7 Concertos imperdíveis para ver esta semana


Mais uma semana que o nosso distrito não falha e volta a presentear-nos com vários concertos para vários gostos. Desde virtuosos guitarristas a uma noite cósmica dedicada ao punk, a celebrações do hip-hopR&B até a um gigante da música nacional. O nosso distrito tem muita música boa, vá vê-la!

 

  • Francisco Sales 21h30 – Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha // 7 de dezembro

Francisco Sales é um dos mais prestigiados emergentes guitarristas portugueses e lançou no início de 2017 o  segundo álbum Miles Away. Licenciado em jazz pela Escola Superior de Música de Lisboa, Francisco trabalha as sonoridades da guitarra, elétrica e acústica de forma abstrata criando paisagens sonoras que viajam pelo mundo, não fossem estas músicas inspiradas nas viagens que o guitarrista fez. O primeiro álbum de Francisco Sales, Valediction, foi apadrinhado por Jean-Paul Maunick líder dos Incognito, que chegou a convidá-lo para integrar a banda. Sobre este Miles Away, o guitarrista diz que os temas foram “inspirados pelas viagens” que fez a países, cidades, lugares que nunca tinha visitado. “E só quando voltas a casa percebes o inspirador que foi. A casa está igual – mas tu voltaste mais rico”, adiantou. Para os amantes de guitarra e dos seus variadíssimos alcances, este concerto é imperdível. Os bilhetes variam desde os 7,50 euros (geral) e os 5 euros (Estudante, Sénior, Professor, Enfermeiro).

 

  • Hip-Hop & R’N’B Saved My Life 23h30 – Stereogun // 7 de dezembro

Depois do sucesso da primeira edição, eis que retorna à Stereogun a celebração da contemporaneidade da cultura pop. Desde os clássicos do hip-hop aos mais modernos passando pelo TrapRap dando também uma perninha no R&B, abrangendo também temas mais alternativos, as propostas musicais são de colocar a pista a dançar. Nestas festas os DJ’s não são previamente anunciados, apenas são conhecidos no dia. A entrada custa 5 euros consumíveis. 

 

  • Paulo Gonzo 21h30 – Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha // 8 de dezembro

Paulo Gonzo dispensa apresentações, com mais de 40 anos de carreira e dotado de uma voz inconfundível, editou no passado ano Dizmeo 15.º álbum que entrou diretamente para o top nacional de vendas. O que muitos não sabem é que primeiro Paulo Gonzo é, na verdade, Alberto Ferreira Paulo. Segundo, antes de alcançar sucesso, a solo foi fundador e vocalista dos Go Graal Blues Band em 1975, grupo dedicado ao blues elétrico.  Para o concerto em Caldas da Rainha está programada a continuação da digressão do álbum Dizme mas com certeza não faltarão clássicos como Jardins Proíbidos, Sei-te de cor ou Falamos Depois. Os bilhetes têm preço fixo de 20 euros para toda a sala e os lugares na plateia já são escassos.

 

  • Linda Martini 23h30 – Texas Bar // 8 de dezembro

Depois de algum tempo sem dar concertos, a banda de André Henriques, Cláudia Guerreiro, Hélio Morais e Pedro Geraldes está de volta e com uma premissa muito especial.  Nesta digressão são os fãs a escolher as setlists dos concertos. Os Linda Martini também dispensam apresentações, com uma sonoridade que não deixa ninguém indiferente, assentando a lírica na boa língua de Camões e o instrumental com misturas de noise e post punk. O concerto no Texas Bar já está esgotado mas pode ter a sorte de conseguir entrar e presenciar uma bandas icónica portuguesa.

 

  • Baleia Baleia Baleia + Cave Story + Fugly 22h30 – Stereogun // 8 de dezembro

A Super Bock apresenta o circuito Super Nova na Stereogun, uma série de concertos pelo país a fim de dar a conhecer a nova vaga de bandas nacionais a dar cartas. A edição de Leiria recebe os Baleia Baleia Baleia, os Cave Story e os Fugly.

A dupla Baleia Baleia Baleia formada por Manuel Molarinho (baixo e voz) e Ricardo Cabral (bateria) têm-se afirmado a nível nacional como um dos nomes a ter em atenção. A formação de dois elementos não faz nem um pouco com que a sua música seja menos composta. Abrangendo estilos como o pop/rock e o punk, em ritmos dançáveis culminando com letras em portugês, a dupla infeta qualquer palco. 

Os Cave Story são também uma banda bastante recente tendo editado o seu segundo álbum Punk Academics, no ano passado. O estilo destes rapazes é auto explicativo, o punk mas munido de influências modernas. Este mesmo álbum tem sido constantemente reconhecido como um dos melhores do ano, tanto em Portugal como em Espanha, e a página Mindies chega mesmo considerá-lo como o melhor do ano. 

Os Fugly são provenientes do Porto e têm como influências King Gizzard and The Lizzard Wizard, Ty Segal, Fidlar e Thee Oh Sees. Contam com um EP editado, Millenial Shit em torno do qual passaram o ano passado e grande parte deste em digressão. Serão eles a encerrar esta noite dedicada ao punk e ao rock na Stereogun e pouco mais se pode pedir.

