Reportagem: a minha (nova) visão da Receção ao Caloiro agora que já vivo do lado dos adultos

Receção ao Caloiro

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Quando pensava que não ia voltar a uma festa de estudantes, e não por não ser estudante, mas por já não me identificar com o estilo de festa, sugeriram-me ir lá passar umas horas para ver se continuava igual. Para minha surpresa, tudo estava igual, apenas o meu estado de espírito é que mudou.

Era quarta-feira. Eram perto das 23h30 quando entrei no recinto, mas antes de lá chegar tive de descobrir como é que ia lá parar: já deve ser o terceiro local a receber a receção. No início tudo muito bem – o espaço estava com poucas pessoas. Como é de esperar, àquelas horas estão todos em casa a preparar uma grande noite “aka” bebedeira. Eu não. Forte, mais velha aka bem sóbria!

Uns mais estudantes que outros pelos longos trajes até aos pés, outros com um ar mais descontraído e ainda outros provavelmente mais velhos e com pouco andar para aquilo (contra mim falo, claro). A maioria das raparigas estavam prontas para a festa. Batom bem carregado, pernas a realçarem no conjunto escolhido para aquela noite. E esta era uma noite qualquer – além de ser uma das noites da receção, que só há uma vez por ano, a grande Ana Malhoa ia estar naquele palco! E claro,as selfies e vídeos bem “turbinados” não faltaram ao longo da noite.

Uma Receção bem mais sustentável e amiga do ambiente. Parabéns!

Outro aspeto que não me passou despercebido foi a recente aposta da organização da Receção ao Caloiro, que este ano optou por copos reutilizáveis. Uma opção económica, sustentável e mesmo que não seja a salvação do planeta, é pelo menos um passo para um futuro sem plástico.

Bom, fora plasticidades (até porque a média de idades do público feminino ainda não dá para esse tipo de piadas), por volta da meia noite começava o primeiro show: os Funkelada. Admito, não conhecia a banda. Já as músicas não posso dizer o mesmo. Pensem numa mistura entre o Anubis e o Mandarim e voilá. Sons como “Gatinha assanhada ‘Cê’ tá querendo o quê? Eu quero mexer, eu quero mexer”, “Ela não anda, ela desfila, ela é top, capa de revista…” e “E o popozão no chão, o popozão no chão”, faziam-se ouvir bem alto por todo o recinto. Pior, dei por mim a cantarolá-las, enquanto os mais atrevidos (sim, definitivamente já não tenho idade para isto) iam com o rabiosque até ao chão. Mas não eram os únicos! O DJ Funkelada estava bem acompanhado por três bailarinas que abanavam bem o rabo – onde até me atrevo a dizer que no palco eram as que davam mais show.

“Quando ela bate com a bunda no chão”!

Enquanto isto, o recinto ia enchendo. Quando dei por mim, o espaço estava à pinha e eu já não me conseguia movimentar – não sabia se estava a empurrar ou se me empurravam, enquanto balançavam, e eu sóbria a ficar cansada.

Depois de uma luta incansável de atravessar o recinto, chego finalmente à rua, assim quase saída de uma cena do Gladiador! Precisava de apanhar ar fresco, pelo menos durante um minuto porque depressa congelei com o frio gelado que se fazia sentir naquele começo de madrugada!

Entretanto voltei para o recinto para ver se aquecia, mas já não me atrevi a atravessar aquela multidão, fiquei cá atrás, enquanto os Funkelada encerravam o espetáculo.

Por volta das 1h30 cheguei-me à frente.  Porque, claro, a derradeira diva estava para entrar em palco. E já que lá estava, tinha de a ver de perto. Era um dos momentos mais esperados desta Receção ao Caloiro e estava prontíssima para receber aquela dose de adrenalina musical, se é que a podemos chamar assim.

Desculpem, para mim será sempre a apresentadora do Buéréré.

O fumo começou rapidamente a encher o palco. Ouvia-se uma musicalidade que marcava o suspense e, de repente, Ana Malhoa entra lá no meio a todo o gás. Quase que parecia magia aquela entrada. Sou obrigada a admitir que aquela produção do espetáculo estava em altas. A Ana Malhoa arranca com ‘Viúva Negra’. Outro tema que não conhecia, mas também acho que só conheço o hit ‘Tá Turbinada’.

Na terceira música a cantora dá as boas vindas ao público que tanto gritava com o fascínio de estarem perante ela. Já eu, creio que o único fascínio que me unia aos restantes era estar perante a apresentadora do Buéréré (quase que caíu aquela lágrima de nostalgia).

A Ana Malhoa continuou o show e todos estavam muito animados a cantarem, ah… a Ana Malhoa também estava (bem) acompanhada pelas bailarinas. Se compararmos com as bailarinas da Funkelada, podemos dizer facilmente que estas eram um módulo 2.0 em tudo.

No recinto, muitos estavam turbinados!

Mas ao contrário de muitos que lá estavam, eu não estava nada turbinada e à quinta música desisti, ganhei coragem para atravessar novamente a multidão, e fui-me embora…

Só houve uma coisa que me surpreendeu nesta minha nova vivência adulta numa festa académica: não vi ninguém a vomitar, nem a cair de bêbado. Gostava de ter ficado até ao fim mas a minha sobriedade e idade já falam mais alto. Acho que só entrei mesmo no estado “turbinada” quando cheguei à minha caminha, prontinha a dormir.

Ou seja:
Receção ao Caloiro 1 – Cláudia 0

 

Fotos: Diogo Silva Costa