Reportagem: Fui ao Rock In Rio vestida de Rainha, tirei fotos e senti mãozinhas marotas


A nossa repórter esteve a trabalhar no Rock in Rio vestida de Rainha. E parece que andou tanto pelas Rock Street que parecia ter feito três concertos seguidos do Bruno Mars.

 

Gosto muito da TIL, é verdade, mas isto ainda é um projeto pro-bono e por isso tenho de trabalhar durante a semana para me sustentar.
Estou a full time, em marketing e comunicação, na Frutóbidos – empresa produtora da marca do genuíno Licor de Ginja d’Óbidos – Vila das Rainhas. Trazer a marca ao Rock in Rio tendo em conta a dimensão deste festival, teria de criar algum tipo de relação com os festivaleiros. A ideia era não ser apenas mais uma marca mas sim, uma marca que criasse impacto e proximidade. Ir vestida de Rainha acabou por ser uma ideia quase natural, não fosse a marca também tocar nessa “personagem”.

O fato era enorme e muito quente: era composto por três partes. Tinha um saiote para que ficasse com volume e aquele efeito balão. Depois colocava uma saia por cima e posteriormente tinha um vestido pregado atrás. Os sapatos, mais altos que tinha, marcavam os 15 centímetros e os mais baixos creio que os 10. Imaginem o que é fazer dezenas de quilómetros naquele parque íngreme da Bela Vista.

Não sei o que se passava comigo mas assim que me trajava, sentia-me imediatamente outra. E era esse o objetivo. Por mais dores que tivesse ao fim de algumas horas, aquela não era a Catarina, mas sim uma Rainha e como tal, por mais que o corpo chorasse, ou que por magia aparecessem rosas em vez de pão, era um sorriso que tinha de surgir para todos aqueles que nos procuravam. A tiara também era pesada e não me permitia baixar a cabeça. Já dizia o ditado – “não baixe a cabeça senão a coroa cai!”.

Até que não estávamos mal!

Eu não andava sozinha. Tinha o Miguel, o Rei. Acreditem que o Miguel foi um elemento fundamental, sobretudo como meu auxílio nas subidas e descidas na Rock Street, em momentos que os meus pés já pareciam ter feito três concertos seguidos do Bruno Mars. Já nos conhecíamos há uns anos e isso tornou-nos cúmplices e mais empáticos.

O olhar de surpresa na cara das pessoas foi incrível. Houve situações em que escolhiam apenas um de nós para a fotografia e, nestas circunstâncias, fazíamos com que pensassem que havia ciúme. As reações eram do melhor. Gargalhadas, entre os elogios e os apertos, mãozinhas marotas (sim, leram bem!) e sorrisos para a câmara. E até a beijinhos tivemos direito!

As brasileiras ficavam loucas com o Miguel e o que elas lhe diziam era tão giro ” Quê gostoso hein! Cê tira uma foto comigo?”. Óbvio que uma rainha como eu não estava ali para disputar aquele rei.

Nós não nos podíamos afastar muito um do outro uma vez que isto causaria uma divisão. Homens do meu lado, e elas do lado do Rei. O que nos valia é que os fatos, não davam muita oportunidade a atrevimentos. Confesso-vos que, havia momentos em que, sentia as mãozinhas a querer começar a deslizar pelas minhas costas – mas, chegava a uma parte em que o saiote fazia o efeito balão e era impossível que a marotice chegasse mais longe. Até começo a achar que aquela foi a grande invenção dos séculos anteriores.

Lembro-me de um grupo que me “apanhou” sem o Miguel por perto.  Todos tinham bigodinho à Quim Barreiros, um hálito a whisky e um chapéu de estilo mexicano na cabeça. Eram todos eles portugueses e estavam na casa dos 45/50 anos. Ou seja, tudo e nada ali fazia sentido. Juntos tirámos mais do que vinte fotografias. Todas elas hão-de ter ficado maravilhosas, como podem imaginar.

Neste mesmo dia, houve também uma senhora que já se encontrava num estado, digamos, interessante. Eu estava a beber uma garrafa de água quando me abordou. De todo o discurso só entendi que “a culpa era da organização”. Eu acenei com a cabeça e ainda fui merecedora de um abraço bem suado e um beijo quase nos meus lábios. Coisas de festivais, vá.

Assim estive eu vestida na Cidade do Rock

As crianças eram a nossa perdição. Abracinhos bem apertadinhos, mãos dadas, sorrisos envergonhados e até de joelhos nos púnhamos para nos sentirmos ainda mais próximos delas. Houve uma altura, durante o concerto da Anitta, em que pensei que uma menina se iria mandar para cima de mim. Tive medo mas lá está, não era a Catarina que ali estava, e eis que a Rainha abriu os braços e soltou um sorriso no compasso de espera para a segurar e agarrar. Eis que me disse em histerismo “ESTÁS TÃO LINDA, MAS OLHA, SE VIRES A ANITTA DÁ-LHE  UM GRANDE ABRAÇO POR MIM E DIZ-LHE QUE SOU A FÃ Nº1”. Foi maravilhoso, fora o gosto musical da miúda, claro. No último dia, quando estava a caminhar para me destrajar, e confesso que já pouco me aguentava, uma outra menina pediu uma fotografia comigo e deu-me (spoiler alert) sem dúvida o melhor abraço que alguma criança já me deu.

Para a marca esta experiência foi brutal. As pessoas têm, de facto uma ótima relação não só com a categoria do produto mas com a marca Vila das Rainhas. Até meios de comunicação social nos pediam fotografias e um breve desfile para as câmaras ! Foi vantajoso para nós trabalhar com uma marca de renome porque nos facilitou a comunicação. Houve pessoas que queriam pegar na caixa da garrafa que tínhamos para a fotografia, e isto, para além de nos aliviar por momentos os braços, deixava-nos livres para cair na realidade – afinal éramos mesmo os Reis do Rock in Rio e eram os festivaleiros quem nos faziam sentir assim.

 

P.S. E não, não vi tantos concertos quanto queria. E sim, não senti os pés durante vários dias.