Os bilhetes para este evento cósmico custam 3 euros e incluem duas imperiais (ou finos) Super Bock. 

“Silvais?? Xó Carago!!” Assim nasceu a cerveja artesanal da Maceira


A Maceira é casa para um grupo de cervejeiros especializados em cerveja artesanal. Tivemos de ir descobri-los e, claro, também a cerveja.

(da esq. para a dir.) Os cervejeiros da Xó Luís Alves, Nélson Carlos e Filipe Sousa

O ano era 2016. Num encontro entre amigos, Filipe Sousa apresenta umas garrafas de cerveja feita pelo próprio. Ultrapassada a estranheza inicial, e após degustação, estavam convencidos de que a cerveja  tinha potencial para ser comercializada. Depois de um debate de ideias, o criador confessou que gostava que a cerveja se chamasse “Silvais”. Em quase uníssono, os amigos responderam “Silvais?? Xó Carago!” E foi este o primeiro passo para a criação da cerveja Xó Carago.

Os sócios cervejeiros Nelson Carlos, Filipe Sousa, Luís Alves e Filipe Amaral são amigos e, mais que isso, apreciadores de cerveja artesanal há já muito tempo. Nélson e Luís são amigos e compadres de longa data e já queriam ter um negócio próprio há muito tempo. Unidos pelo gosto de cerveja artesanal, viram aqui uma oportunidade de ouro para juntar o útil ao agradável.

Passado o dia em que a ideia de fabricar cerveja surgiu, o grupo depressa começou a tentar perceber a melhor forma de traduzir a ideia em algo concreto. Desde a pesquisa de material ao licenciamento, passando pelas receitas e investimento na formação de cervejeiro, tudo foi pensado ao pormenor, para criar uma marca de cerveja que se entrasse facilmente no mercado de Leiria. 

A máquina de engarrafamento utilizada pela Xó Carago

Ultrapassadas as dificuldades iniciais, incluindo um demorado processo de licenciamento, chegava a altura de começar a produzir e, segundo Nelson Carlos, a ideia principal era “criar uma marca que não ferisse o palato dos consumidores leirienses”. Outra meta a atingir pelos sócios era também desmistificar a cerveja artesanal.

Em conversa com a TIL, Nelson Carlos disse que é “impossível não gostar” de cerveja artesanal. “Quem não gosta é porque ainda não provou a cerveja certa”, adianta.  Posto isto, foram lançados três tipos de cerveja: uma Dunkel Weiss (cerveja de trigo), uma Stout e uma Pilsner (ambas de malte).  

A adesão foi tão grande que a Xó Carago chegou mesmo a entrar em rotura de stock. Por todo o distrito, os pedidos de fornecimento aumentam. Todos querem experimentar a nova marca de cerveja.

Sábado é dia de fabrico e sempre aparecem provadores

E o que é que distingue a Xó Carago das restantes cervejas artesanais? Estas cervejas são 100% malte, ou trigo, no caso da Dunkel Weiss.  Tendo estes cereais como base são-lhes adicionados lúpulo, água e fermentos sem junção de açúcares. Uma receita bastante simples mas com os seus segredos.

Nelson Carlos compara o que fazem com o trabalho de um cozinheiro. “Queremos atrever-nos, como todos os cervejeiros artesanais fazem. No final de contas, o que fazemos é culinária, com um bocadinho de bioquímica. A partir daí vamos descobrindo sabores e experimentando.” É esse o rumo que os sócios querem dar à marca: aprofundar os caminhos da cervejaria artesanal e marcar o seu cunho como cervejeiros. Até já há rumores que no proximo ano será lançada uma nova cerveja do estilo Ippa

O lúpulo utilizado na fabricação das cervejas Xó

Não podemos revelar os segredos todos, mas o ingrediente mais importante é o amor com que estas pessoas trabalham. Na visita da TIL à fábrica da Xó Carago, além de provarmos as várias cervejas, conseguimos sentir o carinho com que estes cervejeiros criavam e tomavam conta de todo o processo. De cerveja na mão e olhar nos tanques, os sócios tomam conta de cada litro como se de um filho se tratasse e o resultado é notório.

Nenhuma das cervejas que provámos (Dunkel Weiss, Stout e Pilsner) tinha um gosto agressivo. Todas eram fáceis de beber, o que é um testamento do objetivo dos criadores:  ter uma cerveja acessível a todos, mesmo aqueles que não gostam de cerveja artesanal. E podemos confirmar isso! Talvez seja até demasiado acessível, pois bebemos das três variedades. E se mais houvesse, mais teríamos bebido.

O bom cervejeiro tem de ir provando a receita

O ambiente familiar e descontraído com que se trabalha na Xó Carago transparece para a cerveja e todos dão uma ajuda. Seja a provar, a embalar ou a comprar, vários residentes das redondezas aparecem na fábrica e, ao sábado, dia de produção, não faltam provadores nem ajudantes. Até a TIL teve um convite para aparecer um sábado na fábrica. Apenas temos de levar as galochas para ajudar no fabrico.

 

Fotos: Pedro Ferreira

7 Concertos a não faltar esta semana


Esta semana Leiria recebe uma variedade de estilos e bandas imperdíveis. Desde a música evangélica, ao metal, à Soul Music e ao jazz experimental. Mais uma semana boa música que não vai querer perder.

