Reportagem: fui ao Leiria Police Challenge sem nunca ter feito Crossfit na vida!


Mesmo sem perceber muito do assunto, caí na tentação de participar no Police Challenge, um percurso de 10 km repleto de obstáculos de elevado grau de dificuldade. Esta foi a minha experiência… sem suplementos.

Ao início cheio de força, claro

Há umas semanas atrás falámos na TiL que seria giro alguém fazer o Police Challenge e eu, sem ter noção do desafio, propus-me. Bem eu não sou nenhum armário com pernas, mas também não sou nenhum frango e como ainda vou ao ginásio achei que me aguentava à pastilha. Dia 17 (DOMINGO!!!) depois de uma noite até calminha, lá estava eu às 8h da manhã para reclamar a minha identificação. A prova estava organizada por escalões, Elite, Competitivo e Overall. Decidi participar nos Overalls para não me sentir tão mal.

Por volta das 10h começámos no relvado à frente das piscinas municipais, o primeiro obstáculo era uma parede de altura média de madeira que tínhamos de subir. Fácil!! Depois seguiram-se os pneus, e também foram bem fáceis, no obstáculo seguinte é que pronto tinham que começar com as coisas deles.. Era um buraco no chão, seguido de um monte, seguido de outro buraco e outro monte, mas cheio de água. Ou seja, a minha indumentária, tão bonita que era,  já estava cheia de lama. Mas tranquilo. Depois foi preciso passar entre pneus que estavam suspensos por duas barras, e parecendo que não, os pneus até são pesados mas sem medo mergulhei para o espaço e ultrapassei os malandros.

Uma roupa tão bonita neste estado :'(

O percurso seguiu para o outro lado do rio onde o primeiro obstáculo era subir por uma corda até à ponte. Subias! Porque se consegui subi um metro foi muito e como prémio por não completar o desafio tive de dar 15 burpees à casa. Já estava a pingar mas nada de alarmante.

É o subias..

Continuado  o percurso, a prova seguinte foi avançar por barras suspensas. Não pensei que conseguisse fazer o exercício com a facilidade que o fiz mas chamei o macaco que vive dentro de mim e lá ultrapassei, a balançar, as barras.

Macaquinho do chinês

Os próximos metros do desafio eram de corrida apenas. Só depois de atravessar a rua para o lado das Galerias do Lis voltaram lá com as coisas deles de esforço físico e assim, mas desta vez o obstáculo era na ponte pedonal alcatifada. Elevações em barra. O leitor fê-las? Então ainda bem para si, já que eu fiz a módica quantia de zero. Depois das elevações a ponte estava repleta de paredes insufláveis, e atrevo-me a dizer que este foi o obstáculo mais fácil que alguma vez enfrentei.

Este até de olhos fechados

Voltei para a margem onde estava depois de cruzar a ponte seguinte que não tinha obstáculo nem as centenas de metros seguintes. O desafio só apareceu depois atravessar a Avenida D. João III, no estacionamento de brita onde era necessário puxar um pneu de trator uma distância de 3 metros, aproximadamente. Desafio ultrapassado com sucesso e sem dificuldade.

Puxar pneu. Poderia ser o nome de um filme de comédia mas afinal era só eu

A maior dificuldade que comecei a sentir foi o calor que estava implacável neste dia. O trajeto seguiu pela via Polis até ao parque do avião mas não sem antes me apresentar a outro desafio. Uma parede de madeira com buracos, cordas e correntes que teria de atravessar na lateral, tipo escalada. Neste desafio fiquei algo chateado, tenho para mim, como pináculo de forma física que sou, teria conseguido completar este desafio, não fossem as sapatilhas molhadas, que escorregavam e não me deixavam estabilizar. Só isso, porque a minha força de braços é inegável!

I’m free, free falling

Chegado ao parque do Avião o percurso seguia para o Rio Lis, e lá fui eu pôr de molho os joelhos. No rio, o primeiro desafio foi uma escada de pneus para fora do rio. Exercício completado sem esforço e desta forma já estava fora do rio outra vez e a olhar para o próximo. O que se seguiu foi uma homenagem bastante sentida ao Rambo, onde rastejei por baixo do próprio avião e ainda por baixo de fios eletrificados. Ainda senti um esticão ou dois (gritei, confesso!) mas até fez bem para arrebitar e, literalmente, recarregar energias. Depois disto, de volta ao rio por uma escada de ripas de madeira que não ofereceu grande resistência.

Rastejando

Já de pés de molho, outra vez, o obstáculo que se apresentava à minha frente era uma estrutura com cordas penduradas, uma rede de corda e por fim uma barra com pegas. Quase consegui finalizar este desafio, depois de passar as cordas penduradas e a rede, a barra não era fixa. Ou seja, as pegas estavam à volta da barra e cada vez que pegava numa, a barra rodava. Aí comecei a sentir algum cansaço nos braços e não finalizei a barra. Mas nada de vergonha que ainda muito havia para provar. Depois de alguns metros no rio, a prova seguinte era uma ripa de madeira presa na ponte ao pé do Teatro José Lúcio da Silva. Aí a ripa tinha uns buracos e era suposto pegar nuns cilindros de aço e fazer uma escada até chegar à ponte. Não tive grande dificuldade neste obstáculo e assim segui viagem para uma prova mais desafiante. A secção seguinte era só de correr pelo rio e por esta altura sentia-se um cheiro moribundo no ar. Isto lembrou-me a forma deplorável como o nosso Rio Lis é tratado devido a descargas de pecuárias. Mas isto fica para outro dia.

