Crítica: nem a forte química entre Wagner Moura e Ana de Armas salva “Sérgio”

Crítica Sergio

O filme que retrata o processo da independência de Timor-Leste (com um ator português a representar Xanana Gusmão), não chegou para superiorizar Sergio Vieira de Mello, o alto comissário da ONU no início do século passado.

A Netflix surpreende-nos com vários filmes e Sérgio foi dos últimos a entrar no catálogo do serviço de streaming. Disponível desde 17 de abril, Sérgio é um filme em que os portugueses se podem sentir nacionalistas, já que a língua portuguesa, com sotaque do Brasil e Timor-Leste, é recorrente.

Wagner Moura, ator conhecido por interpretar Pablo Escobar, em Narcos, ou Capitão Nascimento, em Tropa de Elite, interpreta, agora, outra personagem marcante: o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, alto comissário da ONU e uma das pessoas mais respeitadas desta organização,  que luta pela paz e cooperação entre vários países.

O filme acaba por ter uma grande ligação a Portugal e, principalmente, à língua portuguesa. Isto porque é retratada a fase em que Sérgio esteve em Timor-Leste, na luta pela independência, contra o domínio histórico indonésio. Nestas cenas são recorrentes os diálogos em português entre Sérgio e o povo timorense, incluindo algumas falas com Xanana Gusmão, o general e ativista timorense interpretado pelo ator português, Pedro Hossi (na foto à esquerda).

Destaque, ainda, para Ana de Armas (Knives Out), uma das novas meninas bonitas de Hollywood, que aqui interpreta Carolina Larriera, a perdição amorosa de Sérgio de Mello. A relação entre Carolina e Sérgio é, aliás, o grande pilar desta película! Há ali qualquer coisa de amor verdadeiro – nos olhares, no toque ou na constante troca de línguas (inglês, espanhol) –,  que tornam este casal mais real do que os que costumamos ver em outras longas metragens. Esse envolvimento dos principais atores é a luz ao fundo do túnel, quase destruída em pós produção pelo seu realizador…

O realizador é Greg Barker, experiente nestas andanças de longas com políticos – Obama: O Último Ano, Manhunt: The Iniside Story of the Hunt for Bin Laden e Sérgio, este último um documentário sobre este mesmo Sérgio Vieira de Mello, são alguns dos trabalhos precedentes a este filme. A ideia principal deste filme não é muito diferente dos restantes trabalhos do realizador: mostrar a pessoa por detrás do político.

 

Sérgio desenrola-se entre momentos antigos e momentos atuais, centrando-se, a certa altura, no relacionamento. A viragem da independência de Timor-Leste é deixada para segundo plano e o espectador fica sem saber, ao certo, o que levou à consequência trágica do alto embaixador da ONU. Além disto, muitos brasileiros têm contestado o facto de, nesta ficção, apenas se dar o lado bom de Sérgio Vieira de Mello, o que nem sempre é positivo nestas biografias. 

A falta de imagens reais e de época também tiraram um pouco de contexto à história.  

Pequenas falhas que dão mais um género romancista a Sérgio do que propriamente biográfico – e é aí que Wagner Moura e Ana de Armas fazem a sua parte, apesar de não conseguirem saltar a fronteira entre um excelente filme e o “só mais um” para juntar à lista.

 

Classificação TIL: 6 / 10