculares futuramente. Não sei, pode ser de mim, mas tenho a sensação que é algo tipicamente da região, só apreciar as coisas quando elas estão na ribalta… tenho a sensação de que o povo leiriense se sente injustiçado, a pensar para dentro em caps lock “NÓS MERECIAMOS MAIS do que a Filhós de Cabrela!”.

Pois bem, acabo com 2 conselhos geniais, característicos da minha experiência vasta em ser de Leiria: Não deixemos algo nosso ser arruinado por filhoses de Cabrela ou Charutos dos Arcos! As brisas não passaram a ser boas de repente, nem vão ser terríveis por não serem um “doce maravilha”. Se serve de consolo, de acordo com a minha pesquisa moderada, as brisas já são galardoadas noutras categorias. E por fim, pensem em mudar o nome a este doce! Brisa do Liz não vos remete para um cheiro desagradável proveniente de um rio? Ao princípio chamavam-se Beijinhos e tiveram de se moderar por levantar comentários marotos, já brisa… não me cheira!