Crítica: Brincar ao cinema com Diamantino


A sétima arte é muito mais que o cinema óbvio de Hollywood e Diamantino dá a oportunidade de levar o cinema mais além.

Brincar sobre assuntos sérios não está ao nível de todos os filmes e muito menos na cabeça de todos os realizadores. Daniel Schmidt e Gabriel Antunes quiseram passar uma mensagem e temas sensíveis da sociedade atual para a tela, de forma ligeira para não ferir susceptibilidades. O filme inclui comentários sobre o Brexit, a crise financeira de 2008, a crise de refugiados, clonagem, corrupção dos políticos e escândalos de paraísos financeiros, como os Panama Papers. Dar isto tudo ao espetador em apenas hora e meia é dose e deve-se tirar o chapéu aos realizadores pela audácia e ousadia.

Apesar de só entrar nos cinemas portugueses em Abril deste ano, Diamantino inaugurou o Festival de Cannes de 2018, onde obteve aclamações muito positivas. Bizarro, diferente e diferente são alguns adjetivos caracterizados pelo público e é exatamente isso que faz este um formato vencedor.

Sobre o filme em questão, Diamantino é também o nome da personagem principal: o melhor jogador de futebol do Mundo, que tem a genialidade nos pés, mas tem o cérebro de uma criança ingénua e sem noção da realidade. Depois de falhar um penalty e, consequentemente, perder a final do Campeonato do Mundo, Diamantino decide terminar a carreira de futebolista e dedicar-se a uma vida mais familiar, onde pretende adotar um refugiado.

As personagens são incrivelmente bem interpretadas. Carloto Cotta (Diamantino) consegue transmitir todas as virtudes, exageros e defeitos da personagem, onde as comparações com Cristiano Ronaldo são mais que evidentes. As irmãs Anabela e Margarida Moreira também estão fabulosas no papel de manas sonsas que só querem viver às custas do irmão.

A história tem um fulgor enorme na primeira meia hora, mas peca por entrar em demasiados temas com pouco enquadramento (se bem que este estilo random é também uma das armas dos realizadores).

Para primeira longa metragem, Diamantino é um filme obrigatório. Faz pensar sobre assuntos sérios com muitos risos à mistura. E isso só está ao nível das melhores ideias.

 

Classificação TIL: 6/10

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