 

  • Harlem Gospel Choir 21h30 – Teatro José Lúcio da Silva // 27 de novembro

Um dos mais famosos coros evangélicos vem a Leiria ao Teatro José Lúcio da Silva. O Harlem Gospel Choir é proveniente do Harlem em Nova Iorque e a sua história remonta a 15 de janeiro de 1986. O fundador, Allen Bailey, encontrava-se num jantar de celebração do aniversário de Martin Luther King Jr. e teve a ideia de formar um coro. Mais de 30 anos depois o Harlem Gospel Choir é um dos mais reconhecidos coros evangélicos e da sua história fazem parte atuações para presidentes dos Estados Unidos (Barack Obama e Jimmy Carter) para o Presidente Nélson Mandela, para o Papa João Paulo II e ainda para a Assembleia Geral das Nações Unidas. Os bilhetes custam 25 euros e até ao momento já só está disponível o segundo balcão do teatro. Esta é uma oportunidade de luxo para assistir a um espetáculo enérgico que não deixa ninguém de cara fechada, uma verdadeira injeção de felicidade!

 

  • Carro de Fogo de Sei Miguel 22h – Centro de Artes das Caldas da Rainha // 28 de novembro
Ensamble O Carro de Fogo de Sei Miguel

Sei Miguel é um trompetista e compositor emblemático da música jazz e experimentalista e neste concerto do Carro de Fogo juntam-se a ele mais oito músicos para nos levar até as extremidades da interpretação musical. Sei Miguel dá cartas em vários estilos mas é no jazz, e especificamente no ensemble Carro de Fogo, que a imaginação fica sem limites e todos os sons são explorados, aproveitados e reaproveitados. É difícil encontrar palavras para descrever o Carro de Fogo de Sei Miguel por isso o melhor mesmo é ir ver por si!

 

  • Soul Train Party DJ Aquino 23h30 – Stereogun // 30 de novembro

Soul Train foi um programa de televisão dos anos 70 cujo foco assentava nos artistas de R&B, SoulHip Hop. Sábado a Stereogun vai ser casa de uma festa inteiramente dedicada ao soul, funk toda essa onda. Com a ajuda do DJ Aquino que, munido de um extenso repertório de música negra, fará a pista da Stereogun rejubilar de alegria. Por isso coloque a sua melhor afro e não perca a oportunidade de dançar com os maiores êxitos da música soul. A entrada tem o custo de 5 euros consumíveis.

 

  • 140 da Filarmónica das Cortes 21h30 – Teatro José Lúcio da Silva // 1 de dezembro 

A Sociedade Artística e Musical Cortesense celebra 140 de existência e, por isso mesmo, apresenta um concerto em que estarão em mostra as suas várias valências, a Filarmónica, a Academia de dança e o Coro. Neste concerto serão apresentados vários estilos, desde originais, arranjos para banda e coro, música popular e pop chegando assim a um vasto auditório. O barítono Manuel Rebelo está também convidado para ajudar à festa. Pode comprar o seu bilhete no Teatro José Lúcio da Silva por 7,50 euros.

 

  • Atrox + Mourning Sun + Collapse of Light 22h – Sterogun // 1 de dezembro

Atrox são uma banda de metal Norueguesa. Desde 1990 que os Atrox se firmaram dentro do género com a sua lírica assentando na psique humana e alguma fantasia. Já foram de doom metal melódico, mais tarde abordaram o gótico avant-garde e o metal progressivo. Vão à Stereogun apresentar o seu sexto álbum de longa duração Monocle, o nono trabalho da banda.

Os chilenos Mourning Sun também estarão na Stereogun. Os Mourning Sun formaram-se em 2013 e caracterizam-se pelos estilos Atmospheric Doom Metal e Metal Experimental. A sua sonoridade presta homenagem à natureza tanto nas letras como nos instrumentais mas também aborda temas mais pesados como a depressão. 

Os Collapse of Light formaram-se em 2010 e são uma banda maioritariamente portuguesa, apenas Natalie Koskinen (finlandesa), não respeita a premissa. De sonoridades assentes no downtempo e na tradução musical de sentimentos pesados e tristes, os Collapse of Light caracterizam-se pela duração das suas musicas tentando exprimir da forma insistente a tristeza, a dor e o pesar. Dentro do espectro do Metal, caem na zona do Atmospheric Doom/Death Metal. 

A entrada para esta noite tem o custo de 10 euros mais consumo de uma bebida. 

Atenção! Esta noite organizada numa parceria entre a Notredame Productions em cooperação com os Mourning Sun e os ATROX serve também para promover o Festival Under The Doom e em género de celebração serão sorteadas entradas para o evento! 

 

Foto: DR

Linda Martini no Texas Bar à vontade do freguês


Os Linda Martini volta à estrada, passam por Leiria e, desta vez, pedem aos fãs para fazer as setlists.

Cartaz Oficial

Uma das bandas nacionais mais queridas do público, e também mais aclamadas pela crítica, os Linda Martini, voltam aos palcos e têm uma digressão marcada só em clubes com uma peculiaridade: vão ser os fãs a votar nas músicas que querem ouvir. A tour, de nome Agora Escolha, convida os fãs de Linda Martini a criarem setlists dos concertos e submeterem-nas. As músicas mais votadas vão a palco.

