Crítica: Ciclo Preparatório são pop com diploma assinado


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Rui de Sousa
Rui de Sousa
                       

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    A banda oriunda da Lamarosa chegou à Stereogun com vontade de entregar boa disposição com músicas do último álbum e alguns dos grandes clássicos.

    Eram pouco mais das 23h quando chegamos à Stereogun. O objetivo para a noite estava traçado: ver um bom momento musical com os ligeiros mas viciantes Ciclo Preparatório. O início do concerto foi mais demorado que o previsto, o que se aceita, porque pedia-se mais pessoas para assistir a uma banda que tem dado cartas nos últimos cinco anos.

    Cerca de meia hora depois, lá estavam os Ciclo Preparatório prontos para dar ali mesmo um concerto aos verdadeiros fãs. O grupo composto por João Graça, José Pape e Sebastião Macedo, Benedita Gonçalves e Pedro de Tróia desculpou os presentes pelo atraso, deram aso à voz e aos instrumentos e lançaram Montes da Beira, o primeiro single do novo álbum, editado em outubro de 2018, Se é Para Perder Que Seja de MadrugadaCom as cordas e as batutas aquecidas, continuaram nesse mesmo disco com o tema Dançando com Lobos.

    Os sons balançavam às letras do vocalista

    Os maiores fãs já trauteavam as novas músicas, mas com mais vontade ficaram quando perceberam pelos primeiros acordes que vinha dali Lena d’el Rey, um dos principais temas que levaram os Ciclo Preparatório às rádios nacionais. As mais de 40 pessoas na sala moviam os corpos ao mesmo tempo que cantam juntamente com a banda “vem rapariga, traz a tua saia e dança para que ela não caia”. A festa prometia!

    Os ritmos dos Ciclos Preparatório entram sempre num pop fresco que chama todas as idades. Se eles são um ciclo, então têm de ter um diploma assinado que explique que a música tem de ir do avô ao neto, passando pelos pais. Ali, na Stereogun, a faixa etária estava mais fechada nos 20-30, mas as letras também fazem sonhar, a construir futuro ou simplesmente a pensar na vida. Tudo o que esta geração necessita.

    Entre ritmos mais dançantes, os instrumentos entraram em pura conexão

    Os Ciclo Preparatório continuaram a navegar por temas de Se é Para Perder Que Seja de Madrugada, interligando com outros sons mais conhecidos do público.

    O ambiente mudou um pouco com o tema Caravela, quando as luzes se fecharam, o vocalista sentou-se, agarrou na guitarra e deixou Benedita assumir a voz principal da música. Um momento muito bonito que transbordou saudade e alguma inquietude. A banda prometera uma bonita música segundos antes e não desapontou.

    Não terminaram, claro está, sem o grande hit Volta ao Mundo com a Lena d’Água, o momento que levou mais telemóveis ao alto para gravar eternamente aquela música, na Stereogun.

    Quem gosta de boa música portuguesa, tem obrigatoriamente de apreciar a música dos Ciclo Preparatório

    Mais uma mão cheia de músicas sem antes faltar a clássica piada de sair e voltar do backstage. Estava consumado um concerto divertido, descontraído e acima de tudo, sonhador. Que é mesmo isso que os Ciclo têm transmitido nos últimos cinco anos.

    Fotos: Luís Ferreira