A TIL falou com Rodrigo Guedes de Carvalho, depois da presença do escritor na Livraria Arquivo para apresentar o seu mais recente livro “Jogos de Raiva”. Rejeita completamente a comparação entre a sua profissão e a escrita e fala de extremos em relação às redes sociais, tema pilar do seu livro.
TIL – Rodrigo, no que está a pensar agora (baseado no “subtítulo” do livro)?
RGC – estou a pensar na letra de uma música que estou a escrever.
TIL – A promoção do seu livro nas redes foi um processo interessante, já que cantou com Rita Redshoes. Porque surgiu a ideia de promover o livro desta forma?
RGC – A canção com a Rita Pareceu-me uma forma original e despretensiosa de chamar a tenção para um novo romance, utilizando a música, de que tanto gosto.
TIL – Sentiu mais feedback à conta dessa promoção?
RGC – Nem por isso. Recebi muitos elogios, mas não posso tirar conclusões quanto a vendas potenciadas por esse momento. Nem era essa a ideia. Foi apenas uma brincadeira que nos deu prazer.
TIL – Como foi o processo do Pianista de Hotel para este Jogos de Raiva?
RGC – Faço um processo normal para todos o livros. Uma história começa a tomar forma na cabeça. Quando sinto que tenho uma quantidade mínima da trama para avançar, marco um dia para começar e a partir dai escrevo todos os dias.
TIL – Porquê o tema em volta das redes sociais?
RGC – Porque é um tema forte e porque fazem hoje parte integrante e importante das nossas vidas. Não há como negar isso. E porque oferecem extremos, entre coisas muito interessantes e aberrações.
TIL – O que o mais fascina nas redes sociais? E o que o mais intriga?
RGC – Fascina-me o que já referi. Os extremos que proporciona.
TIL – Qual foi a última coisa “sem noção” que leu no facebook? Não precisa de pronunciar nomes.
RGC – Uma senhora muito ofendida por uma piada que incluía uma mulher despida. Discurso sobre a “a mulher não é um pedaço de carne”, etc, etc.. A piada era boa e inofensiva, mas a senhora centrou-se na nudez feminina. Esse género de vistas curtas é muito curioso… e lamentável.
TIL – O facto das personagens principais serem um “escritor” e um “jornalista” está relacionado consigo de alguma forma?
RGC – Não, no sentido em que não está ali retratada a minha vida “real” em qualquer acontecimento. Sim, porque sou ambos e necessariamente há uma espécie de diálogo interior.
TIL – Qual a grande vantagem moral de um escritor sobre um jornalista? E vice-versa?
RGC – Nenhuma. Não vejo as coisas assim.
TIL – O livro “traça duros retratos sem filtro sobre medos e remorsos, sobre o racismo, a depressão, a sexualidade”. Quis trazer à baila alguns destes temas também pelo motivo atualidade que estão associados aquilo que reporta na sua profissão?
RGC – Não. Não tenho pro hábito fazer romances a partir de notícias de todos os dias. Seria muito redutor e desinteressante. A minha profissão não é chamada para a minha escrita.
TIL – Alguma das suas personagens foi pensada numa pessoa real, em específico?
RGC – Não, nunca é. As personagens são o campo onde me permito maior liberdade e imaginação. Se alguém se revê numa delas, isso já não é comigo.
TIL – O que este livro tem de diferente dos restantes?
RGC – Para mim, nada. É igual, na entrega, no trabalho, na dureza de o escrever e na pena de um dia o largar.
TIL – A níveis literários, o que se segue? Alguma ideia em mente?
RGC – Não. Por agora, nada.