Mariza: ” Cada concerto é único, cada concerto tem uma energia e Leiria teve uma energia explosiva”


O fado deixou de ser ouvido e cantado em ambientes fechados e a prova disso foi o evento Leiria Festival 2018. O evento aconteceu no Estádio Dr. Magalhães Pessoa e contou com cerca de 8 mil pessoas só para assistir à fadista Mariza.
Sendo esta uma das vozes mais emblemáticas e carismáticas do país, a envolvência com o público contou com as lágrimas de alguns. Mas apesar de todo o entusiasmo do concerto, a fadista com raízes moçambicanas ainda cantou alguns dos temas que irão constar no novo disco a ser publicado dia 25 de maio.
O concerto contou ainda com uma alegria para os leirienses: a cantora confessou que Leiria “tem um público muito muito carinhoso, que sabe receber. Estava muito feliz e surpreendida. Esta noite foi uma energia explosiva.”
No final, não foi preciso perder para depois se ganhar, pois sem dúvida que foi mais um passo que Leiria deu em frente sem medo de errar.

TIL – Mariza, como é voltar a Leiria mas desta vez num ambiente diferente?

Foi muito gratificante, têm aqui um público muito muito carinhoso que sabe receber como ninguém e amei cada minuto, cada momento. Foi espantoso perceber que já conhecem os temas todos, os antigos e os novos deste disco que ainda vai sair no próximo dia 25. E já cantam imensos temas, portanto estava super feliz mas também muito surpreendida.

TIL – Foi fácil perceber que havia uma interação muito forte entre si e o público pois havia várias faixas etárias e vários estratos sociais. Isso motivou-a de alguma forma na interação com o público?

Não, eu acho que a forma como se interage tem muito a ver com o que o público dá, porque na realidade isto são espaços tão grandes que não se consegue perceber as várias faixas etárias.
Percebi que na zona da frente havia pessoas de várias idades e até algumas crianças mas o concerto, maioritariamente, é feito pelo público. Se o público for muito carinhoso, o concerto torna-se ainda mais carinhoso, se o público for tímido o concerto também fica tímido. O que aconteceu aqui é que era um público muito respeitador, com vontade de ouvir música e extremamente caloroso e carinhoso.

TIL – Estava à espera desta ligação forte?

Eu sou uma artista um bocadinho mal habituada. Sou muito acarinhada e é incrível porque, acho que a palavra obrigado é pouco para agradecer a forma como as pessoas recebem a minha música e a mim como artista. Mas, não estava à espera que fosse tão caloroso e tão carinhoso e amei cada minuto que estive em cima do placo. Não é que das outras vezes não tenha gostado, mas cada concerto é único, cada concerto tem uma energia e esta noite foi uma energia explosiva.

TIL – O que é que podemos esperar do seu novo trabalho?

Cada disco é uma época da minha vida, talvez se possa reger pela idade. No primeiro disco, tinha 20 e poucos anos e aqui estou nos 40 e muitos poucos, mas não me apetece muito falar sobre isso, mas é a verdade (risos), e já traz uma maturidade, traz uma personalidade muito própria. Também fui buscar fados que ouvia quando era miúda, das casas de fado e tive o privilégio de ter amigos que também compuseram e escreveram para mim. Parecendo que não, todo esse ambiente que se vai formando entre os temas mais antigos e temas escritos, especialmente para eu cantar, faz com que cada disco seja uma época e tenha algo de especial. Porque eu só posso cantar a minha verdade. De disco para disco a verdade vai aumentando e a forma de cantar também vai ficando diferente.

TIL – Este disco reflecte a maturidade?

Reflete aquilo que eu sou neste momento, a forma como eu vejo o mundo, a forma como vejo Portugal, a forma como sinto a minha cidade, Lisboa. Também reflecte o que eu sou neste momento da vida, obviamente a maturidade, mas também uma grande vontade de fazer música e de mostrar aquilo que eu sou. E o bom disto tudo é que tanto em Portugal como fora, já tenho tocado os temas e tem sido fantástico a forma como as pessoas o têm recebido. Exemplo disso, é que em poucos dias o tema “Quem me dera” ter já um milhão de visualizações. É surpreendente.

TIL – Leiria vai receber Matias Damásio, trabalhou com ele no novo disco. Como foi trabalhar com ele?

Eu não trabalhei directamente com o Matias, ele ofereceu-me um tema e o interessante disto tudo é que eu sou africana, ele também, trago uma lusofonia e o Matias também é lusófono. É incrível a forma como ele escreve… tem uma leveza. E quando o tema chegou, ao princípio, eu fiquei um bocadinho espantada, pensando: “Será que eu conseguirei cantar estas palavras?”. Mas conforme as coisas foram andando e o tema se foi construindo, através daquilo que eu sentia e os instrumentos que gostaria de pôr, o tema foi ficando cada vez mais meu e não do Matias. Peço desculpa ao Matias! (risos)
Hoje é engraçado, porque quando o cantei aqui, as pessoas já cantavam o refrão. E espero que o Matias quando subir ao palco tenha o mesmo carinho e seja recebido da mesma forma como eu fui.