Fomos almoçar ao Telheiro – as doses de bacalhau continuam gigantes e a ementa interminável


No domingo, dia 28, Ljubomir Stanisic, o chef mais temido de Portugal, esteve n’O Telheiro, restaurante na Praia da Vieira. Aqui na TIL não quisemos ficar atrás e fomos lá almoçar. Eis a nossa experiência.

Já conhecia o restaurante mas nunca tinha provado um dos seus pratos. Com o episódio de Pesadelo na Cozinha de domingo, dia 28 de outubro, fiquei com a curiosidade aguçada. Por volta das 13h15 entrei no espaço, que estava relativamente composto, com algumas pessoas no café e outras espalhadas pelas duas salas de refeição. Depois de um ou dois minutos no balcão, a empregada Diana abordou-me. “Queria almoçar” disse eu, “Snack ou restaurante?”, perguntou, “Restaurante” e indicou-me as duas salas onde podia saciar a minha fome. Antes de me dirigir para uma mesa, ainda consegui ver a senhora Natália na cozinha agarrada a um tacho, ignorando a sugestão do chef.

Escolhi a sala vermelha e trouxeram-me, de imediato, a carta. Depois de analisá-la, o meu apetite ficou embeiçado pelo Bacalhau à Telheiro, um prato de bacalhau no forno com cebola e batata frita às rodelas, mas antes teria de provar a sopa de legumes. Tendo em conta o que foi falado no programa fico com a certeza de que uma grande quantidade de sugestões foi pela janela, a carta continua gigante e o prato de Bacalhau à Telheiro custa 15 euros, apenas um euro a mais do que quando o programa foi gravado. Mas a decisão estava tomada, o meu almoço iria passar por 1/2 sopa de legumes, um prato de bacalhau e uma sobremesa ainda por decidir.

Sopa de Legumes

Depois de alguns minutos chegou a minha 1/2 sopa, achei que até demorou tempo demais considerando que a sopa estava já feita, apenas restando servi-la. Estava bastante saborosa, não estava muito aguada mas com a espessura ideal culminando com pedaços de couve e outros legumes. Pelo menos, agora não parece ser o caldo de pacote que o chef adorou.

Assobio (Douro)

Sopa comida, é altura do prato principal. Para acompanhar o prato de bacalhau escolhi uma garrafa pequena de tinto Assobio (Douro). Depois de escolher o vinho, a Marlene trouxe-me a garrafa aberta, serviu um pouco no copo, esperou que eu provasse e aprovasse e logo serviu um pouco mais. Apesar de ainda não ter provado o bacalhau sabia que esta combinação podia resultar muito bem. O vinho, com um sabor bem encorpado mas sem ser demasiado agressivo, combinava muito bem com o bacalhau.

Bacalhau à Telheiro

Depois da sopa chegou o bacalhau, bem empratado e com uma quantidade suficiente para duas pessoas, outro aspeto não alterado depois da passagem do chef. O Bacalhau à Telheiro é um prato de bacalhau no forno com batatas fritas às rodelas e cebola frita com salsa. O melhor aspeto deste prato é, sem dúvida, o bacalhau e as batatas. O bacalhau lascava ao toque, mas um pouco menos de sal não ficava mal. Vá, podemos dizer que puxava pelo vinho. As batatas bem finas estavam estaladiças. A cebola é que estava um pouco frita de menos. No geral, um bom prato para partilhar, ou para devorar sozinho se assim a fome o exigir. Já estava bastante cheio quando a Diana me dirigiu as palavras mágicas: “Sobremesa, vai desejar?”. Ao que tive de perguntar quais eram as opções, que variavam entre doce de três sabores, molotof, bolo de bolacha e abacaxi. Como fiquei com alguma culpa pela pratada que devorei escolhi o abacaxi.

Abacaxi

No total uma refeição que ficou pelos 25 euros. Confesso que apenas vi o programa depois de ir almoçar a’O Telheiro e fico com a sensação de que o staff pensa que sabe mais que um chef de renome com vários restaurantes a seu cargo. As vitrines voltaram a ter os produtos de café que tinham e a ementa continua gigante. A senhora Natália não parece querer abrir mão da cozinha e fica difícil para a filha Marlene imprimir o seu cunho no espaço que tem bastante potencial. Ora fica a dúvida: o Telheiro queria mesmo ajuda? É que se era para ficar na mesma não valia a pena terem investido o seu tempo no programa. Fica o desafio a aparecer n’O Telheiro para comprovar por si mesmo o que mudou, ou não.

 

Fotografias: Facebook d’O Telheiro/Pedro Ferreira