Quem quiser participar só tem que entrar no link lindamartini.net/agoraescolha/,escolher a data em que irá ver a icónica banda, construir uma lista com as músicas preferidas e rezar para que mais pessoas escolham as mesmas músicas. Os Linda Martini têm o palco do Texas Bar reservado para dia 8 de dezembro pelas 23h30 e os bilhetes já estão disponíveis por 12 euros.

A minha setlist

Os Linda Martini formaram-se em 2003 por André Henriques, Cláudia Guerreiro, Hélio Morais e Pedro Geraldes. Já editaram cinco álbuns, três EP e já tocaram por todo o País, sempre muito acarinhados pelo público e pela crítica. Depois de algum tempo afastados dos palcos, os Linda Martini regressam à estrada para uma série de concertos muito especiais e no Texas Bar não será diferente.

Para aguçar o apetite, aqui fica um dos últimos singles dos Linda Martini que, com certeza, não faltará no concerto no Texas Bar.

 

 

Reabertura do Cabra Negra com Horse Head Cutters


O antro de metal e malícia que é a Cabra Negra vai abrir de novo e tem agendado um grande concerto para iniciar esta nova etapa!

Horse Head Cutters

Depois de dois meses encerrado, o bar mais negro e agressivo de Leiria volta a abrir portas com nova gerência, no dia 24 de novembro pelas 22h. Com nova decoração, melhores condições para bandas e clientes e a mesma essência de sempre, o Cabra Negra volta ao ativo e celebra este regresso com os Horse Head Cutters.

O concerto de apresentação do álbum Glam Hooves ainda está fresco e não há dúvidas de que quem viu quer mais. Para quem conhece os Horse Head Cutters dispensam apresentações, para quem não conhece já está na altura.

Depois de terem integrado o CD Leiria Calling, muito se aguardou para o lançamento do álbum. E… que lançamento! A sonoridade da banda é inconfundível, todas as notas soam a uma agressividade e sujidade que fazem deste um dos projetos mais envolventes e impactantes, seja ao vivo ou não. 

De frigorífico recheado, o Cabra Negra convida todos os amantes de metal e de música pesada a comparecer no bar para celebrar a reabertura e para viver um concerto imperdível. Os Horse Head Cutters não têm muitas datas agendadas, sendo esta uma oportunidade de ouro para ver, ou rever, aquela que é uma das bandas emergentes mais excitantes ao vivo. A entrada custa 3 euros e tem oferta de uma bebida

Fotos: DR

21 Concertos a não faltar esta semana


Esta semana há concertos para todos os gostos, desde o free jazz ao jazz mais tradicional, passando pelo trance, post-punk new-wave e ainda um concerto de dinossauros do rock português.

 

  • Scorpions + Mada Treku + Arrogance Arrogance 23h – Silos Contentor Criativo (Caldas da Rainha) // 15 de novembro
Scorpions

Calma. Os Scorpions de que falamos não são os alemães. Estes Scorpions são portugueses e são um duo formado por Jaime Norberto e Vítor Lopes. A dupla barreirense é formada por bateria(Vítor) e saxofone (Jaime), que mergulha sem pudores no jazz levando as apresentações ao vivo a serem uma viagem pelo estilo. Para os amantes de jazz este é um concerto imperdível!

Mada Treku é Nuno Loureiro, DJ que aborda a música de dança introspetiva. Com o  EP Learning Exercises on How to Move On, Nuno evoca a intenção de traduzir uma obra audiovisual em expressão sonora, sendo a principal intenção a de retratar o personagem principal do filme Millenium Mambo. A aura negra e pesada do EP tem passagens que relembram o tech house e podemos olhar para este Learning Exercises on How to Move On e, à primeira vista, parece uma obra algo abjeta e confusa. Mas depressa nos apercebemos que é, na verdade, uma mistura de várias fontes e influências e ao deixarmo-nos envolver iniciamos uma viagem introspetiva e envolvente.

Arrogance Arrogance

Arrogance Arrogance é um DJ da cidade do Porto cujos sets inflamam as pistas por onde passa. Tirando influências de géneros como hardcore, footwork e o ghetto Arrogance Arrogance viaja também pelos variados caminhos do mixing, sempre com o seu cunho, mostrando uma entidade muito própria.  

 

  • Vaarwell + Grandfather’s House 23h – Stereogun // 15 de novembro

Margarida Falcão, Ricardo Nagy e Luís Monteiro são os Vaarwell, trio lisboeta a dar os primeiros passos na música internacional. Com algumas bases de lo-fi, mistura de sonoridades eletrónicas e uma voz suave os Vaarwell apresentam-se na Stereogun a propósito do evento Music Export Comference a decorrer no Teatro Miguel Franco sob orientação do projeto Why Portugal – Music Exchange Platform. 

Os Grandfather’s House são também integrantes da iniciativa Music Export Conference e têm showcase agendado na Stereogun. Vindos de Braga, o grupo assenta no rock alternativo também com uma voz suave. Este dia é dedicado a bandas emergentes a fazer por se internacionalizar, é uma oportunidade de presenciar a nova música nacional e, quem sabe, internacional. A entrada é livre!

