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Ricardo Romero, BEZT, Catarina Glam, Robô, jana&js e Zoer. São estes os nomes que vão marcar a 2.ª edição do Paredes com História: Arte Pública.
Paredes, tintas, ação. Está cortada a fita da 2.ª edição do evento Paredes com História: Arte Pública, o evento que transformou espaços e conquistou muitas vistas e visitas o ano passado. No mês de outubro, juntando as cinco obras de 2017 com as seis deste ano, haverá um total de 11 grafítis e intervenções em vários espaços públicos da cidade de Leiria. Uma autêntica “galeria de arte a céu aberto”, como se apresenta o evento.
Segundo Ricardo Romero, um dos organizadores do evento, esta será uma edição “mais ambiciosa”. O roteiro de intervenções poderá trazer mais público e “criar um diálogo artístico” entre o que foi feito na primeira edição e o que irá ser feito este ano. Para o futuro? Pretende que estas intervenções se alarguem às freguesias.
Mas quem são os artistas por detrás destas obras de arte? De onde vêm? E porque se dedicam à arte urbana?
São sete nomes, oito artistas, perfis e técnicas artísticas diferentes, mas um objetivo em comum: colocar Leiria no mapa da arte urbana e torná-la num ponto de visita obrigatório.
Ricardo Romero
Curioso e persistente por natureza, autodidata por resiliência. Assim se define o artist nascido na cidade de Leiria . Pinta-se por uma linguagem estética, técnicas e uma certa atitude provocadora e contorversa nas suas obras. E na rua, como lugar de excelência, pois é lá que sente e valoriza as raízes do grafíti. Foi em Évora que começou a desenhar o seu percurso em 1994 e fora dos grandes centros urbanos. Mas foi cinco anos depois que começou a deixar (literalmente) a sua marca no grafíti. Ricardo foi um dos pioneiros da técnica ship, explorando a técnica do stencil e o recurso a vetores no grafíti em Portugal.
Mas foi também desde cedo que o artista assumiu a postura dele nesta arte: pensar o grafíti como instrumento facilitador no relacionamento com jovens e crianças. Neste sentido, foram várias as formações que ministrou, bem como oficinas de experimentação e criação artística.
Projeto MATILHA
Ao mesmo tempo que foi procurando ter essa consciência pedagógica e educacional nos mais jovens com as suas produções, Ricardo Romero também sentiu, a certa altura, que uma inquietude e sensibilidade face às questões dos direitos animais deviam ser retratadas nos seus murais. Essas obras foram surgindo naturalmente com o recurso à imagem e tema do animal. E foi assim que acabou por nascer o Projeto Matilha. A unique portuguese word for a group of dogs, semântica associada ao nome do seu projeto, intenta, através das suas obras em diferentes cenários, levar a uma tomada de consciência e mudança de atitudes em relação à forma como o “melhor amigo do Homem é tratado”.
A par deste projeto, é diretor artístico do UIVO – ecos de arte com animais e gente dentro, iniciativa da qual é co-fundador, e está envolvido em vários projetos relacionados, sobretudo, com a arte urbana. Ricardo faz ainda parte de um coletivo ligado ao universo da cultura hip-hop, a OneArtCrew. Apesar de a obra constar em coleções privadas, é na rua, em espaços públicos, que assume toda a forma e sentido. Tanto cá dentro como lá fora.
BEZT
Nasceu em Turek, no centro da Polónia, em 1987. É o BEZT.
BEZT frequentou a Academia de Belas Artes em Lodz, onde especializou a técnica de pintura de frescos. Também foi em Lodz que conheceu Sainer e juntos criaram o grupo Etam Cru. As fachadas de edifícios escuros e cinzentos são as telas de eleição dele e já criou obras em vários espaços públicos nos quatro cantos do mundo. A Etam Cru já esteve mesmo nos Açores em 2012, na ilha de Ponta Delgada, onde deixaram a sua marca.
As cores fortes e traço único que impõe nos seus murais tornam-no num artista excêntrico. É inspirado por temas florais e folclóricos. O uso da imagem feminina e animal na arte ajudam-no também a criar metáforas.
Atualmente, BEZT conjuga as viagens com a pintura, dividindo o tempo a viajar pela Europa com Sainer, onde têm participado em vários festivais de street art, divulgando e produzindo o seu trabalho em exposições individuais.
A peculiaridade com que grafita faz eco no país onde nasceu e já é mesmo uma das figuras mais influentes na Polónia. Nas obras que assina, BEZT prima pela mensagem a transmitir, mais do que os vários materiais que utiliza, pois considera que o mais importante é a criação de narrativas de forma a fazer chegar a mensagem esperada.
CATARINA GLAM
Catarina Monteiro é uma artista urbana portuguesa. Desde 2000 que se dedica ao grafitti e à pintura de murais. Considera que a paixão pelas cores e formas toma conta da vida dela. Ma, foi também desde cedo que elevou as obras a um outro patamar. Glam, como se apelida, realiza trabalhos multi-dimensionais em papel e madeira. Uma versatilidade que já lhe permitiu, ao longo dos anos, produzir várias peças de design e personagens para várias marcas, exposições e festivais no estrangeiro.
Vive num universo vasto, “a mil à hora”, mas num caos organizado. Catarina define a arte que cria como criteriosa até ao mais ínfimo pormenor.
