Crítica: “BlacKkKlansman” é um cómico-drama de há 40 anos com uma mensagem atual e bem direta a Trump


Escrito por:
Rui de Sousa
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Spike Lee voltou aos grandes filmes, trabalhando uma história verídica que fala num problema bem conhecido (mas também escondido) nos dias de hoje

 

O racismo de há 40 anos não é assim tão diferente do racismo de hoje em dia. Talvez em escala seja menor, mas o problema persiste. E foi exatamente que Spike Lee quis trazer com BlaKkKlansman – O Infiltrado: um filme que fala nos anos de ouro da década de 70, em que as vestes se destacavam, os pensamentos emergiam e o racismo predominava.

O Ku Klux Klan, iniciado por extremistas que viam o nacionalismo e a supremacia branca como modo de vida, funciona como o principal mote para este enredo.

Aqui,  John David Washington (faz o seu primeiro grande papel) interpreta Ron Stallworth, um afro-americano que concretizou o sonho de se tornar polícia, no Colorado, o primeiro naquele estado do Estados Unidos. O facto de Ron ser de origem negra dificulta e muito a sua profissão (inclusive dentro da própria esquadra) numa América inundada de racismo e xenofobia.

Apesar disso, Ron Stallworth luta pelos seus direitos e pelas suas crenças. Primeiro começa como investigador  e, como a sua missão é bem sucedida, consegue, por mérito, criar a própria missão: infiltrar-se e tornar-se membro do Ku Klux Klan. Essa mesma seita que tem como ideal, entre outros, o de eliminar todas as pessoas de raça negra.

Como ele não pode aparecer, aí junta-se a Flip Zimmerman (Adam Driver), um judeu (curiosamente, também um dos alvos do KKK) que se faz passar exatamente por Ron. O verdadeiro Ron Stallworth conecta-se apenas por telefone com os principais membros do Ku Klux Klan, enquanto Zimmerman se encontra presencialmente com eles para investigar e conhecer um pouco mais sobre a seita e os próprios intervenientes. 

Spike Lee pegou nesta história verídica e quis transformá-la numa mensagem atual, da América vivida hoje, que, com a eleição de Donald Trump, transparece-se ainda mais reprimida com as minorias, com o racismo a ecoar pelas ruas. O realizador transforma subtilmente uma comédia melodramática num filme sobre política, activismo e tudo aquilo que pode tornar um mundo melhor. E é isso que sentimos quando saímos do cinema: o mundo pode mesmo melhorar. E muito!

Classificação TIL: 8/10

Sessão Cinema City