Crítica: Vice faz de Cheney o homem do “vale tudo”


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Reconhecer Christian Bale na pele de Dick Cheney é mais difícil do que se esperava. O ator encarnou mais uma vez a personagem até ao mais pormenorizado detalhe. E Sam Rockwell não ficou nada mal na pele de Bush mais novo.

A vida de Dick Cheney, um dos homens mais importantes e perigosos da mais recente história política dos Estados Unidos da América, dava um filme. Foi isto que pensou Adam McKay, o realizador deste Vice que chamou Christisn Bale pela segunda vez para um filme próprio (o primeiro foi o tão aclamado A Queda de Wall Street). Com uma diferença substancial: aqui, Bale depende basicamente só de si para levar avante a história de Cheney, que vai desde os tempos de adolescente boémio a um político explosivo e de sucesso.

O filme tanto tem cenas que vão do homem mais jovem à procura da felicidade com a mulher (Amy Adams), como a de um político exímio que não olha a meios para atingir os fins. É esta a máxima que Adam McKay quer dar a Dick Cheney: o homem do “vale tudo” que preza pela qualidade do seu país e é capaz das decisões mais frias e sangrentas para cuidar dos seus. Foi assim na política e, como demonstra o filme, também na vida pessoal.

Há muitas cenas cativantes, em especial nos bastidores da política, com algumas cenas a fazer lembrar um pouco os jogos de manipulação de House of Cards. Também é um filme interessante na medida da conjuntura americana no antes e pós atentados de 11 de setembro de 2001. Nesta altura Cheney era vice-presidente de George W. Bush (interpretado brilhantemente por Sam Rockwell) e depois há uma mudança ainda mais brusca da principal personagem, com decisões bruscas em prol dos americanos com guerras (sem certezas) contra países pobres mas ricos em petróleo, como era o caso do Iraque no início do século.

Filmes políticos americanos e políticos são sempre questionáveis pelas ideologias dos próprios realizadores e produtores. E este não parece ser diferente. Este filme faz de Cheney um republicano implacável, sem virtudes e onde a imparcialidade cinematográfica não parece vir ao de cima. Mas, como em tudo, é bom para aprender durante duas horas um pouco mais sobre história recente norte-americana e tirar as próprias conclusões.

Dick Cheney sempre foi um tubarão nos oceanos políticos e soube quem e como deveria manipular o próximo. É isso que Vice nos oferece: a lei do mais forte.

 

Classificação TIL: 6,5 / 10