  • She Past Away + Lebanon Hanover + Selofan 23h – Stereogun // 16 de novembro

A banda turca regressa a Leiria quatro anos depois de ter estado no festival EntremuralhasVolkan Caner e Idris Aknulut formaram os She Past Away em 2005 em Istambul e depressa se afirmaram em  dark-wave/post-punk. Equipados com caixa de ritmos, baixo, voz grave e letras em turco, os She Past Away relembram os The Cure ou os Joy Division e a sua segunda passagem por Leiria não deixará ninguém indiferente!

Os Lebanon Hanover chegam-nos de Inglaterra e trazem à Stereogun o  post-punk e minimal-wave. A dupla composta por William Maybelline e Larissa Georgiou também integrou o alinhamento do Entremuralhas em 2013 com um concerto nas ruínas da Igreja da Pena. Caracterizados por uma sonoridade simples, letras com teor misantrópico e a junção das vozes entoadas com algum desdém, os Lebanon Hanover são um regresso bastante esperado à cidade do Lis!

Vindos da Grécia, os Selofan são Dimitris Pavlidis e Joanna Badtrip. Formados em 2011 em Atenas são também gestores da editora Fabrika Records. Como as outras bandas desta noite, os Selofan também estiveram presentes no festival Entremuralhas do ano passado, atuando na Igreja da Pena. Com quatros álbuns editados, a banda apresenta uma sonoridade electrónica, minimalista e gélida mostrando aquela que foi a transformação da new-wave em dark-wave

Os bilhetes para estes concertos já se encontram esgotados, mas nunca se sabe.

 

  • Friends Gethering 00h – Inapark (Caldas da Rainha) // 16 de novembro

O Inapark nas Caldas da Rainha será palco de uma noite inteiramente dedicada ao trance. No alinhamento estarão os DJ Nymphisis, Psybrain, Cosmoacid, Rafyx, Noname e Souleater, para uma festa que pretende celebrar o trance e as amizades em torno do estilo. A entrada custa 5 euros e o fim está previsto ser às 7h, se tiver, de facto, fim.

 

  • Dapunksportif 23h30 – Stereogun // 17 de novembro

Os Dapunksportif dispensam apresentações. Formados em 2004 contam com 14 anos de estrada, quatro álbuns e um lugar na história do rock português. Ao ouvir a banda natural de Peniche, a proximidade ao stoner-rock é notória tendo como influências bandas como Kyuss, Queens of the Stone Age e Eagles of Death Metal. Para o concerto na Stereogun, os Dapunksportif, além de revisitarem os clássicos, aproveitarão também para apresentar o novo álbum Soundz Of Squeeze’o’phrenia. Este concerto está inserido no warm-up para o Clap Your Hands Say F3st. A entrada custa 5 euros , mais consumo de uma bebida. Não perca esta oportunidade de presenciar uma das míticas bandas de rock nacionais!

  • Francesca Tandoi 16h – Sana Silver Coast Hotel (Caldas da Rainha) // 18 de novembro 

Francesca iniciou a sua carreira musical bastante cedo em Roma, sua cidade natal. Ganhou interesse pelo piano e logo tomou o gosto pelo jazz descobrindo os grandes do estilo no piano, como Oscar Peterson, Phyneas Newborn, Gene Harris entre outros. Depois de uma adolescência rodeada por músicos de jazz, Francesca mudou-se para a Holanda em 2009 e em 2013 formou-se com menção honrosa no Conservatório Real de Haia. Pouco depois ingressou no Conservatório de Roterdão “Codarts” e obteve o seu mestrado. Nesta época teve oportunidade de tocar com alguns dos melhores tocadores de jazz do mundo e conseguiu também viajar o mundo a expressar a sua música. Apresenta-se agora em Portugal, nas Caldas da Rainha, com Miguel Menezes no contrabaixo e Pedro ´Pita´ Silva na bateria, para um concerto que se espera fenomenal. A entrada é livre!

 

  • Paul Jacobs + Bee Bee Sea + Palmers 17h – Texas Bar // 18 de novembro

Paul Jacobs tem incendiado os sítios por onde passa desde há muito tempo, por isso já partilhou o palco com bandas como Pypy, The Demon’s Claws, The Gooch Palms entre outros. O projeto one man band com os seus alicerces no psicadélico e garage rock recentemente juntou ao mix mais três elementos tornando as melodias ainda mais explosivas.

O trio italiano Bee Bee Sea formou-se em 2013 e desde então, com as suas músicas de encher o ouvido, apetrechadas de guitarras agressivas e baixo envolvente têm merecido elogios da crítica e até já tiveram honras de abrir concertos de Thee Oh Sees e Black Lips. Uma descarga de energia e potência sonora que merece a sua presença.

Os Palmers são também um trio, mas este das Caldas da Rainha relativamente recente. Primam pela agressividade sonora, como as bandas desta matiné. Bateria a galope, guitarra e baixo carregados de distorção e a voz com efeitos fazem uma receita de sucesso, para um grupo a dar os primeiros passos para um reconhecimento eminente. Mais uma oportunidade de presenciar o que de novo se faz no nosso distrito.

