Crítica: O Natal chegou mais cedo com a malta da Omnichord


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Há três anos que a Omnichord habituam-nos a concertos de final de ano. Mas este ano juntou a família toda, tal como se pede nesta quadra natalícia.

Noite de 21 de dezembro. Lá fora as luzes de Natal brilhavam ao som de músicas dedicadas a esta época do ano, e lá dentro (do Teatro José Lúcio da Silva) ia ficando lotado com 700 pessoas que não sabiam muito bem ao que iam mas, tal como o Natal o prevê, sairiam de lá com muitas e boas surpresas.

O evento estava a cargo da Omnichord Records, se já tem por hábito ter eventos culturais das suas bandas neste fim de semana pré-Natal. Os First Breath After Coma e Surma foram os artistas escolhidos o ano passado para dar a conhecer a boa música que se faz pela cidade.
Desta vez a ideia tinha tanto de diferente como de misteriosa. Sabia-se apenas que o evento chamado Omnichord Take Over TJLS 2018 trazia a palco todas as grandes bandas desta editora: Surma, André Barros, Bússola, Ghost, Few Fingers, Twin Transistors, First Breath After Coma, Le Crazy Coconuts, Nice Weather For Ducks, Whales e Nuno Rancho. Além de todos estes artistas, ainda houve espaço para a participação especial de Lince.

Foto: Sal

A noite começou com uma das grandes sensações do panorama nacional português em 2018: Surma, numa também das novidades da sessão que se deu pelo nome de Christmas Open Mic, onde um artista tinha direito a cantar uma música que não sua. Surma foi a primeira, seguiu-se Pedro Carvalho, Luís Jerónimo (NWFD), Lince, First Breath After Coma e terminou com Nuno Rancho.

André Barros e Tiago Ferreira (Bússola) tocaram em conjunto no piano, suavizando e harmonizando todo um ambiente acústico à sala. No final dos dois temas Autism e A Cidade na Barriga da Mãe uma grande salva de palmas para os dois artistas.

Seguiu-se Pedro Carvalho no Christmas Open Mic a tocar o tema Ghost, original dos Whales.

A festa foi começando a crescer e com isso uma junção de bandas mortífera, não se juntasse uma grande diversidade de sonoridades. Few Fingers, Twin Transistors e os First Breath After Coma subiram a palco para também tocar um dos temas mais famosos dos Whales: Big Pulse Waves. Os riffs das guitarras fizeram agitar até os mais tímidos no público.

Os Few Fingers continuaram em palco e a eles juntaram-se os Les Crazy Coconuts e Surma a tocar um tema desta última, Maasai. Aqui já se sentiram os ambientes mais eletrónicos e desconcertantes, com pena do público estar sentado porque a batida estava mesmo a pedir para as pessoas abanarem mais do que a cabeça.

Seguiu-se o momento mais pop da noite. Luís Jerónimo, dos Nice Weather For Ducks e Jerónimo, chegou-se perto do microfone para, sozinho, cantar um Last Christmas dos Wham, com a sua guitarra acústica. Um momento muito giro, com a magia da maioria das pessoas a entoar em uníssono o tão conhecido refrão da música.

Com o espírito de Natal completamente entrosado, estava na hora dos Whales e os First Breath After Coma se juntarem (fizeram-no por duas vezes) e darem o espetáculo mais eletrizante da noite, com nota para  o vocalista dos FBAC, Roberto, que surpreendeu com a força e poder da sua voz, face aos instrumentais em alta rotação!

Depois foi a vez da convidada especial Lince, em mais um Christmas Open Mic, fazer juras de amor aos elementos dos Nice Weather For Ducks, ao tocar ao piano um dos principais hits da banda festiva, com o tema Marigold.

Seguiram-se os Jerónimo que tocaram dois temas com outros dois artistas de Leiria: Surma e FBAC, à vez. Primeiro com Surma a canção Drog e mais tarde com a banda leiriense In a Bunker.

A noite estava boa, intensa e os artistas sorriam e passavam também aquele espírito natalício para o público, com alguns deles a levantarem-se e a bater palmas ao ritmos dos batuques das músicas.

Foto: Região de Leiria

O momento mais querido do Natal ficou a cargo dos First Breath After Coma que, equipados com aquelas clássicas camisolas de Natal, juntaram-se e em coro desenvolveram um Silent Night que tanto fez rir como contagiar a plateia. Até porque é mesmo isso o Natal!

Para as pessoas também não se levarem apenas por este ambiente mais melancólico, saltaram os Nice Weather For Ducks juntamente com Le Crazy Coconuts para dar novo ambiente colorido ao Teatro, com a música Cosmic Car. A viagem fazia-se a um caminho que todos queriam apanhar boleia, mas pararam numa estação que nem todos estavam preparados. Em seguida apareceu Nuno Rancho, ele e a sua guitarra, para pela primeira vez fazer um cover da nova música dos FBAC, Heavy. Uma prova que não se antevia fácil mas que foi claramente superada, pelos tantos aplausos que ecoaram na sala.

Por fim, ouvimos Paulo Pereira & Guests com God Only Knows e depois juntou-se toda a família da Omnichord Records (Hugo Ferreira e toda a produção do espetáculo incluídos) para cantar a Untiled Love #2 dos Nice Weather For Ducks, agora pela voz de Luís Jerónimo.

Foi uma noite bonita, surpreendente e uma noite também onde se deve questionar a força que a música tem em Leiria.

 

 

Testemunhos:

Foi mesmo bonito. E muito competente a nível técnico ( que era tramadíssimo com tanta gente e tanta coisa, como imaginas). É um luxo trabalhar com uma geração de ouro como esta. Oxalá as entidades e os promotores olhem mais para eles porque merecem mesmo viver da música para nós darem cada vez mais. Hugo Ferreira, Omnichord Records

O Takeover da Omnichord assaltou-nos a atenção e absorveu-a durante uma hora e meia de fusões que nunca estariam ao alcance de songoku e vegeta. Estes super guerreiros musicais de Leiria criaram versões de diversos temas do seu catálogo e ainda foram buscar energia para, comicamente sérios, recriarem temas de natal. Uma sala que se encheu de amor, orgulho e “rock n’roll”,  Walter Santos, 29 anos

Há lá melhor coisa que voltar à nossa terra natal e ter um espetáculos destes? Para mim não há! Esta junção de tanto talento infernal resultou em explosões sonoras incríveis. Foi um Takeover de sala cheia, repleta de sorrisos e boa disposição. É o que se quer num espetáculo de natal de facto mas há algo mais que não podia faltar, o rock claro! Ele esteve presente e demonstrou que é para durar, pelo menos na cidade de Leiria, João Domingues, 29 anos