Crítica: Salvador Sobral e o seu “Jazz à la carte”. Leiria ficou rendida a tamanha improvisação


Tocou um jazzy de uma música dos Silence 4 e fez uma espécie de rap onde criticava a Sociedade Portuguesa de Autores. Usou, simplesmente, a improvisação como principal arma.

Pela primeira vez em Leiria, e horas depois de ter dado uma entrevista à TIL, Salvador Sobral concretizou aquilo que já estava prometido desde o ano passado: actuar no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria. Recordamos que este foi um dos concertos adiados, devido à intervenção cirúrgica a que o cantor foi submetido.

Quase um ano depois ali estava Salvador Sobral e a restante banda, entre eles o conhecido pianista Júlio Resende, que acompanhou Salvador à vitória na Eurovisão .

Com o teatro completamente lotado, os instrumentos começaram a fluir, o jazz tomou conta do auditório e, com eles, alguns versos bem conhecidos dos leirienses:

«You’re never with me
you’re never near me
What time is it?
What time?
Whose time is this?
Give yourself a chance to breathe
I’ll give you the room you need»

Exatamente. Salvador Sobral aproveitou o facto de estar ali em Leiria para trautear, à sua maneira e género musical, os primeiros versos da música Borrow da banda da casa Silence 4.

Com uma grande ovação inicial, Salvador foi aproveitando alguns momentos para apresentar a banda e elogiar o som de acústica do auditório: “Muito melhor do que tocar ao ar livre”, disse. Essa acústica foi importante para todo um show de improviso, que se fez durante mais de uma hora. Cantorias dentro do piano, batidas com os pés e o já clássico “trompete humano”. Salvador rompeu ali alguns impossíveis. Mas não quis ser protagonista: deixou várias vezes os restantes elementos da banda aventurarem-se em solos de improvisação. Valeu tudo!

Fotografias: André Lucas

Inglês, castelhano e a língua de Camões: foram as três línguas que Salvador Sobral cantou.  Mas foi na música com versos de Fernando Pessoa que o público mais se rendeu. “O Nando ia gostar disto!”, previu Salvador – depois do primeiro coro do público àquela música. As gargalhadas foram muitas, como, aliás, aconteceu em boa parte no espetáculo.

Quando chegou a música Amar Pelos Dois, mais de 700 pessoas acompanharam o vencedor da Eurovisão. “Perguntam-me se já estou cansado desta música. Digo que não porque a cantamos sempre de maneira diferente”, explicou o cantor.

Mais para o final do espetáculo, no meio de uma improvisação, Sobral fez uma espécie de rap onde criticava a Sociedade Portuguesa de Autores por pouco fazerem em prol dos artistas. Deu como exemplo a canção que iria cantar de seguida, Ready For Love Again, que se encontra diariamente na telenovela da SIC, mas que pouco retorno financeiro trouxe aos seus co-autores.

No fim do espetáculo, as ovações fizeram-se ouvir. O público adorou a improvisação,  a interpretação e o sentimento a cada música. Como é bom ver música assim. Com tantos e diferentes momentos de jazz, se Salvador Sobral tivesse de dar um nome ao seu show poderia muito bem ser “Jazz à la carte“.