A entrada custa 8 euros à porta, 6 euros em pré-reserva até 17 de novembro (reservas.yayayeahmusic@gmail.com) e 5 euros mediante apresntação do bilhete do concerto dos Boogarins.

 

  • Joff + Ruod-Rik b2b Ricardo 00h – Clube Musique // 17 de novembro

Joff é um DJ de Braga. Já tem partilhado o palco com outros artistas, como  Carlo Lio, Technasia, Hector Couto, Loco Dice. A participação em eventos como NEOPOP Electronic Music Festival, Private Breakfast LIVE Lisboa são um testamento à qualidade de Joff no manejo da mesa de mistura. Sintetizadores melódicos, kicks fortes, vocais aqui e ali e percussões, são a receita para mais uma noite Exit! A entrada custa 8 euros.

 

Fotos: DR

Cave Story: “Temos todos certificados oficiais de auto didatas.”


Naturais das Caldas da Rainha, os Cave Story trazem o segundo disco de longa duração Punk Academics.

Depois de uma estreia em grande plano com West, com o qual os Cave Story atingiram tops nacionais, chega-nos o segundo álbum que denota o cimentar de quem sabe o que faz e para onde vai. Conversámos com o frontman e vocalista, Gonçalo Formiga sobre o novo álbum e muito mais.

Gonçalo Formiga

Comecemos pelas origens. Como surgem os Cave Story? Já se conheciam antes?

A banda existe desde 2014, conhecemo-nos em fases diferentes. Conheço o Ricardo desde os quatro ou cinco anos, o Zina desde os 17 e o Zé também por aí.

Porquê Cave Story?

O nome vem de um jogo de computador japonês lançado inicialmente em 2004. Quando estávamos a tentar encontrar nome, esse surgiu e fez sentido.

Tiveram outras bandas ou projetos antes? 

Sim, mas não chegámos a lançar discos, só alguns concertos perto de casa, Caldas da Rainha e arredores.

Esta pergunta é muito pouco punk. Tiveram alguma formação musical?

Ouvir música, comprar discos e ler. Temos todos certificados oficiais de auto didatas.

Sendo das Caldas têm noção do que se passa musicalmente na zona? Acompanham outros artistas ou bandas da zona?

Há uma série de concertos organizados pelo Grémio Caldense, e por mim, através da Hatsize. Atualmente estamos mais distantes, mas também acho que está calmo, em termos de bandas e concertos. A nossa grande amiga Nádia Schilling lançou um belíssimo álbum em 2017. E o João Pombeiro faz vídeos inacreditáveis fechado numa cave com sete gatos.

Parecendo que não, já têm seis trabalhos editados. Falem-nos um pouco sobre o trajeto inicial.

As demos e o primeiro EP Spider Tracks surgiram mais como colecções das nossas primeiras experiências a gravar. A Richman foi gravada com o Diogo Rodrigues em Alvalade, no que é hoje o covil dos Capitão Fausto, na altura havia uma interface quatro microfones e um manequim. A ‘Garden Exit’ foi a nossa primeira e única experiência a gravar por pistas. Adorei trabalhar na mistura, mas em termos de produto final acabámos por seguir sempre com a gravação live. Acho que a nossa ‘profissionalização’ foi na altura em que tivemos uma agenda muito cheia, primeiro com o Spider Tracks e depois com o West. A identidade e linguagem da banda hoje em dia passa pela experiência a tocarmos juntos que só ganhámos com essa dose de concertos.

No álbum West apresentaram-se com sonoridades que nos transportavam para um ambiente meio Wild Wild West moderno, com toques de indie mais pesado. Com o Punk Academics sinto uma maior maturidade nas sonoridades, as guitarras dão o mote, o baixo sempre assertivo e a voz por vezes desinteressada mas também uma maior intrusão de sons eletrónicos e uma maior agressividade característica do punk. Como é que chegam a esta sonoridade no Punk Academics?

Como disse na resposta anterior, a nossa linguagem vai evoluindo a tocarmos juntos. Pela primeira vez neste disco durante a composição surgiu a frase “isto não é cave story”. Podemos concordar todos com isso ou não, mas é muito interessante que isso surja, não sabemos exactamente como, mas sabemos o que queremos fazer e o que não queremos fazer.

Como tem sido o feedback a este disco?

Ainda é recente mas, no geral, temos tido reacções mais esporádicas mas mais calorosas. Quem gosta, gosta mesmo. Quem não gosta, ainda não se pronunciou.

Disseram numa entrevista que este disco é uma celebração das vossas influências, bandas e artistas do punk. Quem são essas influências?

São muitas, claro, não só punk. Houve uma fase em que as bandas escreviam nos próprios discos ou em zines agradecimentos às bandas que as influenciaram. Hoje em dia parece que toda a gente quer fingir que apareceu do nada e que é único e novo. Nós falamos menos sobre as bandas que gostamos do que deviamos, mas fazemos esse tributo de outra forma, fazendo discos em que assumimos o nosso lugar nessa história. Sonic Youth, The Fall, Swell Maps, Devo, Pavement, Black Flag, Stereolab, Television os suspeitos óbvios.

