Crítica: O Tigre Branco – o limbo entre a diferença de classes

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Escrito por:
Rui de Sousa
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Um bom retrato da Índia é o que identifica O Tigre Branco – um dos filmes mais empolgantes da Netflix neste início de 2021.

“Um tigre branco não tem amigos. É um animal demasiado perigoso”.  É esta uma das frases que persegue a narrativa deste novo filme da Netflix – “O Tigre Branco”, justificando o mindset do protagonista que, apesar de ser empregado e submisso, não se acha menos que os seus patrões – um sentimento que vai em crescendo, à medida que este vai conseguindo novas conquistas…

Resumidamente é isto mas, no fundo, é muito mais. É impossível, neste filme indiano, a nossa imaginação não parar no filme do mesmo género, também falado em inglês, que é o clássico “Quem Quer Ser Bilionário?”, de Danny Boyle e que celebrizou Dev Patel para um caminho audaz em Hollywood.

Aqui não temos Patel,  mas sim Adarsh Gourav – um ator em clara ascenção mas desconhecido do grande público (pelo menos até à estreia deste filme!). E que belo papel protagoniza, de casa cheia, de um homem com personalidade que apreciamos e empatizamos com a sua história, a cada minuto.

 

Esta é uma película que também é um choque cultural com a Índia mais pobre, contrastada com a dos ricos e principais mafiosos do país. Aliás, é notório em várias cenas, diálogos que justificam o nível de pobreza das aldeias indianas com o total desrespeito e as sucessivas mentiras do governo do país ao seu povo. O protagonista Barlam Halwai, em pequeno, é um prodígio da escola mas a falta de condições na família (com um agregado enorme) obriga-o a deixar os estudos e virar-se para o trabalho desde miúdo. Um sonho perdido e mais um menino pobre sem rumo nem futuro…

Contudo, é a mentalidade do personagem que o faz capultar da aldeia e uma vida igual a tantas outras à capital Dehli, em busca do seu próprio sonho de ser bem sucedido. Ele está a fim de tudo para levar o seu objetivo avante, tendo logo a sorte de convencer uma das famílias mais ricas e importantes da Índia a aceitarem os seus serviços como motorista. Apesar de fazer de tudo para elogiar os seus patrões e ficar bem visto na fotografia, ele, tal como um tigre branco, procura os melhores momentos para ficar do lado dos chefes e subir na carreira, através de acontecimentos que se sucedem nesta família milionária.

Este é um filme indiano com um estilo muito ocidental, o que faz com que os cerca de 120 minutos de filme passem num fechar de olhos. Boas interpretações, humor por vezes a bater no lado mais negro, momentos bem  dramáticos e com uma moral de história muito interessante: venhas de onde vieres, nunca terás de ser menos que ninguém. Anotem.

 

Classificação TIL: 7,5/10