Debaixo da ponte ao pé da rotunda do sinaleiro estava uma corda atada às bases e tinha que atravessá-la sem cair. Já uma vez tinha experimentado no Paredes de Coura e o resultado foi um belo banho. “Agora já estou mais maduro” pensei eu e, chegando à minha vez, lá me pendurei de barriga para cima na corda e comecei a deslizar. A meio da corda compreendi o porquê de muita gente levar calças de licra. Já sentia as pernas a queimar da fricção na corda mas ainda assim quase cheguei ao fim, não sem antes repetir a dose e esbardalhar-me no rio. Ao menos deu para refrescar.

Saí do rio e segui em direção ao Jardim da Vala Real por entre becos voltei à via Polis e voltou a existir um obstáculo semelhante ao inicial. Uma parede que era preciso transpor, a diferença é que esta era maior. Depois de tomar balanço saltei e agarrei-me ao topo. Novamente as minhas sapatilhas deixavam-me na mão e não queriam agarrar à parede mas um steward que lá estava, sentiu a minha dor e deu-me um empurrãozinho. Mais um obstáculo ultrapassado. O que se seguiu foi algo digno de Gene Wilder. Na pequena encosta relvada estava montado um percurso de arame farpado bem perto do chão e eu, sem hesitar, comecei a avançar por cima dos fios. Eis que um steward me chama “Ohh jovem! É por baixo!” Parei, olhei para trás e senti-me um rapazinho de escola primária que chegou ao 5º ano e ainda não sabe usar o cartão das refeições. Voltei ao princípio e rebolei por baixo do arame como um panda amestrado enquanto ouvia os gritos de apoio do steward. Prossegui a prova a correr para ver se fugia da vergonha.

Depois de umas centenas de metros na direção da Nossa Senhora da Encarnação entrei para a encosta que lhe dá acesso, a meio estava outra prova, tiro ao alvo. Esta foi provavelmente a prova que mais me surpreendeu. Com armas de paintball, tinha dois tiros para acertar numa chapa de metal e, com a minha habilidade de atirador furtivo, fiz 2 em 2. Não me posso queixar.

Prosseguindo o percurso a subir cheguei à Nossa Senhora da Encarnação onde para meu alívio estava uma banquinha com os suplementos necessários, laranjas, água, sumo e bebida energética. Depois de dois copos de água e duas laranjas voltei ao trilho, contornando a igreja e iniciando a descida que não teve obstáculo, assim como os metros seguintes. O primeiro obstáculo surgiu no Parque dos Mortos onde, mais uma vez estavam barras suspensas. Desta vez não havia possibilidade de encarnar o meu macaco interior pois a distância  entre as barras não permitia. Como tal, e como um jovem explicou na altura, seria necessário saltar de barra em barra. Nunca tinha feito tal coisa e achei que me fosse espalhar logo na primeira. Para minha surpresa fui saltando de barra em barra e apenas aldrabei na última, uma vitória portanto.

Salta que tu saltas bem

O pior foi o que se seguiu. Estava a iniciar a corrida quando olho para as minhas mãos. As pobrezitas tinham deixado bom pedaço de pele agarrado às barras. Encontrei os bombeiros mais próximos, que estavam em todos os obstáculos, e lá me fizeram o curativo. Fui bem sucedido mas paguei o preço dos saltos.

O menino fez dói-dói

Voltei ao percurso já com pele a menos e prossegui pela Via Polis até à Alameda Dr. José Lopes Vieira onde, para não variar, estavam barras. Neste ponto equacionei tentar, mas o estado em que tinha as mãos prevaleceu e acabei por pagar o dízimo em burpees. Seguindo o desafio , o obstáculo era uma barra de equilíbrio que era necessário atravessar. Depois de duas tentativas lá ultrapassei a barra e continuei, agora já a andar que o cansaço já se começava a notar.

Ai jesus que lá vou eu

Passados uns metros na Via Polis, o obstáculo que se apresentou eram uns baldes presos por uma corda, que dava a volta a uma roldana, objetivo, puxar o balde até à roldana e seguir viajem. Pelo estado das mãos do menino não realizei este desafio. Prossegui no trilho que agora se aproximava do ponto de partida, o estádio.

Os últimos obstáculos já não tentei fazer, pois as dores nas mãos não melhoravam e todos eles exigiam que me agarrasse a uma corda, ou a barras. Chegado à meta tive que celebrar com um festejo à Super-Homem, quer dizer, à Ronaldo e após um vigoroso salto dei um “SIIIIIIIIIIIII!!” que não deixou ninguém surpreendido. Para acabar em grande recebi uma medalha que muito peso me fez nos dias seguintes.

Exausto no fim do percurso

Depois de tomar uma banhoca segui o meu caminho para 8 horas de trabalho. Olhando para trás confesso que me surpreendi com a quantidade de obstáculos que consegui completar, apesar de não ir ao ginásio já há algum tempo. Superei as minhas expectativas! Deixo um agradecimento a todas as pessoas que ajudaram esta trave a ultrapassar os obstáculos e os parabéns à organização do Police Challenge por uma prova desafiante e muito bem organizada.