Dizem que o punk, à semelhança do rock, está morto. Há anos que se diz isto numa espécie de saudosismo da expressão que os estilos tinham. Também vêm o punk morto ou consideram que, simplesmente, não tem a visibilidade que tinha, por exemplo nos anos 80?

As coisas mudam e andam em círculos. Neste momento as subcultures existentes estão mais viradas para outros géneros de música, mesmo que na prática em termos de contexto as coisas sejam parecidas. É tão punk uma banda hardcore e a sua banda de merchandise, como um produtor de techno a vender um 12” através de uma pequena label. As guitarras estão fora de moda, mas depois voltam, é sempre assim. É o que o James Murphy fala na ‘Loosing my edge’.

A mentalidade DIY nota-se muito no disco, seja nas músicas, seja no artwork. É uma orientação que está convosco no dia-a-dia? Ou ligam-na para trabalhar os Cave Story?

Sim. Pessoalmente, sempre tive tendência para querer fazer por mim. Quando era novo não queria só ser jogador de futebol: queria criar e jogar no meu clube. Fazer o emblema e as camisolas. E treinar a equipa também, e ser o presidente. E já agora arquitecto do estádio.

Ultimamente tem-se notado uma maior expressão dessa vertente de pensamento, o fazer tu mesmo. As bandas já perceberam que quase não precisam das editoras para terem visibilidade. Isto reflete-se numa maior quantidade de bandas a publicar trabalhos, nos seus estúdios improvisados. Acham que esta vertente veio para ficar e as editoras vão continuar a perder espaço para as bandas que fazem por si, ou as editoras continuarão a ter um valor que não se pode apagar?

As editoras têm um grande valor enquanto estrutura, mandar um disco para a fábrica e meter nas lojas é só uma pequena parte do trabalho. As editoras, mais do que outra coisa, são selos de qualidade ou características. Dependendo, claro está, dos gostos de cada um.

Como vêm a proposta de Leiria para Capital Europeia da Cultura 2027? Acham que tem pernas para andar ou que a conjuntura ainda não é a ideal?

Não sabia. Acho que Leiria bem precisa de um impulso cultural mais sério, para ajudar os bons princípios que lá se têm passado. Omnichord o Festival A Porta. Mas mais não sei, somos das Caldas da Rainha.

O melhor concerto até hoje?

Diríamos coisas diferentes entre nós, para mim a ZDB em Lisboa e o Maus Hábitos no Porto são sempre espaços propícios a bons concertos da nossa parte. Sala X em Sevilha e Les Pavillions Sauvage em Toulouse foram muito bons.

Como vêm os Cave Story daqui a 5 anos? Projetos/ambições?

Gostaria de conseguir continuar a tocar e a editar discos e que isso fosse sustentável.

 

Os Cave Story têm uma agenda bastante preenchida, até ao final do ano, com passagens por França, Espanha e Suiça. Regressam a Portugal apenas em dezembro, para tocar no Salão Brasil, em Coimbra, no dia 1, e na Stereogun,  no dia 8. Ficamos à espera de poder presenciar a energia dos Cave Story em primeira mão. Até lá pode ir treinando as músicas!

Quer aparecer num videoclip? Os First Breth After Coma estão a recrutar para o single do novo álbum


Os First Breath After Coma estão a trabalhar no seu novo álbum NU e querem ajuda na gravação do videoclip de estreia!

Imagem alusiva ao álbum NU publicada pelos FBAC

Os leirienses FBAC já levantaram o véu sobre o álbum NU que será lançado em março de 2019 com alguns posts nas redes sociais e agora dão oportunidade aos fãs da fazer parte de um videoclip. Ainda sem saber para que música será o videoclip, esta é uma oportunidade de ouro para integrar um trabalho de uma das bandas nacionais mais proeminentes.

A Casota Collective, onde também integram alguns membros dos FBAC, está encarregue da realização e direção do video e pedem figurantes (homens e mulheres) com idade igual ou superior a 18 anos. A rodagem terá lugar na zona de Leiria e os participantes, assim como o ator, estarão em nudez total de costas para a câmara. Quem quiser participar deverá enviar um e-mail com os respetivos dados de contacto para  casotacollective@gmail.com. A participação tem remuneração de 50 euros e terá lugar dia 12 de novembro.

Para mais infos pode ler o anúncio completo. Para aguçar a vontade aqui fica um vídeoclip da música Nagmani dos FBAC, pela Casota Collective.

 

Fotografias: DR

Capitão IX Embarcação – Scúru Fitchádu, Cosmic Mass e muita pirataria


O Texas Bar volta a receber a tempestade que é o Capitão. A sua IX edição vai contar com música agressiva, como é hábito e pela primeira vez teatro.

Stone Dead na III Embarcação

O Texas Bar tem sido a casa do Capitão e este sábado, dia 10 de Novembro a IX edição volta a atracar em Amor. Ao longo de oito edições, o Capitão já levou ao Texas bandas de renome nacionais e internacionais, artes performativas, causas solidárias e claro, como qualquer bom pirata, bastante Rum.