JANA & JS
Jana & Js formam uma dupla de street artists desde 2006. Jana é austríaca e Js francês. Ainda assim, foi em Madrid que se cruzaram e decidiram fundir os projetos que conduziram. Viveram lá alguns anos, depois seguiram para Paris e atualmente vivem em Salzburgo, na Áustria. E tem sido através destes múltiplos desvios por diferentes cidades, lugares e características que lhes conferem, bem como pela paixão pela fotografia, que foram assentando as bases desta fusão artística. Distinguem-se por murais criados com stencil e baseiam-se, sobretudo, nos trabalhos fotográficos para os conceber. A inspiração vem das cidades e nas pessoas que nelas vivem. Em cada cidade, procuram decifrar o impacto do Homem nas cidades modernas e depois, aliar a paisagem de cada uma com os materiais melancólicos pela passagem do tempo e da História. E é em stencil sobre betão que procuram eternizar as obras.
Infraestruturas públicas, linhas de comboio, edifícios antigos ou inacabados, postes, camiões antigos, madeira. São estes alguns dos lugares ou recantos onde procuram fundir as pessoas com o meio ambiente. A essência está em transformar pesssoas em arte e relacioná-las com o meio ambiente, captando as emoções, desejos e preocupações com o mesmo. Um diálogo artístico que, mais do que apelar a vista, procura apelar à consciência.
ROBÔ
Robô é o mais novo dos artistas desta edição. Tem 23 anos mas já dedicou meia vida ao grafitti. Fá-lo desde 2007.
É formado em escultura e audiovisuais e o interesse que nutre pelas práticas urbanas deu lugar ao cruzamento de outras técnicas, o que lhe deu algum conhecimento acerca de temas que ressaltam no panorama da cultura atual.
Já participou em vários projetos e exposições. Isso tem-lhe permitido desenvolver e explorar os limites da sua prática e refletir sobre as proporções que a sua expressão visual pode adquir.
Desde 2014 que está inserido em diversas publicações, das quais se destacam: Street art Lisbon volume I. Lisboa: Zest books; Street art Portugal. Lisboa: Zest books; Street art Lisbon volume II. Lisboa: Zest books; Lisboa graphics. Porto: Objecto Anónimo.
WASTED RITA
Wasted Rita é uma artista e ilustradora portuguesa . A assumida “agente provocadora nata” gosta de pensar, escrever, desenhar e dar vida a pequenas jóias de sabedoria sarcástica, refletindo uma educação não convencional.
Desde 2011, ano em que criou o blog “Rita Bored”, a artista de 30 anos tem vindo a acumular, desde então, uma enorme legião de seguidores.
Cabe dizer que o trabalho artístico dela assenta num binómio entre a tristeza e a felicidade onde defende que, muitas das vezes, no dia a dia, somos forçados à felicidade. Rita Gomes assume que esta é mais indissociável da tristeza do que se tende habitualmente a admitir.
As invectivas poéticas de Rita sobre a vida e o comportamento humano têm aparecido em revistas, livros, exposições e comissões artísticas em vários países de todo o mundo. No entanto, Rita procura não pensar em números e pensa antes em projetos, pois acredita que ter de se preocupar com o negócio “mata completamente a parte criativa”.
ZOER
De Sicília chega Zoer, pintor e designer de produto. Tem 33 anos.
Desde criança que o artista italiano criado em Lille, norte de França, era inconformado mas ao mesmo tempo curioso com o que o rodeava. Zoer desconstruía, queimava e amachucava objetos, alterando o seu formato. Bastante observador daquilo que o atraía, formou mesmo o próprio conceito: o Zoerismo- arte ilustrativa e abstrata.
Formado em Design Industrial, define-se como um artista livre que trabalha nos próprios projetos. É nas memórias que se inspira para criá-los, perdidas entre a infância, os vizinhos, histórias da rua e na cultura techno e Rock’n’Roll.
Em 2004, com Kyro, o parceiro, criou o CSX (Chômeurs Sans eXpérience – Desempregado Sem Experiência), que serviu para desvendarem culturas e conhecerem personalidades da pintura pelos lugares por onde passaram.
Com uma abordagem não convencional, Zoer tem criado um dos estilos mais originais e progressivos da atualidade. Desde letras desconstruídas a carros, vários elementos fazem parte das composições que criam. Ao mesmo tempo, não é “dono” de uma só técnica, pelo que abraça muitos territórios gráficos. Locais abandonados, áreas urbanas e industriais são lugares de eleição que depois decora e combina com o conceito de arte abstrata que ele próprio construiu.
É um artista que vê a pintura como concepção de ideias e visões, mais do que a criação de imagens harmoniosas, homegeneízando a espontaneidade e forma infantil com que olha para o grafitti, com um estilo mais técnico, industrial e preciso.
Até 7 de outubro, as ruas da cidade de Leiria vão ser a tela destes artistas. Intervenções às quais é possível assistir de forma gratuita. Basta apenas deslocar-se até aos seguintes espaços:
INTERVENÇÕES
10 Set a 17 Set- ZOER- Via Polis Leiria
17 Set a 21 Set- ROBÔ- Bombeiros Municipais de Leiria
19 Set a 28 Set- BEZT- Rua de Tomar
24 Set a 30 Set- RICARDO ROMERO | PROJECTO MATILHA- Antiga EDP – Via Polis Leiria
02 de Out a 07 Out- JANA & JS- Hotel Leiria Classic
04 Out a 07 Out- CATARINA GLAM- Centro de Interpretação Ambiental
EXPOSIÇÃO
14 Set a 07 Out -WASTED RITA- Livraria Arquivo
CONGRESSO
02 Out a 04 Out ARTE URBANA NO PLURAL ESECS-IPL- Auditório
Artigo: Wilson Tavares




