Fui aprender a meditar


Escrito por:

Pois é, fui aprender a meditar. Já tinha lido algures que a Prana fazia sessões de meditação e sempre tive curiosidade sobre em que consistia exatamente a meditação. Quem me conhece sabe que sou muito afastado deste tipo de coisas. Tudo o que seja para acalmar e tranquilizar tem em mim o efeito oposto, por isso prefiro utilizar outros métodos para manter a calma. Mas sem preconceitos lá fui eu a uma sessão.

Através do Google Maps encontrei a sede da Prana e cheguei até 15 minutos antes da hora, tal era o entusiasmo. O espaço provocou logo em mim uma sensação cómica e de que eu estava mesmo deslocado com mantas, lençóis com figuras de deuses indianos como Ganesha. “Epá, está bem”, pensei eu para os meus botões: “Tu vieste experimentar, não tens de concordar com tudo nem aceitar tudo o que te dizem” . Entretanto os participantes começaram a chegar desde pequenada até pessoas de meia idade e todos fomos tomando as nossas posições, em círculo em cima das mantas. Chegando à hora de início o nosso guia, Telmo começou por dar as boas vindas e fazer uma pequena introdução para os novatos, como eu, sobre o que era a meditação. A meditação ativa é a concentração da mente numa determinada atividade e neste caso seria a respiração. Através da concentração na nossa respiração podemos eliminar as “forças negativas” à nossa volta, de nos sentirmos mais leves e de amenizar a ansiedade e o stress. Neste dia o tema era saltos de fé.

A sessão teve duas etapas, a primeira considerada como uma preparação em que simplesmente nos tínhamos de concentrar na nossa respiração para entrar na mentalidade correta. Basicamente serviu para acalmar e para nos abstrairmos do nosso redor. Era concentrada em nós. Como um descrente, confesso que passados alguns minutos de meditação me senti a divagar. Não em pensamentos mas o meu corpo parecia que estava a viajar para outro sítio, a minha perceção de espaço estava completamente alterada e sentia-me muito mais magrinho. Vá, mais leve, pronto. Dada a indicação do guia Telmo podíamos voltar a abrir os olhos e voltar à realidade. Este foi o intervalo até entrarmos na segunda parte da sessão.

A segunda parte não foi tão eficaz para mim. Depois de voltarmos a fechar os olhos, o Telmo indicou-nos que iríamos começar a subir e levou-nos numa viagem pelo nosso interior. Com as suas palavras visualizávamos uma estrela que era o nosso ser, as nossas experiências, o nosso passado, tudo o que somos estava simbolizado naquela estrela. Por várias vezes tive de me mudar de posição pois já estava a sentir as pernas todas dormentes, não estou acostumado a estar na mesma posição tanto tempo. Depois aquilo entrou numa onda mais de auto-ajuda em que teríamos de abrir uma porta que simbolizava o tal salto de fé que tínhamos que dar. Fosse para onde fosse e acontecesse o que acontecesse teríamos que dar esse salto para crescermos enquanto pessoa, para enriquecermos o nosso ser, sem medos. Tudo isto sem nos esquecermos de respirar muito tranquilamente e sempre no mesmo ritmo.

A parte final consistiu numa tirada de três cartas à sorte que continham mensagens, seriam as nossas mensagens para a semana. Aí tive de me segurar um pouco para não fazer ninguém sentir-se mal. Eu realmente não acredito nestas mensagens nem no poder que as cartas teriam sobre a minha semana. As três cartas formam uma mensagem que seria a nossa orientação para a semana. Escutei a minha mensagem e aí tive a certeza, aquilo não era mesmo para mim. Não consigo conceber a ideia de me dizerem que a minha vida é o que seja através de cartas. Eu poderia até encontrar razão na mensagem se procurasse algo que se encaixasse mas pura e simplesmente não aceitei, as cartas não sabem nada de mim para me dizer seja o que for, olha agora!

Concluída a sessão levantamo-nos e a conversa seguiu como antes. Foi uma experiência muito gratificante. Apesar dos meus ideais não se encaixarem totalmente naquilo que se praticou, o que senti foi real porque o senti e não ponho de parte a ideia de meditar por conta própria, mas sem cartas. Esta foi a minha experiência de meditação. Quem quiser experimentar, a Prana está na Estrada da Estação número 30 e podem saber mais na sua página de Facebook.