Para quem conhece a estética do Texas Bar, nesta noite não vai reconhecer o espaço. A organização transforma todo o interior,  dando vida a um navio sendo o palco principal a Proa, o palco secundário o Camarote, o Mercado Negro é o espaço das artes performativas e a Cabine fica para encerramento da festa. Depois de bandas como The Parkinsons, Killimanjaro, Stone Dead, Fast Eddie Nelson, The Vintage Caravan, Dapunksportiff, entre muitas outras, a IX Embarcação traz a palco este ano Escumalha, Cosmic Mass e Scúru Fitchádu. 

O principal destaque desta edição vai para Scúru Fitchádu, o nome emergente na musica nacional tem causado bastante impacto e traz como convidado Cachupa Psicadélica! Antes vão estar Cosmic Mass e Escumalha a aquecer os ouvidos dos piratas presentes. Cosmic Mass são um quarteto de stoner rock inspirado no psicadelismo dos anos 60. Têm como base riffs cativantes e hipnotizantes, estabelecendo uma descarga de energia incontrolável.  No cartaz musical estão também os Escumalha. Caracterizados como trash rap, os Escumalha são um grupo que incita ao pensamento através das suas letras conjugadas com uma sonoridade bem pesada. 

Não só de música vive o Capitão. O Camarote e o Mercado Negro vão receber várias performances: um teatro e uma exposição de ilustração e artesanato pirata. O teatro, a cargo de Setasbol Chinas consistirá num monólogo político que abrirá a noite. As performances vão estar a cargo de Captain Coke e Nage. Captain Coke tem preparada uma performance com catacumbas mas à TiL, a organização não pôde revelar muito mais para não estragar a surpresa. Há também Nage, um mentalista, ilusionista e entertainer já com alguns anos e vários espetáculos pelo país. 

A encerrar a festa está o DJ set de Luis Lacerda e Eduardo que vão andar pelas sonoridades darknoise. De destacar que o Capitão apoia a associação Novo Olhar. E não podia ser uma festa de piratas sem Rum! O início está previsto para as 22h30 e sem fim à vista. O bilhete custa 8 euros! Vemo-nos lá e como costuma dizer o Capitão, Ahoy!

 

Fotografias: Facebook Capitão/Léo Louro

Crítica: Os Suuns são uma mescla de estilos, anti-pop e ruidosa inquietude


Em noite das bruxas, Vive La Void e Suuns tinham o palco reservado para assombrar o serão. E assim aconteceu. Em véspera de feriado, a Stereogun albergou mais um episódio relâmpago do Fade in Festival 2018 com espetáculos desconcertantes.

Sanae Yamada/Vive La Void

A noite era das bruxas mas o palco seria de Vive La Void e dos Suuns. Cerca de 100 pessoas (algumas assustadoras) juntaram-se numa Stereogun decorada a rigor, com corpos pendurados no teto e abóboras esculpidas.

Vive La Void

Pouco depois da meia noite soaram os primeiros sons do palco por culpa de Sanae Yamada. A co-fundadora e teclista dos Moon Duo abriu as hostilidades com o projeto a solo, Vive La Void, com o qual lançou o primeiro LP no mês de maio. As semelhanças a Moon Duo são bastante notórias mas, claro, a marca de Sanae Yamada é bem mais vincada. Entre vários teclados e caixa de ritmos, a teclista abordou na íntegra os temas do LP homónimo. Vive La Void LP é o resultado de várias noites de experimentação e que veicula, numa mistura de sintetizadores e teclados, uma vibe desconcertante com o choque de várias sonoridades, uma batida bem grave e uns vocais envolventes. Com todas estas características, poucos foram os que se aventuraram a mexer mais do que um ou outro pézinho, ao som de Death Money ou Devil. Pausa para dois dedos de conversa, cigarrinho e uma bebida e logo, logo era a vez dos Suuns.

Ben Shemie vocalista/guitarrista dos Suuns

O melhor estava reservado para o fim, como assim nos tem habituado a Stereogun. O quarteto canadiano Suuns preparava-se agora para tomar de assalto o palco. Suuns é um grupo de Montreal, Quebec, com mais de uma década de existência e cinco álbuns na algibeira, sempre com uma atitude anti-pop desconcertante. O mais recente, Felt, é o comprovativo dessa orientação contra-corrente. Vive La Void estabeleceu uma base por onde os canadianos, vestidos como o tema da noite pedia, pegaram. Primeiro um pouco tímidos, mas depressa a timidez se desfez, tanto no palco como fora dele.

Joe Yarmush guitarrista/baixista

Rapidamente, o apático público de Vive La Void já não existia. Uma mancha de corpos ondulava ao som de guitarras cortantes, uma bateria (e baterista) algo intimidante e animalesca e variados sons eletrónicos que complementavam a voz. A inquietude dos canadianos inflamou a Stereogun através da depravação sonora que são, não tendo qualquer pudor em juntar variados estilos nas músicas e, também, entre elas.  Ao som de temas como 2020, Make it Real e Watch You e Watch Me, os Suuns conquistaram os corpos e mentes presentes, que não se contiveram exteriorizando através de eufóricos movimentos corporais e até um pouco de crowdsurf.

O krautpop desta noite não deixou ninguém indiferente e assim se esperava em mais uma noite na Stereogun. Venham mais destas!

 

Fotografias: Teresa Neto