Crítica: Os Suuns são uma mescla de estilos, anti-pop e ruidosa inquietude


Em noite das bruxas, Vive La Void e Suuns tinham o palco reservado para assombrar o serão. E assim aconteceu. Em véspera de feriado, a Stereogun albergou mais um episódio relâmpago do Fade in Festival 2018 com espetáculos desconcertantes.

Sanae Yamada/Vive La Void

A noite era das bruxas mas o palco seria de Vive La Void e dos Suuns. Cerca de 100 pessoas (algumas assustadoras) juntaram-se numa Stereogun decorada a rigor, com corpos pendurados no teto e abóboras esculpidas.

Vive La Void

Pouco depois da meia noite soaram os primeiros sons do palco por culpa de Sanae Yamada. A co-fundadora e teclista dos Moon Duo abriu as hostilidades com o projeto a solo, Vive La Void, com o qual lançou o primeiro LP no mês de maio. As semelhanças a Moon Duo são bastante notórias mas, claro, a marca de Sanae Yamada é bem mais vincada. Entre vários teclados e caixa de ritmos, a teclista abordou na íntegra os temas do LP homónimo. Vive La Void LP é o resultado de várias noites de experimentação e que veicula, numa mistura de sintetizadores e teclados, uma vibe desconcertante com o choque de várias sonoridades, uma batida bem grave e uns vocais envolventes. Com todas estas características, poucos foram os que se aventuraram a mexer mais do que um ou outro pézinho, ao som de Death Money ou Devil. Pausa para dois dedos de conversa, cigarrinho e uma bebida e logo, logo era a vez dos Suuns.

Ben Shemie vocalista/guitarrista dos Suuns

O melhor estava reservado para o fim, como assim nos tem habituado a Stereogun. O quarteto canadiano Suuns preparava-se agora para tomar de assalto o palco. Suuns é um grupo de Montreal, Quebec, com mais de uma década de existência e cinco álbuns na algibeira, sempre com uma atitude anti-pop desconcertante. O mais recente, Felt, é o comprovativo dessa orientação contra-corrente. Vive La Void estabeleceu uma base por onde os canadianos, vestidos como o tema da noite pedia, pegaram. Primeiro um pouco tímidos, mas depressa a timidez se desfez, tanto no palco como fora dele.

Joe Yarmush guitarrista/baixista

Rapidamente, o apático público de Vive La Void já não existia. Uma mancha de corpos ondulava ao som de guitarras cortantes, uma bateria (e baterista) algo intimidante e animalesca e variados sons eletrónicos que complementavam a voz. A inquietude dos canadianos inflamou a Stereogun através da depravação sonora que são, não tendo qualquer pudor em juntar variados estilos nas músicas e, também, entre elas.  Ao som de temas como 2020, Make it Real e Watch You e Watch Me, os Suuns conquistaram os corpos e mentes presentes, que não se contiveram exteriorizando através de eufóricos movimentos corporais e até um pouco de crowdsurf.

O krautpop desta noite não deixou ninguém indiferente e assim se esperava em mais uma noite na Stereogun. Venham mais destas!

 

Fotografias: Teresa Neto