Crítica: Keep Razors Sharp – uma ode ao rock!


Os Keep Razors Sharp fazem jus ao nome e mantêm as lâminas afiadas, vagueando nas diferentes expressões do rock. A banda de Lisboa bastante descontraída mas muito incisiva interpretando músicas com todo o amor de quem partilha o que é seu e vê esse sentimento retribuído.

Sábado, 22 de dezembro, e mais uma vez o sítio para estar era a Stereogun para ver os Keep Razors Sharp. O concerto estava marcado para as 23h30 e, apesar de a banda ser relativamente recente, já tem o seu culto de seguidores que romaram, alguns desde Lisboa, até à Stereogun e compuseram o espaço com corpos e mentes ansiosas de boa música.

Fotografias de Teresa Neto

O concerto começou perto da 00h30 e as preces dos presentes foram correspondidas. O concerto fez lembrar uma música dos próprios Keep Razors Sharp. O começo algo lento em tom de introdução e, consoante o tempo passa, o som cresce até envolver todos num movimento contínuo de abanões de cabeça pautados pela secção rítmica.

Nestas duas horas de concerto, boa música e até espírito natalício, foi possível comprovar em primeira mão o que Luís Raimundo disse em entrevista à TIL. A harmonia e o entrosamento entre todos os sons e todos os elementos da banda é palpável e, em certas alturas, parece que o público é uma mera decoração e os Keep Razors Sharp viajam no seu navio de velas afiadas para um destino que só os próprios conhecem.

Fotografias de Teresa Neto

A bateria de Bibi e o baixo de Bráulio foram como um metrónomo na condução do público, que sempre acompanhou com movimentos de cabeça. A música dos Keep Razors Sharp não é para muita mochada, é para se dançar tranquilamente enquanto se bebe uma cerveja (ou sete). Ainda que haja espaço para alguns sons mais agressivos, são passageiros.

A expressão utilizada no início é espelho do concerto. Os Keeps Razors Sharp são uma banda de rock, nas suas várias linguagens, feita por amigos e, sobretudo, por conhecedores de música que não têm medo de variar e experimentar. Se, por vezes, parecia que estávamos a ouvir uma música de Sean Riley and the Slowriders, outras parecia que eram os Poppers em palco. No meio disto também houve tempo e espaço para alguma improvisação e devaneio.

Fotografias de Teresa Neto

Músicas como I see your faceOvercome foram diretas à questão, Always and Forever também foi mas arrancou os maiores aplausos, outras ainda se prolongaram e deram espaço à bonita veia criativa dos membros que, como alguém disse, estão a jogar em casa. Afonso Rodrigues confirmou isso mesmo quando, a certa altura, confessou ser sempre um prazer estar de volta a Leiria e à Stereogun.

Em suma, os Keep Razors Sharp deram ao público presente o que ele queria ver: um grupo consistente, ciente do que gosta e da orientação que dá e que, juntando todas as cabeças de Bibi, Bráulio, Afonso e Luís, resulta num projeto leve, descontraído mas muito seguro de si e com músicas a fazer festinhas no ouvido. Esperamos pelo próximo concerto!

Fotografias de Teresa Neto

Testemunhos:

Leandro Guerra: “Inicialmente este álbum não preencheu tanto os meus parâmetros musicais mas, quando me vi naquele espaço a ouvir o som projetado bem nos meus ouvidos, tudo me soou bem. É notória e transparente a entrega à música e a necessidade de agradar as pessoas que estão na sua frente. E é disto que é feito o sangue artístico, a necessidade de transparecer o sentimento e conseguir alcançar a mente e disposição de quem ouve, lê ou observa. Estamos, indubitavelmente, na presença de sangue artístico por parte de todos aqueles membros que se conjugam, diria mesmo, na perfeição.”